Trinta e seis: do céu à Céu | Judão

O título é ruim, mas o texto é daora

Segundo a Wikipedia, 36 é o número atômico do criptônio, um gás nobre; é o número de teclas pretas em um piano; é o código telefônico da Hungria; em língua francesa, 36 é sinônimo de muito.

Pra mim, é apenas a idade que completo hoje. 36 anos. Talvez a história de significar muito, lá do francês, também seja verdade para este poeteiro que escreve toda semana pra vocês cinco que me leem de vez em quando.

Aniversários são razão de festa, daquelas que a gente não sabe se celebra um ano a mais ou a menos. Na dúvida, uma cachacinha pra driblar a filosofia vai bem, obrigado. No entanto, a prudência se faz necessária, passar do ponto no consumo de goró pode trazer a filosofia de volta com força redobrada. É aí que mora o perigo. Em tempos de verborragia política, abusar da viagem sem sair do lugar pode dar em brigas catastróficas, dessas que já superaram em muito as que envolvem futebol.

Voltando à vaca fria, amigos em volta também são um luxo que os que têm, precisam aproveitar. Queimar uma carne. Gelar umas cervejas. O conforto do boteco pelo qual nutrimos aquela estima toda especial. A mesa da pizzaria mediana que cabe no bolso da galera. O salão de festas do prédio. A sala de casa. Nessas de celebrar a amizade, o ambiente não importa, mais vale a presença e a buena vibra. Você pode acordar com uma dessas almas estatelada na sua cama no dia seguinte? É um risco que se corre, sempre em nome da amizade.

E quando a gente ama? Daí aniversário é questão de vida ou morte. Será que ele/ela/eles vai(ão) ligar? Na verdade, uma linha no Whats ou no Facebook já é razão pra ganhar o dia. Se aparecer na comemoração, é troféu. Caso role um enrosco, daí é o céu. Para quem já está num relacionamento, meia noite é hora de bater um fio e fazer a preza, ou simplesmente virar preguiçosamente no sofá e dar aquele chega pra cá. Se o relacionamento já produziu seus remelentos, daí é abraçaço entre coroas e pirralhos, aquela emoção, coisa linda, jóia rara.

Em todas essas situações, me vem à cabeça Tropix (2016), o álbum mais recente da Céu, que nele está mais pra uma constelação em forma de gata setentista da gema, cheia de amor e rancor pra dar, que faz de discoteque a Novos Baianos, ou tudo isso junto, fervendo forte, mas muito natural e enérgico, como se tivesse entrado no estúdio, apertado rec e vazado duas horas depois.

Faz dois meses que está nos meus fones e é o disco desse meu aniversário de 36 anos. Espero que seja o seu desse fim de semana, pelo menos, já tá valendo.