Um dia, Michael B. Jordan resolveu nunca mais fazer testes para papeis escritos para atores negros... | JUDAO.com.br

Em uma conversa com a atriz Issa Rae, o ator contou sobre como definir certos papéis para pessoas brancas ou negras pode ser algo preconceituoso sim

Nós estamos BEM acostumados a perceber a falta de representatividade nas obras de Hollywood. Em 2014, estudantes da Universidade do Sul da Califórnia analisaram os 100 filmes mais importantes do ano e perceberam que 73.1% dos personagens eram brancos. Pessoas asiáticas, negras, hispânicas ou de outras etnias eram condensadas no que sobrava – muito frequentemente servindo como representação de estereótipos ou mesmo sem fala alguma.

Andamos mesmo vendo um pouco de melhora, com filmes como Corra!, Estrelas Além do Tempo e Viva! A Vida é Uma Festa, que trazem protagonistas não-brancos e, no caso dos dois primeiros, abordam também o preconceito racial.

Um dos atores negros que mais se destacou no ano passado foi Michael B. Jordan, ESPECIALMENTE por seu papel no importante (e muito foda!) Pantera Negra. Durante uma entrevista para a série Actors on Actors da Variety, feita por Issa Rae, ele contou como, depois de terminar as gravações de Fruitvale Station: A Última Parada, pediu para que seus agentes não o colocassem mais em testes para personagens feitos ESPECIFICAMENTE para pessoas negras. “Todo mundo competia pelo mesmo papel. Todos os atores negros, de 17 a 40 anos, faziam o mesmo teste. Como reverter esse problema de competição e criar mais oportunidades de ter sucesso e comer?”

Pra ele, a resposta estava em ignorar o perfil definido pelas produtoras. “Eu disse que só queria me candidatar para [papéis feitos para] homens brancos. E só. A minha atuação é o que definirá esse personagem. Não quero fazer o teste para um tom de pele definido. Roteiristas escrevem sobre o que conhecem, como acham que nós somos, e isso é um pouco discriminatório”, contou. O resultado? Começou com o papel em Poder Sem Limites. Ele fez o teste e impressionou TANTO os produtores que foi escolhido para aquele que, originalmente, seria um homem branco. Depois da sua escalação, mudaram inclusive o sobrenome e o protagonista passou a se chamar John Montgomery.

“Ninguém me parou. Todos acreditavam em mim tanto quanto eu. Isso foi importante para esses acontecimentos. Ninguém quis me impedir, só me incentivar.” E a gente fica feliz que isso tenha acontecido! Porque se deu certo, significa que boa parte desses testes de elenco que EXIGEM atores brancos não precisam ser assim... ;)