Um novo chefe, um novo Batman e a busca por novos rumos | Judão

Fracasso de Liga da Justiça fez a Warner mudar algumas coisas dentro dos seus escritórios, esperando mudar tudo dentro das salas de cinema — na tela e nas poltronas

A gente já tem intimidade suficiente pra concordar com o fato de que a Marvel Studios só funciona do jeito que funciona porque tem um cara como Kevin Feige, profundo conhecedor das histórias em quadrinhos da editora, chefiando a porra toda. Tudo o que vem daí — universo coeso ou não, fases, um milhão de filmes e vários bilhões de dólares — é consequência dos planos criados e comandados por alguém que conhece aqueles personagens o suficiente pra desistir de um filme escrito e dirigido por Edgar Wright, por exemplo.

Antes de mais nada, os filmes são do estúdio. Depois, como Thor: Ragnarok mostra, eles podem começar a ser mais de pessoas.

Quando a Warner deixou o Batman nas mãos de Christopher Nolan e ele fez o que fez, parecia natural que o estúdio, famoso por entregar suas produções aos cineastas e influenciá-los pouco ou quase nada, devesse fazer o mesmo na hora de mostrar ao mundo que também podia juntar um monte de super-herói num filme e ganhar rios de dinheiro.

O erro foi entregar nas mãos de um cara como Zack Snyder e, mais ainda, acreditar na sua visão — coisa que o CEO da Warner, Kevin Tsujihara, chegou a dizer com todas as letras. Pra ele, os filmes da DC deveriam ser mais dramáticos e realistas. Bom... Mulher-Maravilha taí pra provar que o cara tava insuportavelmente errado (e que, nesses casos, a corda arrebenta pro lado mais fraco).

Não só Mulher-Maravilha como Liga da Justiça, claro, um fracasso de bilheterias que, por mais que os fãs insistam, não é culpa de Joss Whedon e sim de uma tentativa de interferência tardia e equivocada, como todo Wundo pode perceber.

Era o chamado PONTO PACÍFICO: ou a Warner mudava toda a sua estratégia ou os resultados continuariam sendo decepcionantes. E, como bons leitores do JUDAO.com.br que são, eles resolveram aceitar nossa sugestão.

De acordo com a Variety, a partir de Janeiro, Jon Berg, responsável pela divisão de “filmes de super-heróis” da Warner, deixa o cargo, voltando a ser um produtor. Além disso, a ideia é que essa divisão deixe de existir no futuro e os DC Filmes sejam filmes da Warner, assim como os da Sony e da Fox são, bem, da Sony e da Fox.

ENQUANTO ISSO, porém, a Warner vai sim substituir Jon Berg por alguém que ninguém sabe ainda quem será. Oi? Ah, sim. Eu também tou com “GEOFF JOHNS! GEOFF JOHNS! GEOFF JOHNS!” na minha cabeça, porque seria o movimento perfeito, a kevinfeigezação dos DC Filmes... Mas não deve acontecer.

Johns deverá continuar como CCO da DC Entertainment, trabalhando com televisão, quadrinhos e licenciamentos, ALÉM dos filmes, onde costuma servir como produtor e até mesmo dar seus pitacos no roteiro.

De pouco adianta, se ele não consegue se dedicar a algo tão importante pra empresa.

Geoff Johns & Patty Jenkins

Nessa treta, Zack Snyder não deverá mais dirigir nenhum outro filme com personagens da DC, embora continue como produtor e produtor executivo de Mulher-Maravilha 2 e Aquaman. Outros filmes dentro da Caixa D’Água, porém, nada deverá impedir — ainda que a Time Warner, empresa dona da Warner Bros. Pictures, não esteja muito feliz com tudo o que ele fez e continuou fazendo por lá.

Além disso, Ben Affleck deverá aparecer novamente como Batman em Flashpoint, o filme solo do Flash, mas essa pode acabar sendo a última vez em que veste a máscara e a capa do Cavaleiro das Trevas, provando que essa é, no mínimo, uma das escalações mais inúteis da história do cinema. Boa e interessante, mas extremamente mal utilizada.

Ainda de acordo com a Variety, Matt Reeves, o novo diretor de The Batman, tá querendo um outro ator pro papel (e já estão falando que ele poderia ser Jon Hamm, um cara que eu gostaria MUITO de ver como Superman, mas que quer mais ainda se ver como Batman, então...).

Mudanças são mudanças. Parecem pequenas mas, se somadas à ideia de colocar fim ao DCEU e a um filme do Shazam sendo produzido pela New Line Cinema, por exemplo, além do tom completamente diferente apresentado principalmente nos últimos minutos de Liga da Justiça, podem resultar em coisas interessantes.

Especialmente se tirarem da cabeça da galera o que Homem de Aço, Batman VS. Superman e Liga da Justiça deixaram.