A Sony liberou de grátis um dos softwares que usou pra fazer Aranhaverso (além dos primeiros minutos do filme) | JUDAO.com.br

Além de liberar o comecinho do filme na íntegra, a Sony também tornou o software de gerenciamento de cores totalmente livre pra comunidade do código aberto

Assistir ao filme Homem-Aranha no Aranhaverso é meio que uma experiência sensorial — além do fato de ser uma história deliciosa e emocionante, cheia de carisma e coração, impossível deixar de falar da DESBUNDANTE linguagem visual, que mistura diferentes métodos de animação, brinca com camadas de cores e texturas sobrepostas e usa e abusa de elementos icônicos das HQs, como quadros de narrador e onomatopeias, para criar um clima único.

Para convencer quem ainda não assistiu à animação vencedora do Oscar e, claro, para deixar quem já viu com aquela vontadezinha de ver mais uma vez, a Sony aproveitou que já está divulgando as versões em Blu-Ray, UltraHD, 4K e DVD, que chegam no dia 19 de março — e liberou na faixa, pra todo mundo ver, os 10 minutos iniciais do filme.

E sim, você bem que devia dar o play aí embaixo e, além de curtir as claras insinuações de que o Peter Parker mais velho é na realidade a versão Tobey Maguire dos filmes do Sam Raimi, ser devidamente apresentado ao Miles Morales, que pira enquanto ouve Sunflower, de Post Malone e Swae Lee, e faz questão de dizer que seu tênis estar desamarrado é uma decisão de caso pensado.

Justamente pra incentivar a galera que tá aí fora ralando fazendo suas próprias animações experimentações, a Sony Pictures Imageworks, braço de efeitos visuais e animação do estúdio, liberou pra download o seu OpenColorIO, um dos softwares utilizados em Homem-Aranha no Aranhaverso para cuidar do gerenciamento das cores. Embora já tenha sido utilizado em produções como Hotel Transilvânia 3 e Tá Chovendo Hambúrguer, seu potencial jamais tinha sido tão bem explorado como na película dos Cabeças de Teia.

Trata-se do segundo software liberado via Academy Software Foundation (ASWF), uma parceria da Linux Foundation com a Academia de Artes de Ciências Cinematográficas (aka “quem organiza o Oscar”) para fomentar o uso de tecnologias e programas de código aberto nas produções de todos os portes lá na terrinha do letreiro de Hollywood.

“Nós queríamos usar o OpenColorIO como contribuição para a comunidade que mais faz uso dele, e a ASWF pareceu a escolha natural”, afirmou Michael Ford, vice-presidente e gerente de desenvolvimento de softwares da Sony Pictures Imageworks, em comunicado oficial. “Os desenvolvedores e companhias que fazem uso dele no dia a dia vão guiar o projeto, começando com recursos que serão adicionados nesta nova versão 2.0”.

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Na verdade, o OpenColorIO já tinha sido liberado para acesso “quase” 100% ilimitado via licença BSD (licença de código aberto inicialmente utilizada nos sistemas operacionais do tipo Berkeley Software Distribution), o que fez com que o dito cujo ganhasse uns bons incrementos nos últimos anos. Mas agora que a parada está integralmente nas mãos da ASWF, a ideia é fazer com que a comunidade o transforme em algo que pode ser usado em todo o seu potencial.

Com base no desenvolvimento iniciado originalmente em 2003, o OpenColorIO permite que as transformações de cores e exibição de imagens sejam tratadas de maneira consistente em vários aplicativos gráficos, incluindo compostos, ferramentas de reprodução de imagem, renderizadores e gradação de cores. É compatível com o Sistema de Codificação de Cores da Academia (ACES) e é suportado nativamente em aplicações comerciais como Katana, Mari, Nuke e Silhouette FX, entre outras. Para entender como instalar, é só acessar aqui.

Para quem tá doidinho esperando pra assistir a Homem-Aranha no Aranhaverso em casa, vale lembrar que teremos o chamado Alt-Universe Cut, uma versão estendida com bastante material extra. “Tivemos uma quantidade pouco comum de material em cada etapa da produção”, revelou Rodney Rothman, um dos diretores, em entrevista ao CinemaBlend. “Então, temos uma quantidade insana de material de storyboard, de layouts, mesmo de animações finalizadas que não entraram no filme... Então, o Alt-Universe Cut traz um monte de paradas que escolhemos não colocar no filme mas que, num universo alternativo, poderiam estar lá. Então esta é a premissa por trás disso”.

Além de um curta do Porco-Aranha que foi parar no começo do filme, temos uma cena deletada de Miles e Peter tendo uma conversa emocionante em cima de um outdoor, além de uma dinâmica diferente e mais longa entre Miles e seu colega de quarto, Ganke Lee, mais próxima ao que se pode ver rolando entre eles nos gibis. “Ali, estamos mais focados na ideia de que eles se tornaram parceiros e, portanto, tem muito mais cenas de coleguismo rolando”, explica Bob Persichetti, outro da trinca de diretores. “O resultado acaba sendo algo muito similar ao Ned de Homem-Aranha: De Volta ao Lar [Nota do Editor: considerando, claro, que o Ned é mesmo inspirado no Ganke, portanto...]. Além disso, pensamos que talvez fosse legal que Miles passasse por tudo que passou sem ter alguém segurando a sua mão conforme os poderes aparecem e tudo mais, o que acabou fazendo com que encontrássemos o lugar certo para o Peter no filme”.

Para os diretores, mais do que incluir conteúdo extra e talvez proporcionar umas boas risadas, o Alt-Universe Cut tem o objetivo de ajudar os espectadores a entenderem porque certas coisas foram cortadas e o quão complicado é o processo de fazer um filme como Homem-Aranha no Aranhaverso acontecer. “Uma das coisas legais sobre este filme, especialmente desde que ele foi lançado, é que realmente gostamos de falar sobre como foi o processo de fazê-lo”, explica Rothman. “Muitas pessoas trabalharam por muito tempo nele, então realmente tentamos muitas coisas diferentes. Então, esta versão do filme é como uma grande janela que mostra como ele se desenvolveu e as coisas diferentes nas quais trabalhamos. Para qualquer cineasta, ou para qualquer um interessado em filmes, vai ser bem interessante. Eu adoro coisas assim quando vejo”.

A gente aqui também, cara. Cinema, né. <3