Voltron: cinco naves em forma de leão e um único (e estiloso) robô gigante | Judão

Mas acho que você não sabia da história como aconteceu de verdade…

A gente tem certeza absoluta que, embora você talvez não se lembre do nome, basta você ter por volta dos seus 25/30 anos para se lembrar de um grupo de leões robóticos que se juntavam para tornar-se um gigantesco robô chamado Voltron, o ápice das aventuras de uma trupe de exploradores espaciais. Este era o mote de Voltron: Defender of the Universe, desenho animado que teve vida curta e foi exibido entre setembro de 1984 e novembro de 1985.

Talvez você se lembre de Voltron como sendo um desenho animado japonês. E, diabos, você está certo. Em termos. Na verdade, se tratava de uma co-produção da World Events Productions e da mesma Toei Animation de Os Cavaleiros do Zodíaco. Mas o grande lance é que Voltron só existe como a conhecemos graças aos criadores Peter Keefe e John Teichmann. Usando material licenciado da série animada Beast King GoLion (Hyakujû-ô Goraion), eles alegaram não ter condições de fazer uma tradução literal do japonês para o inglês; Assim sendo, eles re-editaram os episódios, criando novas tramas e diálogos usando sequências pré-existentes. Aproveitaram o ensejo e se livraram das cenas mais violentas, para garantir uma aceitação maior na TV norte-americana. O resultado foi um verdadeiro hit não apenas nos EUA mas também em uma série de países (Brasil incluído), liderando o mercado de programas infantis sindicalizados na metade dos anos 1980.

Ou seja: antes mesmo da Saban inventar das suas com os Power Rangers, já tinha americano querendo “dar um truque” usando uma série japonesa. :D

A primeira (e mais conhecida) temporada de Voltron mostrava um grupo de cinco jovens pilotos que comandavam cinco naves-robôs em forma de leão em um futuro que simplesmente não dava pra definir. Sua missão era proteger o planeta Arus, liderado pela Princesa Allura, das investidas do terrível rei Zarkon, monarca do planeta Doom. Auxiliado pelo filho Lotor e pela bruxa Haggar, ele criaria gigantescas criaturas chamadas Robeasts para aterrorizar o pobre povo de Arus – adivinha só o que o time Voltron fazia quando os monstros gigantes pintavam no horizonte? Bingo: juntavam os leões e o nosso robô gigante estava pronto para o combate.

voltron
A equipe era formada por Keith (capitão da Força Voltron e piloto do Leão Negro, que formava o peito e a cabeça do Voltron); Lance (piloto do Leão Vermelho, que fazia as vezes de braço direito); Pidge (o caçula do time, piloto do Leão Verde e que se tornava o braço esquerdo); Sven (piloto do Leão Azul, que era a perna direita) e Hunk (piloto do Leão Amarelo e que virava a perna esquerda). No meio da temporada, Sven sofre um gravíssimo ferimento causado por Haggar, abandonando o time para ir se recuperar no Planeta Ebb. O mais legal é que a própria Princesa Allura, única sobrevivente do ataque brutal de Zarkon à família real de Arus, substitui Sven no comando do Leão Azul. Em combate, por mais que tenha uma coroa sobre a cabeça, ela se submete às ordens de Keith – o mesmo sujeito que, segundo aparentava, teria um envolvimento romântico com ela. Mas isso nunca ficou lá muito claro.

Os leões são feitos de uma liga de platina e titânio – com detalhes em ouro que permitem resistir tanto ao frio do espaço quanto ao calor de uma estrela flamejante. O centro de controle de cada leão, localizado na cabeça do bicho, é protegido por um escudo antiradiação, assim como são os uniformes de cada integrante do time. Os olhos dos leões são, na verdade, receptores de vídeo que podem ser apagados ou acendidos quando necessário. Pelo nariz do leão, acontece a circulação de ar que mantém o controle climático da nave, e eles podem ser fechados para viagens espaciais mais longas. O rugido do leão é parte deste sistema – e pode ser ativado como uma espécie de sirene policial como forma de intimidar o inimigo. Importante: durante a formação do robô Voltron, um campo de energia se forma automaticamente ao redor dos leões, para que eles não possam ser atacados durante o processo. Conveniente, não? :)

Uma coisa interesante é que, embora este tenha sido o primeiro Voltron que os espectadores viram na TV, ele era conhecido, na continuidade da série, como Voltron III – justamente por estar no que se chama “far universe” (universo distante), longe da Terra. O Voltron I é aquele do “near universe” (universo mais próximo), que pôde ser visto na segunda temporada – enquanto o Voltron II seria o do “middle universe” (universo médio), da temporada que nunca aconteceu. Falaremos mais sobre ela daqui a pouco. :)

A segunda temporada de Voltron (no caso, o tal Voltron I) foi adaptada de outra série animada japonesa, Armored Fleet Dairugger XV (Kikô Kantai Dairugger XV), o que obviamente causou uma mudança considerável na história. Os planetas natais da Aliança Galáctica se tornaram superpopulosos e uma tropa de exploradores é enviada para buscar novos planetas que possam ser colonizados. No meio do caminho, eles atraem a atenção do Império Drule, que sempre esteve em conflito com a Aliança – e que passa a interferir diretamente na missão de colonização. Como o Voltron do Planeta Arus está longe demais para auxiliar os exploradores, um novo Voltron é construído para combater a ameaça Drule. BOOM!

