Um imbecil resolveu reeditar Star Wars: Os Últimos Jedi pra tirar o "girl power e outras besteiras" | Judão

Já não me sinto em casa nesse mundo…

Fã costuma ser uma desgraça. O pessoal não consegue aceitar que seja lá o que idolatrem não pertence a eles, apesar de só existir por conta deles. Que, seja lá o que for que gostem, pode ser ruim e que faz parte da brincadeira criticar e buscar a melhora... o que também não dá a ninguém o direito de ser um babaca reacionário só porque alguém não fez, ou disse, algo que ele queria que fosse feito ou dito.

Tem uns caras, por exemplo, pistolaços porque o Luke não é o mesmo Luke dos livros do Universo Expandido — o que há quase quatro anos já se sabia, já que os tais livros deixaram de ser canon pelo simples fato de que novos filmes seriam feitos. Leland Chee, do Story Group da LucasFilm, até usou o exemplo da morte do Chewbacca pra explicar como e por que não fazia sentido manter essas histórias no Canon (via /Film).

Tem aquelas treze pessoas que foram na porta da Warner pedir que seja liberada uma inexistente “versão do Zack Snyder” pro filme da Liga da Justiça... E por aí vai. Aí tem um imbecil desgraçado como esse cara que resolveu reeditar Star Wars: Os Últimos Jedis* retirando as mulheres do filme. Chamada de The Last Jedi: De-Feminized Fanedit (aka The Chauvinist Cut), a versão, de 46 minutos e feita a partir de um vídeo filmado dentro do cinema, é “basicamente o filme original menos Girlz Powah e outras besteiras”.

Diz a descrição do vídeo no PirateBay: “provavelmente seria mais fácil fazer uma lista de coisas que ficaram, ao invés das que foram mudadas. Quase nenhuma cena sofreu cortes. (...) Sim, eu sei, não é ideal. (...) Tem problemas. Mas precisava ser feito. (...) Agora dá pra pelo menos assistir sem sentir náuseas com as grandes e pequenas decisões que eles fizeram com esse filme.”

Nessa edição, ficaram de fora o “chorão / relutante / assassino psicopata” Luke, que morre assim que o canhão o atinge, a Vice-Almirante Holdo foi tirada da história, dando a entender que a missão suicida foi inventada e executada por Poe Dameron, que em momento algum ouviu broncas da General Leia — que foi morta por Kylo Ren, o cara que agora é “mais badass e menos problemático e volátil”.

Por falar em Kylo Ren, ele mata mais guardas do Snoke, deixando a Rey sofrendo com apenas um. Ela também não tem mais “superpoderes”.

A Holdo não existe na história, Rose só está lá, General Leia não dá bronca em Poe Dameron, Rey não tem “super poderes”

Canto Bight não existe mais, a Rose “só está lá e ocasionalmente sorri e grita Finn!” (sendo que ele não tenta escapar em momento algum) e a sua irmã não existe no filme. Finn, por sua vez, mata a Phasma com apenas uma porrada (“mulheres são naturalmente mais fracas que homens, ela não é sensitiva à Força e não sabemos nada sobre um exo-esqueleto na sua armadura”). Aí, além de cenas rearranjadas pra história ter um mínimo de coerência, a tal versão ainda tem “vários pequenos cortes reduzindo o número de cenas mostrando mulheres. Eram muitas pra contar”.

OU SEJA: além da masculinidade extremamente frágil e misógina de quem quer que tenha feito isso, o filho da puta ainda tira o papel de destaque da oriental e acaba com a possibilidade do casal gay (que eu nem acredito que vá acontecer, mas torço pra que sim).

Eu... sei lá. Eu queria ter palavras pra comentar isso. Mas já tou de saco cheio. Deixo a bola com vocês.

* Eu sei que eu sou esse tipo de gente quando reclamo de Jedi não ter plural... MAS É QUE NÃO DÁ! NÃO DÁ!