Tudo indica que os filmes 3D vão acabar | JUDAO.com.br

Nos EUA, as salas IMAX já estão preferindo por versões 2D, enquanto menos filmes 3D são produzidos / convertidos e o lucro é o menor desde a estreia de Avatar, em 2010. Será que agora vai?

Eu não me lembro da última vez que assisti a um filme 3D. Percebi isso agora. Nas cabines de imprensa, o pessoal tem evitado mostrar; nas salas que eu frequento, não tem essa tecnologia. Então, tenho assistido a grandes filmes e, nossa que surpresa, não tenho sentido absolutamente nenhuma falta.

Sabe também quem não tá mais assistindo a filmes 3D? Eu só não digo “você” porque com a quantidade / localização / tipos de salas de cinema aqui no Brasil, é quase impossível fugir de um lançamento assim. Mas se você morar nos EUA, bem, aí sim é você. Porque de 2016 pra 2017, de acordo com a Variety, o lucro dos filmes 3D por lá diminuiu 18%, sendo de US$1.3 Bilhão.

Foi o pior resultado em OITO anos, uma queda de quase 50% em relação a 2010, quando Avatar estreou e elevou os lucros pra US$2.2 Bilhões.

As pessoas também estão indo menos aos cinemas, e quem vai prefere sempre pagar um ingresso mais barato quanto tem opção (no Ingresso.com não existe a opção de pré-compra de ingresso para Vingadores: Guerra Infinita em 2D), o que obviamente ajuda a diminuir os lucros. Mas não é só isso, não.

Lá fora, as salas IMAX começaram a deixar de exibir filmes em 3D — Dunkirk e Blade Runner 2049, por exemplo, foram exibidos apenas 2D. “Os consumidores mostraram uma grande preferência por esse formato”, afirmou o CEO da IMAX Entertainment, Greg Foster, numa reunião com investidores. “A demanda por filmes 2D está começando a ultrapassar a 3D nos EUA”.

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Apenas cinco filmes fizeram sentido existir em 3D — Avatar, As Aventuras de Pi, A Invenção de Hugo Cabret, Gravidade e, com algum esforço, As Aventuras de Tintin — e apenas dois deles são, de fato, melhor assistidos dessa maneira, justamente as produções de James Cameron e Ang Lee, que usaram a tecnologia para contarem a história de fato. Os outros três fizeram bom uso, ficam mais bonitos assim, mas não é necessário.

TODOS os outros filmes, se não inventam de jogar alguma coisa na sua cara só pra justificar o investimento, eram convertidos apenas e tão somente para que os ingressos fossem mais caros e os lucros maiores — ainda assim, até mesmo isso diminuiu: foram 44 filmes 3D lançados em 2017, contra 52 em 2016.

Eu sou ridiculamente a favor da tecnologia, seu desenvolvimento e melhores usos pra tudo, inclusive no cinema. O que o James Cameron fez com Avatar mudou a maneira de se fazer cinema a ponto de não ser possível pensar em, por exemplo, os Planeta dos Macacos mais recentes.

Usar só porque pode, e só porque isso vai dar mais dinheiro, sendo que os óculos escurecem tudo, atrapalham quem usa outros óculos (oi!) e nem podemos usar na rua como óculos de sol? Que acabe logo.