Ash VS. Evil Dead: all hail the Comic-Con King! | JUDAO.com.br

No, arrisco dizer, MELHOR PAINEL da San Diego Comic-Con 2015, Bruce Campbell mostra porque Ash Williams é o rei, devolvendo a galhofa e o bom-humor à franquia Evil Dead, ao lado do seu bróder, o gênio Sam Raimi.

Sabe como, aqui no JUDÃO, nós sempre falamos que o Q&A é a parte mais divertida dos paineis da Comic-Con? Então, isso QUASE sempre é válido.

Quase porque, de vez em quando, um painel pode ter certos elementos que fogem ao normal, tornando-o, do começo ao fim, uma atração divertidíssima.

Pode ser qualquer coisa: desde uma química bacana entre moderador e componentes da mesa, um clima pleno de descontração, gente com muito carisma em cima do palco, ou informações realmente interessantes sendo debatidas.

Ou, como no caso do hilário painel de Ash vs. Evil Dead, pode ser tudo isso. PLUS um FUCKING Bruce Campbell.

Descontrolado, caótico, insano, ZOEIRO... Dava pra chamar o cara de muita coisa com base no que ele fez nesse painel, mas a real é que Campbell, 23 anos depois de sua despedida do icônico papel de Ash Williams, tava só se divertindo, mesmo. E NOS divertindo, no processo. :)

Moderado pelo comediante Scott Aukerman — um autoproclamado fã da franquia — o painel já começou levando o povo à loucura com a primeira exibição do trailer da série, num corte um pouco mais curto do que o liberado nas redes, algumas horas depois. Retomando o tom de horror e comédia dos primeiros três filmes da série, reapresentando um mais velho e decadente Ash e deixando claro que ele não terá moleza pra enfrentar as crias do inferno libertadas pelo Necronomicon Ex-Mortis, o vídeo deixou uma mensagem bem clara: o verdadeiro Evil Dead tá de volta!

[fve]http://youtu.be/unnLg1TPCYM[/fve]

Um por um, o showrunner Craig DiGregorio, os produtores Ivan Raimi e Sam Raimi, e os protagonistas Lucy Lawless e Bruce Campbell foram sendo chamados e tomando seus lugares na mesa. Com todos já recebendo calorosamente os convidados, a plateia toda saudou de pé quando Bruce, vestindo um ELEGANTE terno vermelho contrastante com uma camisa e lenço pretos, e trazendo um bottom, na lapela, com a clássica fala “groovy” estampada nele, apareceu. Ouviu-se, ecoando por todo o Ballroom 20, o grito de “BOO-RUCE, BOO-RUCE, BOO-RUCE”.

Raimi já partiu, então, praquela rasgação de seda inicial, dizendo como os fãs da Comic-Con sempre deram forças prum retorno da franquia Evil Dead, basicamente cagando pra qualquer outro projeto que os caras levassem lá e só perguntando sobre um novo filme, e agradecendo o apoio da galera. Coisa que Bruce, que já não parava na cadeira, também fez em seguida. E dum jeitinho só dele.

“Já agradecemos vocês desde o começo, porque não estaríamos aqui se não fosse pelos seus incessantes latidos”, disse o queixudo, prontificando uma explosão de risos da plateia. “Vocês nunca calavam a boca sobre essa porra de filme, então, querem saber? Se vocês querem Ash, tomem o quanto de Ash vocês quiserem”.

Entre piadinhas internas e uma implicância constante (e hilária) entre Raimi e Bruce — como a de dois amigos de infância que, bom, eles meio que são — Aukerman começou suas perguntas questionando o por quê de fazer do retorno à franquia uma série de TV — decisão que, segundo Raimi e Ivan, foi tomada justamente pra dar mais tempo de desenvolvimento pro Ash entrar e sair das cagadas demoníacas em que se mete –, a liberdade dada pelo Starz pros caras explodirem miolos e tripas por aí — que Lucy Lawless afirmou ser (quase) plena, usando as orgias de Spartacus como exemplo e prontificando uma reação de Bruce, que disse sempre tentar encaixar uma dessas na série, “só não durante as filmagens” — e, enfim, chegando ao ponto chave: como encontraremos nosso improvável herói, Ash Williams.

“Ash passou os últimos 30 anos sendo o Ash”, respondeu DiGregorio. “Um amável cuzão (o que, claro, fez com que Bruce se levantasse e tentasse, em corrigir pra garanhão) que vive num trailer, bebendo e cantando a mulherada, trampando”, até que, “num estilo bem Ash”, libera o demo de novo na terra e tal.

Basicamente, é o mesmo Ash de sempre. Com cinta pra barriga e algumas entradas a mais, mas ainda o mesmo gosto pra enfrentar criaturas sobrenaturais horríveis. :D

Comic-Con 2015

Mas se engana quem acha que Ash vs. Evil Dead se resumirá a... bem... Ash contra os mortos do mal. Segundo Craig, o foco da trama não está só no embate com os deadites, mas no esforço que esse cara — totalmente despossuído de qualquer predisposição a socializar — emprega pra tentar restabelecer contato com outras pessoas. Amizades, por assim dizer. E aí entram alguns novos personagens, que vão compor o grupinho “quase heróico” de Ash, como completa Raimi.