Este novo time Voltron não tinha os populares leões-robôs, mas quinze diferentes tipos de veículos, organizados em três grupos de cinco justamente por sua área de especialidade. Eles podiam se combinar, entre eles, para formar máquinas maiores: o time do mar formava o Aqua Fighter; o time da terra formava o Turbo Terrain Fighter; e o time do ar formava o Strato Fighter. Só, então, quando havia MUITA necessidade, os quinze veículos se juntavam e formavam a imensa nova versão do Voltron – como você deve imaginar, ela não se parecia em nada com o primeiro Voltron, aquele dos leões.

Em 1986, a World Events contratou a Toei Animation para produzir o especial Voltron: Fleet of Doom. Tratava-se de um longa para a TV que misturava cenas de GoLion e Dairugger XV, um crossover nunca lançado no Japão e produzido especificamente para o mercado internacional. A intenção era criar uma história na qual fosse possível misturar os personagens (e, principalmente, os robôs) das duas primeiras temporadas.

Voltron Force

Voltron Force

Havia ainda planos de uma terceira temporada, que traria o tal Voltron II do “middle universe”, que seria baseado/editado a partir do desenho animado japonês Lightspeed Electroid Albegas (Kosoku Denjin Albegas), exatamente como seus antecessores. Os bonecos baseados em Albegas chegaram inclusive a ser vendidos no mercado americano com o nome Voltron II. Mas a série animada nunca chegou a acontecer nos EUA. O motivo? Embora a primeira temporada, do Voltron Leão, tenha sido um sucesso retumbante, a segunda temporada, do Voltron Veículos, foi um fracasso. Então, a World Events Productions preferiu não arriscar...

Em 1998, foi produzida uma nova série animada, totalmente norte-americana, chamada Volton: The Third Dimension. O estilo de animação, em computação gráfica, lembrava totalmente antecessoras como Reboot (um clássico do gênero) e Beast Wars (uma espécie de continuação animada dos Transformers originais). Como era de esperar, Third Dimension tinha conexão direta com a bem-sucedida série do Voltron Leão – mas digamos que a mudança do visual do robô e de personagens como o Rei Zarkon e seu filho Lotor desagradou os fãs mais antigos. Foram duas temporadas centradas no retorno de Lotor (agora dublado pelo estrelado Tim Curry), três anos depois, agora livre de sua prisão no espaço mais obscuro, e disposto a destruir tudo que era bom. Ele reencontrou a bruxa Haggar e tornou-se uma terrível ameaça – mas, do lado da Aliança Galáctica, que trouxe de volta o time original que comandava o Voltron, estava uma arma secreta: o agora regenerado pai de Lotor, o rei Zarkon.

Mas a World Events não desistiu da empreitada – e, em 2011, foi ao ar pela TV americana a série Voltron Force. Agora animada de maneira mais tradicional e com o visual dos personagens lembrando diretamente o que se viu na década de 1980, a série era uma nova continuação daquela primeira e saudosa temporada original, Sim, isso mesmo, praticamente desconsiderando o que rolou em Third Dimension. Tivemos o retorno de Lotor, agora o regente supremo do planeta Drule (sim, aquele da segunda temporada, criando um link entre as duas) depois de um golpe de estado. E ele trazia consigo uma energia das trevas recém-descoberta, que poderia (adivinha só?) destruir o universo (HÁ!). O time de cinco pilotos do Voltron original (incluindo não apenas a Princesa Allura, mas também Sven) saiu da aposentadoria para comandar novamente seus robôs-leões. E ainda tiveram que ensinar todos os macetes para três novos cadetes que seria, digamos, a nova geração. Mas como a série durou uma única temporada e, em 2012, foi cancelada, os coitados dos novatos mal tiveram oportunidade de mostrar a que vieram...

Desde 2005, existe ainda uma movimentação de bastidores para fazer um filme live-action de Voltron, com atores e tudo mais. A produção seria de Mark Gordon (A Liga Extraordinária), com apoio de Pharrell Williams – que faria, inclusive, a trilha sonora original. Uma primeira versão do roteiro já teria, inclusive, sido entregue a Gordon pelo roteirista Enzo Marra. Obviamente, depois que o primeiro filme dos Transformers explodiu nos cinemas, era de esperar que mais gente estivesse interessada na bagaça. O estúdio New Regency negociou com a Mark Gordon Co. para produzir, enquanto a , Relativity Media também entrou na dança para negociar financiamento. O diretor Max Makowski, conhecido por filmes de ação de pouca expressividade, já estava até negociado para assumir a cadeira. Mas então a World Events Production Company se envolveu numa batalha de direitos com a Toei Company Ltd. (não por acaso, dona dos desenhos que foram usados como base para Voltron) – e, pouco depois, com a Relativity Media. As últimas notícias davam conta de que Atlas Entertainment & Relativity Media seriam os responsáveis pela produção, agora com o título definitivo de Voltron: Defender of The Universe, e com um roteiro sendo desenvolvido por Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer, a dupla responsável pelo filme Sahara. Será que agora vai?