A volta do Homem de Ferro 2020. Ou algo parecido com isso. | JUDAO.com.br

Teaser da Marvel Comics dá a entender que um vilão de um futuro alternativo dos gibis deve voltar a dar as caras no ano que vem, justamente quando o tal do futuro chegou… e as coisas parecem bem complicadas pra um certo Tony Stark

Chegou o mês de Outubro. Estamos a exatos TRÊS meses do ano de 2020, que outrora pareceu um futuro tão distante, bem ficção científica — aquele no qual acreditávamos que teríamos carros voadores, teletransporte e a cura do câncer mas, na real, temos sim a volta dos nazistas, os terraplanistas, negacionistas históricos e movimento antivacina. Mas o que parece ser um momento trágico (e, bom, na verdade é mesmo), virou uma boa oportunidade pra Marvel Comics aparentemente trazer de volta aos quadrinhos um vilão icônico de uma de suas múltiplas realidades alternativas: no caso, o Homem de Ferro 2020.

Originalmente, o Ferroso futurista surgiu em 1984, na segunda edição do gibi do Homem-Máquina — um sobre o qual falamos bem aqui. Lembremos que, quando
Tom DeFalco e Herb Trimpe conceberam o personagem pra ser o antagonista do androide X-51, estávamos há mais de 35 anos da chegada de 2020. Aquilo, portanto, era bem no futuro. Um futuro que, é preciso dizer, está dentro do CANON da Marvel como parte de uma realidade alternativa chamada Terra-8410, bem diferente da versão 616 que é a Terra “oficial” da editora.

Por baixo da armadura, estava outro Stark, um “primo” distante de Tony que atendia pelo nome de Arno Stark. Mas não vamos confundir aqui: apesar do nome, ele não tem NENHUMA relação com o Arno que surgiu nos gibis contemporâneos do Latinha, o igualmente genial filho legítimo de Howard e Maria Stark (sim, Tony foi adotado pelo casal multimilionário, mas a explicação completa sobre isso fica pra uma outra vez). O ponto é que Arno se torna o legítimo herdeiro das Indústrias Stark mas, ao invés de usar a tecnologia das armaduras para fins heroicos, o sujeito pega gosto pelos atos mercenários e passa se envolver em missões de espionagem industrial, em especialmente aquelas que permitam esmagar seus competidores diretos.

Sua armadura, com todos os armamentos funcionando no nível máximo justamente para não poupar danos aos seus alvos, tinha até um visual mais agressivo do que as outras versões do Tony, com uma máscara com uma expressão bem mais invocada e aquelas rodas dentadas nos ombros. Derrotado pelo Homem-Máquina em sua estreia (“eu sou um homem melhor do que você”, disse o robô), o Homem de Ferro 2020 chegou a aparecer mais tarde em outros gibis, encarando o próprio Homem de Ferro e o Homem-Aranha, além de participar de aventuras envolvendo diversos tipos bizarros e fascinantes vindos de outros futuros alternativos.

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O grande lance do teaser que a Marvel soltou nesta terça (01), com uma arte de Inhyuk Lee na qual o Homem de Ferro 2020 está sobre o túmulo de Tony Stark, de onde se ergue uma mão humana, talvez não signifique que NECESSARIAMENTE veremos o retorno de Arno — que, até bem pouco tempo, tinha sido visto como integrante da chamada Tropa Cronos, grupo de renegados de diversas linhas temporais moribundas liderado por Kang, o Conquistador, lorde das viagens no tempo.

Na real, pode ser até mesmo o próprio Tony.

Explico: quando chegaram as solicitações do gibi Tony Stark: Iron Man número 19, escrito por Dan Slott e a ser publicado em Dezembro, a sinopse foi “o que aconteceria se não existisse Tony Stark? O que aconteceria se só existisse o Homem de Ferro? No final de 2019, as fronteiras entre homem e máquina vão se misturar e romper — e o Universo Marvel será um lugar muito diferente em 2020. Uma nova Era de Ferro está chegando, e você não vai querer perder esta edição ESSENCIAL”.

Tá legal, você bem sabe, tem um grande quinhão de exagero marketeiro aí. Mas eis o ponto: esta será a última edição de Tony Stark: Iron Man. O gibi será cancelado. Vai vir alguma coisa no lugar, igualmente escrita por Dan Slott e com o Homem de Ferro no papel principal? Provavelmente sim. O quanto isso vai ter de impacto no restante do Universo Marvel, assim, de verdade verdadeira? Não dá pra saber se vem um crossover pela frente, um daqueles megaeventos que a editora adora, enfim. Sabe-se, no entanto, que Slott é apenas um dos muitos roteiristas da vindoura série Incoming, que promete colocar todos os principais heróis para desvendar um assassinato de alguém muito importante, numa jornada cheia de descobertas pam-pam-PAAAAAM e que vai conectar todos os principais acontecimentos da cronologia em 2019, pavimentando os caminhos pro próximo ano. Muito que bem.

Mas falando especificamente sobre o Homem de Ferro: desde que o Slott assumiu o título do herói, ele tem pesado bastante a mão em temas relacionados à inteligência artificial, ética robótica e outros baratos. Além de trazer alguns personagens daquele gibi clássico do Homem-Máquina, como o próprio e seu alter-ego Aaron Stack e ainda a Jocasta e Sunset Bain, o escritor também trouxe de volta ninguém menos do que o vilão Ultron. E como parte do arco de histórias The Ultron Agenda, descobrimos que a ressurreição de Tony, morto ao final de Guerra Civil II mas trazido de volta à vida ao final da passagem de Brian Michael Bendis pelo título, não foi assim tão simples.

Na real, na melhor tradição do clássico Lição de Anatomia, aquele arco lendário do Monstro do Pântano escrito pelo Alan Moore, descobrimos que este Tony Stark na verdade não é Tony Stark, mas sim um compilado digital de suas memórias em um corpo humano tecnologicamente recriado sem as falhas do anterior. Basicamente, estamos falando de uma máquina que acha que é gente. E pra complicar ainda mais, Ultron o prendeu dentro da própria armadura, forçando-o a ser uma máquina 100% do seu tempo.

Nesta luta entre seu lado humano e a faceta mais “robótica”, quem garante que é o lado humano que sai ganhando? E se a pergunta “o que aconteceria se não existisse Tony Stark?” significar que o lado Stark perde, o lado Homem de Ferro ganha e aí nasce então um novo Ferroso, um Homem de Ferro 2020? Seria de fato uma nova fase, com o Homem de Ferro que a gente conhece (ou quase), e não um outro sujeito qualquer, como vilão de fato.

Na real, esta não seria a primeira vez em que vemos um Tony numa pegada mais, digamos, vilanesca. Depois da saga Eixo, que mudou a realidade da Marvel tornando vilões em heróis e heróis em vilões, apesar de grande parte das coisas terem voltado ao normal, algo pareceu meio quebrado dentro do Homem de Ferro. Adotando uma armadura totalmente prateada e ainda mais futurista, de metal líquido e usando tecnologia inspirada nos simbiontes, ele foca seus esforços em São Francisco, uma cidade na qual libera um aplicativo que abre as portas para o tal Extremis 3.0, vírus tecnorgânico modificado que permite que qualquer um modifique seu corpo como quiser... por um preço.

Stark se torna mais cínico, agressivo, ambicioso. Sim, sim, bem mais. E aí que ele é batizado de Homem de Ferro Superior, em referência ao Homem-Aranha Superior da fase em que Otto Octavius trocou de mente com Peter Parker.

Vamos ver o que acontece, não dá pra saber ainda. Voltamos a qualquer momento com novas informações. :P