Westworld retorna nos preparando pro bicho que vai pegar ainda mais | Judão

“Journey Into Night” serve quase como um episódio piloto, (re)apresentando a história, os personagens e preparando o terreno para o que está por vir — através de umas três timelines diferentes, claro.

SPOILER! Embora suas séries sejam mais parecidas com eventos, aquela coisa meio “once in a lifetime”, não é muito comum uma série ficar quase um ano e meio de espaço entre uma temporada e outra — ainda mais quando essas temporadas são a primeira e a segunda.

Game of Thrones ficar um puta tempo fora do ar e voltar pra poucos episódios chama um pouco menos atenção, se levarmos em consideração que todo mundo tá muito mais dentro da história há mais tempo. Já com Westworld existe quase um desespero pra relembrar o que aconteceu — ainda mais com um season finale daqueles, em que MUITA coisa aconteceu.

A HBO até que tentou dar uma aliviada com esse resumão, mas quem assistiu a “Journey Into Night”, o primeiro episódio da segunda temporada, deve ter percebido que muita coisa ficou de fora. E essa é provavelmente a grande beleza desse capítulo inaugural: funciona quase como um episódio piloto, (re)apresentando a história, os personagens e preparando o terreno para o que está por vir.

E o que está por vir, rapaz...

Começa com o Bernard (Jeffrey Wright). Depois de atirar contra a própria cabeça, o humano BARRA anfitrião está claramente sofrendo as consequências do “suicídio” tanto quanto a de descobrir que é um robô. A questão é: quão robô? Quão humano? E de que lado ele vai ficar nessa história? Porque, olha só, a Maeve (Thandie Newton) não vai deixar barato — ainda que o seu objetivo seja “só” encontrar a sua filha.

O bicho pega mesmo é com a Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood), que quer ver o mundo dos humanos pegar fogo, literalmente inclusive. A primeira “infectada” com o “vírus” Romeu e Julieta, ela quer se vingar por tudo o que foi obrigada a passar em Westworld — e ela passou por MUITA coisa ruim. Claramente é a storyline mais interessante de todas, especialmente pelas... vamos dizer assim, “similaridades” que tem com o mundo real, esse em que eu e você vivemos.

O Homem de Preto (Ed Harris) enfim conseguiu o que queria. Tudo o que acontece dentro do parque, agora, tem consequências — e aquele sorrisinho meio mais ou menos de lado deixou bem claro que ele tá feliz com os rumos que o parque está tomando. Enquanto ele proooovavelmente vai acabar cruzando o caminho da Dolores (chuto eu que no CLÍMAX da temporada), sua treta será mesmo com a Hale (Tessa Thompson), que quer porque quer (e precisa) encontrar o pai da Dolores, Peter Abernathy.

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Ainda que não tenha tido muita importância nesse primeiro episódio, ficou claro também que a série continua contando uma história não-linear, dessa vez com o Bernard como constante, o que vai gerar um milhão de perguntas que serão respondidas durante a série, ainda que muita gente só enxergue de fato no season finale — o que tudo bem, também, já que é um saco ficar procurando as respostas, ao invés de deixar a série respondê-las naturalmente.

São pelo menos três as timelines: a do passado, em que na verdade temos Arnold e não o Bernard (é a que começa o episódio, naquela história sobre sonho); a do que podemos chamar de presente, com ele todo fodido tentando encontrar o pai da Dolores; e a do ~futuro, em que ele acorda na praia e encontra um tigre e toda a galera morta naquele mar.

Pelo menos duas timelines você consegue identificar facilmente: no presente, Bernard está de óculos; no futuro, não. A do passado você precisa perceber o personagem sentindo mais coisas, como o medo que ele obviamente demonstra quando diz que “não é nada, só um sonho” pra Dolores — um sonho que, pelo que vimos no “futuro”, parece ter se tornado realidade.

Isso ou aquele lá do passado não é o Arnold, mesmo. :P

Agora é aquele momento em que só nos resta sentar, relaxar e APROVEITAR O CAMINHO. Westworld deve começar a caminhar de verdade a partir do próximo episódio, e cada um será crucial na história que se apresenta, da mesma maneira que esse foi importante pra nos situar em que mundo estamos e pra onde estamos indo.

Uma jornada pela noite, de fato. Sigamos juntos.