Um Lugar Silencioso é tensão lancinante do começo ao fim | Judão

MAS, ra entrar no clima do melhor filme de terror do ano (até agora) e ter uma experiência capaz de dar gastrite nervosa, é preciso também assistí-lo em um, olha só, lugar silencioso :P

Um Lugar Silencioso não remete apenas ao local onde família Abbott sobrevie no mais absoluto silêncio, isolados em uma propriedade rural em um futuro apocalíptico não muito distante. É também a forma que você deve assistir ao melhor filme de terror do ano (até agora, pelo menos).

A atmosfera é imprescindível para se viver toda a experiência ACACHAPANTE que é assistir ao longa de John Krasinski, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (05). Pra poder se envolver por completo, é meio que obrigação estar em um, hã, lugar silencioso também. É a melhor maneira pra sentir na pele o drama familiar da dificuldade de comunicação, o medo, e aproveitar o excelente uso dos efeitos sonoros (principalmente das criaturas), da música e a edição e mixagem de som, mesclados com o silêncio total, deixando se envolver pela extrema tensão LANCINANTE e desespero perene, daqueles capazes de provocar uma gastrite nervosa e fazer roer todas as unhas dos dedos.

Em outras palavras, o ideal é evitar as salas dos shoppings em horários que estarão lotados de adolescentes e gente que não tem a menor empatia em geral, que acha que cinema é lugar de fazer zona e ficar mexendo no celular — infelizmente, perfil de grande parte do público que frequenta as sessões de filmes de terror hoje em dia.

Um Lugar Silencioso é o melhor filme de terror do ano (até agora, pelo menos)

Conseguindo se safar, é bom estar preparado para 1h30 de puro estresse, nervos em frangalhos, respiração ofegante e coração batucando, pra aproveitar um dos melhores filmes de criaturas dos últimos tempos.

Ajudado pelas atuações potentes de Emily Blunt e das crianças Noah Jupe e Millicent Simmonds, que ficam quase que o tempo todo sem diálogos, conversando por sinais e esgueirando-se pelas pontas dos pés tomando todo o cuidado do mundo pra emitir o mínimo de ruído, Krasinski merece todos os créditos em apostar no terror primal, em uma estrutura narrativa básica, acertando em todos os pontos chaves da cartilha de como se fazer um survival horror funcional.

Em apenas seu segundo longa como diretor, onde também atua e escreve o roteiro junto com Bryan Woods e Scott Beck, Krasinski evoca o melhor estilo Eu Sou a Lenda de Richard Matheson, sem querer inventar moda, parecer pretensioso e acabar pecando pelo excesso. Ele até prova como o malfadado jumpscare pode ser um recurso inteligentíssimo para se assustar, quando utilizado de forma correta, ainda mais em uma filme onde o uso do som é sagrado.

E olha que estamos falando de uma produção de Michael Bay, o rei do barulho!

John Krasinski dirige a colega de elenco e esposa Emily Blunt em Um Lugar Silencioso

Um Lugar Silencioso aposta em uma dose descomunal de aflição, principalmente da metade do filme para frente que, sem exageros, se torna um verdadeiro trem descarrilado com uma sequência de acontecimentos atrás da outra. Sabe a expressão “saiu da panela para cair na frigideira”? É bem isso.

Como se não bastassem todas as qualidades, seu maior acerto é em momento algum tentar explicar o que são aqueles monstros ou de onde eles surgiram, nem como a humanidade foi para o vinagre — no máximo alguns jornais dão algum contexto, como o lance de que eles são guiados pelo som, mas só. Não há nenhum pingo de didatismo e/ou julgamento da inteligência do público.

E falando nas criaturas, vale também destacar toda a concepção de seu visual artrópode, com tímpano ultra desenvolvido e super-agilidade, sedentos de sangue e virtualmente indestrutíveis, que parecem um cruzamento do Xenomorfo com o Pumpkinhead e o Demogorgon, um trabalho classe A misturando animatrônicos com CGI sob supervisão de Jacob Buck pela Industrial Light and Magic.

Um Lugar Silencioso é daquele tipo de filme de terror extremamente correto que acerta em tudo e dá gosto de assistir, aflorando as emoções e figurando facilmente como mais uma daquelas excelentes produções da nova safra do gênero nesta última década, com grande potencial para se criar uma franquia e, quem sabe, até uma expansão de universo e mitologia.

É só o público saber fazer o barulho que ele merece!