Versão graphic novel de Yellow Submarine chega ao Brasil em edição especial para colecionador | JUDAO.com.br

Para celebrar os 50 anos de lançamento da animação que virou álbum (ou algo assim), DarkSide Graphic Novel lança por aqui a adaptação do quadrinista americano Bill Morrison

Pepperland era um pequeno paraíso no fundo do mar, uma terra feliz de gente sorridente que amava a música e vivia devidamente protegida pela Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Mas eis que aconteceu um ataque surpresa das criaturas conhecidas como Blue Meanies, vindas de além das montanhas azuis com um ódio tremendo em seus corações (ou na falta deles) contra qualquer tipo de canção, que não apenas prenderam a banda em uma prisão de vidro à prova de música mas também drenaram toda a cor do lugar.

Como última esperança do território encantado, um velho marinheiro chamado Fred reativa o mítico Submarino Amarelo e viaja para Liverpool. Lá, ele encontrou um músico deprimido de nome Ringo, que acaba convencido a voltar pra Pepperland ao seu lado. Então, o sujeito reúne seus antigos parceiros, John, George e Paul e eles partem numa missão para trazer a alegria de volta ao povo daquele reino repleto de magia.

Com esta premissa doce e bastante inocente para os dias de hoje, mas com um visual animado estonteante que o tornou uma espécie de conto de fadas hippie-lisérgico, cortesia das técnicas de colagem do diretor criativo Heinz Edelmann, é que Yellow Submarine, o filme, lançado em 1968, entrou para a história da cultura pop. Um filme que, apesar de inspirado na canção infantil de mesmo nome que John Lennon e Paul McCartney compuseram para que o batera Ringo Starr cantasse, não teve praticamente nenhuma participação dos Beatles.

Na real, os caras tavam bem pouco entusiasmados com a produção. Tá, legal, eles cederam as músicas e tal, mas o submarino amarelo serviu, isso sim, como uma forma de eles entregarem de vez o que constava no contrato de três filmes que tinham com a United Artists — já que o anterior, Help! (1965), não foi lá a menina dos olhos dos músicos. Forçados a aparecer de alguma forma na produção, eles só deram MESMO as caras em uma curta sequência live-action no finalzinho da parada, cantando All Together Now. Antes que alguém pergunte: não, eles nem sequer deram voz às suas próprias versões animadas, que acabaram sendo interpretadas por atores profissionais. ¯\_(ツ)_/¯

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No ano seguinte, a animação se tornaria o décimo álbum da carreira da banda, servindo essencialmente como a trilha sonora do disco, numa bolacha contendo apenas seis canções: duas já lançadas anteriormente (a própria Yellow Submarine e All You Need Is Love) e quatro inéditas (Only a Northern Song, All Together Now, Hey Bulldog e It’s All Too Much). O restante do disco são as faixas orquestradas do filme, cortesia do lendário produtor da banda, George Martin.

Pois eis que, 50 anos depois, quando a animação completa seu JUBILEU DE OURO, o Submarino Amarelo enfim chega à outra mídia que combina perfeitamente com sua louca narrativa: os quadrinhos. A edição de colecionador de The Beatles – Yellow Submarine, com 112 páginas, adaptação oficial escrita e desenhada por Bill Morrison, saiu em Agosto lá fora e agora chega ao Brasil pela DarkSide Graphic Novel, a linha de quadrinhos da DarkSide Books.

“Na verdade, eu fui originalmente contratado para fazer uma adaptação de 48 páginas lá em 1998, mas o acordo foi pro buraco e eu tive que parar de trabalhar depois de fazer quase metade do trabalho”, explica Morrison, em entrevista pro site Comicon. “Aí, por volta de 2016, a Titan [editora gringa do gibi] conseguiu os direitos de licenciamento do Yellow Submarine. Os representantes da Apple [gravadora responsável pelos direitos dos Beatles] viram minhas páginas originais dos anos 90 e perguntaram se eu gostaria de completar o projeto com a Titan. Claro que aceitei imediatamente”.

Os desafios de adaptar um musical para os quadrinhos

Atual editor da revista MAD e fundador da Bongo Comics, ao lado de ninguém menos do que Matt Groening, Morrison não apenas trabalhou com os gibis d’Os Simpsons e Futurama, como também nas respectivas animações, além de ter dedicado grande parte de sua vida ao trampo de ilustrador pra Disney, fazendo materiais de divulgação pra títulos como A Dama e o Vagabundo, Bambi, Peter Pan, Cinderella e A Pequena Sereia, entre outros. “Passei parte da carreira trabalhando em cima do visual de personagens conhecidos do mundo das animações, escrevendo diálogos e histórias no estilo que os fãs esperavam. Então eu meio que desenvolvi a habilidade de esconder meu próprio estilo e imitar qualquer que seja o estilo dos personagens com os quais trabalho”, explica.

O quadrinista conta ainda que o grande desafio foi, de fato, criar uma adaptação que não tivesse movimento e nem principalmente som, que é uma parte fundamental do filme original. “Eu não queria que isso fosse visto como uma versão inferior do filme, então tive que trazer algo incrível que o filme não tivesse. Eu usei o design gráfico a meu favor e brinquei com as páginas e painéis de uma forma divertida. Acho que o resultado é uma HQ que parece que o filme Submarino Amarelo e um pôster psicodélico tiveram um filho”.

Bill, cujos irmãos mais velhos eram fãs da banda mas acabou tendo acesso ao trabalho deles inicialmente graças ao disco Alvin and the Chipmunks Sing The Beatles’ Hits (SÉRIO), aposta que tudo que tem o nome dos Beatles envolvido de alguma forma tem uma grande longevidade. “Mas Submarino Amarelo ainda tem uma história divertida com uma mensagem legal, cores e design incrível e personagens carismáticos. E as músicas brilhantes dos Beatles, claro. Quando um filme tem tudo isso, acho que não importa que ele tenha 50 anos de idade”.