O universo do Homem-Aranha e as suas Minas-Aranha. | Judão

Num mundo de caras como Peter, Miles, Kaine e Miguel, ELAS conquistaram seu espaço e hoje são parte importantíssima da mitologia aracnídea

Apesar de Peter Parker ser na sua essência um cara solitário, dá pra dizer que, nos últimos anos, a Família Aranha seguiu o exemplo do clã do morcego em Gotham City e cresceu consideravelmente em termos de PERSONAGENS-ARANHA. Além do sobrinho favorito da Tia May, temos rodando por aí Miles Morales, Miguel O’Hara (o Cabeça de Teia 2099) e até mesmo um regenerado Kaine, clone defeituoso de Peter que assumiu o manto de Aranha Escarlate (isso sem mencionar um OUTRO clone que seguiu a tradição Marvel e retornou da terra dos pés juntos em Dead No More).

Só que, curiosamente (e AINDA BEM!), a coleção de heróis pulando de teia em teia por aí tem sido reforçada por um time de mulheres das mais diferentes origens que, de uma forma ou de outra, entraram pra valer no mundinho de Parker — e, ufa, sem precisar fazer com que se tornassem seus pares românticos.

Jessica Drew, a Mulher-Aranha

A primeira delas, criada em 1977 por Archie Goodwin pra ser uma heroína de um número só em Marvel Spotlight #32 e que acabou se tornando um sucesso inesperado. Aí, Marv Wolfman recebeu a missão de escrever a história dela em um gibi recorrente, tratando de mudar a origem de uma aranha que “evolui” e se torna uma mulher para algo relacionado à HYDRA (e que se refletiria em sua existência como espiã algum tempo depois).

Sujeita a uma série de ESTRIPULIAS editoriais ao longo dos anos — que a fariam ser, inclusive, uma espécie de experiência de seu próprio pai, Jonathan, utilizando um soro experimental do sangue de aranhas irradiadas (?) e depois criada pelo maníaco chamado Alto Evolucionário — ela só ganharia a chance que merecia nos anos 2000, ao cair nas mãos de Brian Michael Bendis, fã declarado da heroína. Tanto é que era para que ESTA Jessica fosse a protagonista de Alias, e não Jessica Jones.

Depois de algum tempo atuando como uma detetive particular e aposentada da carreira heroica, ela voltaria a vestir o uniforme e até entraria para os Novos Vingadores, dividindo-se entre super-heroína e agente da SHIELD. Substituída pela rainha skrull Veranke durante Invasão Secreta, a atual Jessica Drew pós-Guerras Secretas voltou ao mundo da investigação particular, intercalando suas atividades de combate ao crime ao duro trabalho de mãe solteira, cuidando do pequeno Gerry.

Jessica Drew, a Mulher-Aranha ULTIMATE

A versão do hoje DEFUNTO Universo-1610 é, na verdade, um clone de Peter Parker, com os cromossomos manipulados para a mudança de sexo pelo Doutor Octopus. Lutando para criar sua própria identidade, ela assume um novo nome e uma função como agente da SHIELD, lutando ao lado de Peter em algumas ocasiões e até ajudando o jovem Miles Morales a se encontrar na vida como Cabeça de Teia depois que o Aranha original é morto por Norman Osborn.

Jess e Miles acabam se tornando amigos e até colegas de equipe, numa variação adolescente dos Vingadores com Lince Negra e a dupla Manto & Adaga depois que o time dos adultos se desfaz. Mas neste ponto ela prefere começar a ser chamada de Viúva Negra, pra evitar a lembrança tão frequente de sua matriz genética.

Recentemente, antes de Guerras Secretas dar fim ao Universo Ultimate, esta Jessica apareceu em Aranhaverso, atuando em missões ao lado de ninguém menos do que Ben Reilly. Aguardamos ansiosamente o momento em que ela também vai aparecer no Universo-616 e assumir o lugar que lhe é de direito (o que, obviamente, não deve ser lá muito complicado).

Julia Carpenter, ex-Mulher-Aranha/Arachne e atual Madame Teia

Escolhida por um órgão secreto do governo dos EUA (ah, sempre eles) para ser o seu próprio exemplar de super-heroína, Julia foi injetada “acidentalmente” com um mix de veneno de aranha e extratos de plantas exóticas. O resultado é que acabou ganhando poderes similares aos do Homem-Aranha, à exceção de uma certa “teia psiônica” que é melhor a gente nem tentar explicar.

Assim que ganhou sua nova identidade como Mulher-Aranha, acabou se envolvendo nas Guerras Secretas originais — e seu uniforme preto meio que inspira a criação da nova roupa de Peter Parker, cortesia de um certo simbionte alienígena.

Depois de perder seus poderes e então recuperá-los em pouco tempo, no começo da Guerra Civil, ela assumiu uma segunda identidade, Arachne, com um uniforme similar. Atuando como agente dupla — registrando-se e fingindo ajudar o Homem de Ferro enquanto, na real, tava é dando uma força para os heróis FUGIREM da Leia de Registro de Super-humanos — ela chega até a ser presa, mas depois logo é libertada pra poder encontrar sua filha.