E como será pra Bruce Campbell voltar a esse personagem? “Mais difícil. Muito alongamento envolvido”, ele rapidamente responde. E emenda: “a real é que Ash, no seu auge, não seria o cara certo pra salvar o mundo. Agora, 30 anos depois... eu tenho medo pelo mundo”.

Sam Reimi“Quando Bruce voltou, ele trouxe todas essas novas habilidades, adquiridas em 30 anos de trabalho nos palcos, que... com certeza não estavam nos meus filmes de Evil Dead”, Raimi aproveitou pra ~elogiar~ o amigo. “Então, ele tá vivendo o mesmo personagem, mais velho, mas com alguma habilidade de atuação”. :D

Com Bruce definindo a série como um chinelo velho e confortável pros fãs do universo Evil Dead (“tá meio gasto, mas encaixa gostoso e você gosta”), Aukerman tentou arrancar umas informações sobre a personagem de Lawless (cara, a Xena <3), mas só descobriu que ela se chamará Ruby Knowby (referência ao Professor Knowby, o responsável por gravar as fitas que Ash toca no primeiro filme da franquia?), e virá pra cima de Ash por saber que ele é o culpado (como sempre) por libertar os espíritos malignos do Livro dos Mortos.

Mas se alguma coisa foi, realmente, revelada, foi a intenção de Raimi e Ivan em misturarem os universos de Ash Williams com o de Mia — a menina do novo Evil Dead — em um crossover insano que os veria transformados numa dupla BADASS de matadores de criaturas sobrenaturais (coisa que eles já tinham sinalizado de leve numa cena pós-créditos aí). POR FAVOR, ODIN, FAÇA ACONTECER!

Enquanto isso, Campbell, ainda incontrolável na sua cadeira, já maquinava um plano louco. Depois de leiloar um número de temporadas pra Ash vs. Evil Dead (e fechar em cinco, mas dizer que eles farão quantas o público quiser ver), fazer uma matemática bizarra dizendo que 50 episódios totalizariam 500 horas de série e dizer que enxergava o projeto como um “Três é Demais com carnificina e caos”, o cara tomou o microfone e, pro desespero do moderador, resolveu fazer um concurso do melhor cosplay de Ash Williams.

DO. NADA. :D

Quatro ~Ashes~ (três caras e uma garota) subiram ao palco e tiveram suas fantasias detonadas por Campbell, uma por uma, com exceção da moça, que acabou vítima de uma série de cantadas saídas “direto dos anos 50”, como definiu uma visivelmente constrangida Lucy Lawless. Pra delírio da plateia.

“O Ash tem cortes bem específicos nas roupas, você parece que só fez qualquer coisa aí, não?”, perguntou ao primeiro candidato. “Se você é tão entendido em Evil Dead, como você me explica a ausência de sangue nessa sua roupa? Com exceção disso aí, na sua cara, que poderia ser muito bem a marca de batom duma mulher bêbada”, indagou ao segundo. “Quanto tempo você gastou pra fazer isso aí?”, quis saber do terceiro. “Fiz na estrada pra cá”, o cara respondeu, e Bruce, meio rindo, meio se fingindo de bravo, resolveu encerrar por ali.

Bruce Campbell

Com um certo incentivo do próprio Campbell, o voto popular elegeu a moça (que, curiosamente, trazia “groovy” estampada não EM UM bottom, mas NA SUA bottom), e só aí que começou o tal Q&A. E, a essa altura, PQP, Bruce Campbell já tava UNHINGED!

A parada até começou séria, com o pessoal perguntando sobre efeitos práticos na série (vai ter em quase tudo), uma participação de Ted Raimi (não, isso não vai ter) e a colaboração de Sam com Joe LoDuca, na composição da trilha sonora da série; mas o queixudo, rapidamente, tomou conta. Ele cortava as perguntas, fingia-se de entediado, apontava pra pessoas fora da fila do microfone randomicamente e concedia o direito à pergunta, tudo enquanto pentelhava Raimi (que o pentelhava de volta). Bruce era o rei, e todos FUCKING saúdam o rei.

Quando uma moçoila foi, faceira, pedir pra que ele mandasse sua clássica fala de Army of Darkness, “this is my boom... stick“, o cara simplesmente retrucou: “Garota, você sabe que eu poderia falar isso... Se eu fosse seu macaquinho”.

Mas toda essa marra, claro, era parte do show. Na verdade, Bruce — um dos atores mais subestimados de todos os tempos — tava mesmo era curtindo pra cacete tudo aquilo. E retribuindo o amor dos fãs do jeito que ele sabe fazer melhor: entretendo. Não à toa, ele quis cravar mais uma vez que a série era fruto desse sentimento, e mais uma vez agradeceu a insistência da galera.

O trailer rolou mais uma vez. E, desta, era essa mesma que temos para desfrutar. A galera pirou loucamente, again, e todo mundo foi embora com um sorrisão no rosto.

Ash vs. Evil Dead estreia no dia 31 de Outubro, Halloween, com um primeiro episódio excepcionalmente dirigido por Sam Raimi. Se a série fizer sucesso, os caras tão mais do que dispostos — eu diria até sedentos — pra fazer mais. E, se isso significar um retorno de Bruce Campbell à SDCC, eu espero que você, assim como eu, ASSISTA A ESSE CARALHO!

No ano passado, o Borbs escreveu que Pixels e Goosebumps mereciam o Hall H. Este ano, eu digo que Bruce Campbell mereceu o Hall H.

E, na real, merece sempre que ele quiser.