Cinco anos sem a voz de Ronnie James Dio | JUDAO.com.br

Já dizia o verso inicial da canção que ele tornou famosa: “Sing me a song, you’re a singer”. Então, vamos nos lembrar dele do melhor jeito possível: CANTANDO.

Neste sábado (16), completam-se cinco anos desde que Ronald James Padavona perdeu a batalha contra o câncer no estômago. E o mundo da música perdeu a poderosa voz de Ronnie James Dio.

Aos 67 anos, seu inigualável gogó continuava praticamente intacto ao longo das décadas. Basta ouvir The Devil You Know, à época recém-lançado disco de inéditas do Heaven and Hell, banda formada pelos integrantes do Black Sabbath na época em que Dio era o vocalista. Simplesmente fantástico. Uma aula para uns e outros que se acham os senhores do Olimpo metálico.

Dio foi um dos gênios do heavy metal – a começar pelo fato de que foi o primeiro a popularizar o gesto dos chifrinhos feitos com as mãos, característica básica do gênero que o cantor trouxe inicialmente de sua avó, uma italiana que usava o gesto para espantar maus espíritos.

À frente da banda Elf (1972-1975), chamou a atenção de Ritchie Blackmore, guitarrista do Deep Purple – que, quando abandonou o grupo que o tornou famoso, tratou de chamar Dio para cantar no recém-formado Rainbow (1975-1978). Ao sair do grupo por conta das clássicas “diferenças criativas” (leia-se “ele e Blackmore tretavam como se não houvesse amanhã”), o baixinho foi convocado para assumir o lugar de Ozzy Osbourne como frontman do Black Sabbath.

O resultado foi uma revitalização na carreira do Sabbath, gerando álbuns de inspiração ainda mais heavy metal como Heaven and Hell (1980), Mob Rules (1981) e Dehumanizer (1992). Conforme eu já disse algumas vezes, sempre gostei muito mais do Sabbath da era Dio do que da era Ozzy, por mais que saiba que este tipo de comentário gere uma confusão danada. Acho mais forte, mais poderoso, mais épico, mais vibrante. O Ozzy, cuja carreira solo eu curto bastante, certamente me perdoaria se ouvisse isso (mentira, provavelmente ficaria puto da vida).

E Dio, diabos, é um cantor infinitamente melhor do que o Ozzy. Mais afinado, com mais alcance, mais poder de fogo e mais capacidade técnica. Cantava com o coração. Com uma espécie de agressividade melódica. Junte isso com os riffs precisos de Tony Iommi e, porra, temos uma combinação incendiária.

Em sua banda-solo, que atendia pelo nome Dio, o cantor ainda gerou clássicos como a obra-prima Holy Diver (1984), até hoje considerada indispensável na coleção de discos de qualquer um que se considere um headbanger de verdade.

Todavia, uma das lembranças mais legais que um cara como Ronnie deixou foi, sem dúvida, sua personalidade. Simpático, carismático, acessível, foi uma luz no fim do túnel de um mercado conhecido por cabeludos mal-encarados que rosnavam a cada sorriso que lhes era dirigido. Claro que era um sujeito bastante exigente e de personalidade forte. Mas era, conforme muitas pessoas que tiveram a chance de conhecê-lo pessoalmente confessam desde sempre, um verdadeiro gentleman. Atendia os fãs com atenção e paciência e tratava outros músicos e membros das equipes técnicas com carinho e respeito.

Quando Dio partiu, o baterista Mike Portnoy (ex-Dream Theater), escreveu em tom de pura emoção uma frase mais do que acertada sobre ele: “Parece que Dime (Dimebag Darrell, guitarrista do Pantera), Randy (Randy Rhoads, guitarrista da banda solo de Ozzy Osbourne), Cliff (Cliff Burton, baxista do Metallica) e Bonzo (apelido de John Bonham, baterista do Led Zeppelin) acabaram de achar um vocalista”

Ele não poderia estar mais certo. O paraíso, seja ele no céu ou no inferno, viu a formação de uma fantástica banda de metal. E a gente aqui, ansioso para ouvir o resultado.

Enquanto isso, a gente ouve o que o Dio deixou de mais sólido nesta trajetória terrena: o seu legado musical.

!! No Elf...

!! No Rainbow...

!! No Black Sabbath...

!! No Heaven and Hell..

!! Na carreira solo...

!! Fazendo cover...

!! No cinema...

!! Sendo zoado e achando graça...