Após uma passagem breve pela Tropa Alfa, Arachne recebe os poderes proféticos da Madame Teia quando a original, Cassandra Webb, foi mortalmente ferida por Sasha Kravinoff, a ex-esposa de Kraven, o Caçador. Hoje, é Julia quem desempenha o papel de Mestre dos Magos do mundo dos homens e mulheres-aranha.

Anya Corazon, ex-Araña, atual Garota-Aranha

A caçula do time, uma ginasta adolescente do Brooklyn, filha de um repórter investigativo que se mudou com a filhota do México pros EUA depois que a esposa foi assassinada. Suas capacidades atléticas chamaram a atenção de uma certa “Sociedade da Aranha”, um tal grupo secreto ancestral, fazendo com que seu líder/feiticeiro lhe transferisse parte de suas habilidades para salvar sua vida (o que, na verdade, só despertou as habilidades naturais que ela já tinha, mas tudo bem, sigamos em frente).

Depois de trabalhar como estagiária para a WebCorps, empresa de fachada que a Sociedade usava pra esconder suas ações, foi descoberta pelo Homem-Aranha e meio que virou sua protegida quando enfim abandonou as fileiras da tal organização. Durante a Guerra Civil, esteve do lado do Homem de Ferro – e quando a família Kravinoff a caçou, tentando sacrificá-la para trazer o Kraven de volta à vida, acabou recebendo um novo uniforme da nova Madame Teia.

A identidade atual acabou vindo como um apelido dado pela Mulher-Aranha: depois de ficar meio brava no começo, Anya acabou aceitando ser chamada de “Garota-Aranha”. No final daquela divertidíssima bagunça conhecida como Aranhaverso, a jovem heroína, ainda triste pela morte do pai depois de um ataque de fúria do Hulk Vermelho, resolveu se juntar ao Homem-Aranha Britânico (pois é) e ficou para trás, na Grande Teia da Vida e do Destino (POIS É), tornando-se uma justiceira migrando pelo multiverso em busca de realidades que precisassem de um herói aracnídeo pra chamar de seu.

Gwen Stacy, a Spider-Gwen

Egressa da chamada Terra-65, uma realidade que descobrimos que existia durante o evento Aranhaverso, é o resultado de um “o que aconteceria se a Gwen Stacy tivesse sido picada pela aranha radioativa ao invés de Peter Parker?”. Enquanto ela vira a heroína do pedaço (além de baterista em uma banda chamada The Mary Janes, liderada por Mary Jane Watson), a Mulher-Aranha do seu mundo, Peter Parker nunca perde o Tio Ben, se torna um babaca completo e acaba desenvolvendo um soro que o transforma numa criatura similar ao Lagarto.

Quando os Aranhas de vários universos se encontram, ela acaba conhecendo toda a galera, incluindo o NOSSO Peter Parker, que fica profundamente mexido com a sua presença ao relembrar do destino trágico de sua Gwen.

Depois de viver uma série de aventuras pelas múltiplas realidades ao lado das novas amigas Jessica e Cindy Moon, retornou ao seu próprio mundo e ganhou até um título próprio, no qual o Capitão América é na verdade a Capitã América, Matt Murdock é o Rei do Crime e Frank Castle se torna capitão da divisão de crimes especiais da polícia de Nova York.

Cindy Moon, a Teia de Seda

Essencialmente, foi assim: a aranha que picou Peter Parker também picou, minutos depois, uma garota que também estava na excursão. Mas ela teve um destino beeeeeeeeeeeeem diferente, sem conseguir controlar suas habilidades e sendo encontrada pelo maluco chamado Ezekiel, que ganhou poderes aracnídeos por meio de uns rituais igualmente malucos. O sujeito convence seus pais de que ela precisa de ajuda e ele a leva para um local secreto, onde ela acaba sendo treinada mas ao mesmo tempo mantida trancada em segurança para não ser encontrada pelo vampiro dimensional Morlun, que queria sugar a essência vital das “criaturas-aranhas” espalhadas pelo multiverso.

Sete anos depois, quando tem uma visão da aranha picando outra pessoa ao ser exposto às energias do Vigia em Pecado Original, Peter descobre que Cindy existe e a liberta. Apesar da imensa atração física quase irracional que a conexão entre ela e o Homem-Aranha acaba gerando, Teia de Seda resolve seguir sua própria vida depois de tudo que rola durante o Aranhaverso, quando Morlun e sua linhagem são enfim tirados de circulação.

Ela então cria uma identidade heroica para si mesma, um uniforme e passa a combater o crime por conta própria, enquanto usa o emprego de estagiária no canal de TV Fact Channel para tentar encontrar informações sobre seus pais, que se mudaram do endereço que ela tinha em mãos. Ao longo da recente Dead No More, Cindy reencontra sua família – que, obviamente, traz um monte de segredos no pacote – e acaba se alistando na academia da S.H.I.E.L.D.