We are The Walking Dead | JUDAO.com.br

Série da AMC, definitivamente, já viveu o suficiente pra se tornar o vilão dessa história que, com três filmes anunciados, está longe de acabar…

Eu gostei de The Walking Dead assim que tive um primeiro contato com a história, lá em 2010, com aquela temporada mínima de cinco episódios. Comecei a ler os quadrinhos e entrei de uma vez por todas no universo que Robert Kirkman criou quando, na edição #24 do gibi, Rick Grimes não só explicou o título do gibi como definiu exatamente sobre o que se tratava aquela história.

“Nós estamos entre eles — e quando a gente finalmente desistir nós nos tormamos eles!” disse Rick, de dentro da prisão. “Nós estamos vivendo num tempo emprestado por eles. Cada minuto da nossa vida é um minuto que roubamos deles. Você os vê lá fora... Você sabe que quando a gente morrer nós seremos eles. Você pensa que a gente se esconde atrás de paredes pra nos proteger dos mortos-vivos. Você não percebe? NÓS somos os Mortos-Vivos!”

The Walking Dead não era uma série, de histórias em quadrinhos e de televisão, mostrando como sobreviver num mundo pós-apocalíptico; The Walking Dead é sobre as relações INTERPESSOAIS no meio desse mundo pós-apocalíptico. Como manter um mínimo de humanidade, como lidar com as diferenças e problemas, como tentar reconstruir a civilização. Eventualmente seria necessário arrancar a cabeça de um zumbi, mas isso era o de menos.

Bem, pelo menos nos gibis era o de menos. TÃO de menos que, cento e tantas edições depois, parece que ninguém mais tinha tesão em fazer aquilo. Os desenhos passaram a ser cansados, muitas vezes impossíveis de distinguir um personagem de outro, as histórias se repetem e, então, eu parei de acompanhar.

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Eu e a série de TV nos separamos pela primeira vez depois da terceira temporada. Eu escrevia aqui no JUDAO.com.br sobre todos os episódios e notícias em geral, até que aquele Governador me fez perceber que eu não tava feliz nesse relacionamento e fui atrás de ser feliz. POR ACASO, nos reencontramos alguns anos depois, de tanto que as pessoas diziam que ela tinha mudado e, de fato, aceitei recomeçar esse relacionamento que, com seus altos e baixos, ao menos era mais sincero.

Não deu, porém, pra aguentar o que aconteceu entre o fim da 6a temporada e metade da sétima. Aquela punheta de “quem será que o Negan matou?” pra acabar sendo EXATAMENTE quem ele matou nos quadrinhos — um personagem que já tinha vivido um “será que ele tá morto?” anteriormente. Robert Kirkman tentou se explicar, a AMC ficou pistola e ameaçou processar uma página no FB que tentava adivinhar o morto e foi ali que eu percebi que éramos diferentes demais pra continuarmos essa relação, era hora de cada um seguir seu caminho.

Mas aí Andrew Lincoln resolveu que iria sair da série.

SPOILER! Não terminei de assistir à sétima temporada, não assisti à oitava e não comecei a ver a nona. Mas acabei assistindo aos 11 minutos finais do S09E05, exibido no último domingo (04) pra entender como é que tiraram Rick Grimes da série — isso depois de saber que ele vai protagonizar pelo menos TRÊS FILMES baseados nesse universo. E não é que The Walking Dead fez de novo? E não é que The Walking Dead continua sendo a mesma série que me fez tomar a decisão de me separar dela lá em 2016?

Não vou julgar o sacrifício do Rick, por não estar acompanhando tudo. Mas PUTAQUEMEPARIU, sério que a série introduziu um helicóptero, que aparentemente é capaz de tratar alguém bizarramente ferido, e o tirou daquele lugar? Sério que nenhum dos seus amigos resolveu que, sei lá, seria uma boa ideia dar uma olhada JUST IN CASE? Não é como se eles tivessem muita coisa pra fazer a ponto de não poderem gastar umas horas buscando PELO MENOS os restos mortais carbonizados do cara que os liderou até ali.

Tudo isso pra não matar o personagem? Ah, The Walking Dead, vai se foder.

Esse também foi o último episódio da Lauren Cohan na série, que ou saiu andando ou morreu. Ou sei lá, pegou um avião pra algum lugar, vai saber... :P

Como disse o Duas-Caras lá em 2008, The Walking Dead não morreu um herói e, DEFINITIVAMENTE, está vivendo o suficiente pra se tornar o vilão. Ou, como disse o próprio Rick Grimes lá em 2005, a série é que é uma Morta-Viva. A série, aos poucos, usando o tempo emprestado dos zumbis, foi se tornando um deles. Um ser em decomposição que simplesmente existe, andando a esmo, dando umas mordidas aqui e ali. Não pensa, não raciocina, segue qualquer barulhinho, segue aos milhares que fazem exatamente a mesma coisa.

E agora vai levar isso tudo pros cinemas.

A audiência de The Walking Dead nessa nona temporada é a pior de sua história e não há QUALQUER sinal de melhora. A série parece estar caminhando pra sobreviver apenas dos seus fãs mais fãs, deixando quem “só” gosta de uma série de TV e/ou uma boa história pelo caminho — a maioria das pessoas, JAMAIS nos esqueçamos disso.

Filmes são, claramente, fatos novos. Vai com certeza chamar a atenção desse povo que deixou a série pra lá, primeiro porque a linguagem é diferente, segundo porque vai ser algo, olha só, novo. É mais ou menos como quando, nos quadrinhos, depois de uma merda enorme, Rick salva o dia e as coisas começam a ficar bem e interessante até a próxima merda enorme acontecer. Deu certo por cento e tralalá edições, mas TAMBÉM começou a cansar.

Três filmes, uma série spin-off e infinitas temporadas da série, será que o público aguenta? Será que o dinheiro dos produtores aguenta?