Sony Pictures: foi hacker! | JUDAO.com.br

Um grupo, autointitulado Guardians of Peace, invadiu e roubou cerca de 11.000 GB em arquivos, incluindo informações confidenciais e, ao que parece, cinco filmes inéditos — e tudo pode ser culpa de Seth Rogen…

Parece que as preocupações da Sony se estenderão para muito além do futuro da conturbada franquia Homem-Aranha no ano que vem. Isso porque, logo depois de negar o sucesso de um grupo chamado DerpTrolling em invadir a Playstation Network e publicar senhas e endereços de usuários, o estúdio foi vítima do ataque de hackers autointitulados Guardians of Peace (Guardiões da Paz).

Aproveitando-se de brechas no sistema de segurança do estúdio, os hackers conseguiram desabilitar o email corporativo e sistemas adicionais eletrônicos da companhia, levando estimados 11.000 gigabytes em arquivos da Sony e deixando um recado nada amigável no desktop dos funcionários da empresa e em páginas do Twitter até então responsáveis por divulgar diversos filmes.

Em tom de ameaça, a mensagem deixada dizia que a companhia já havia sido avisada (do quê, exatamente, ninguém sabe ao certo) e que, não fossem as demandas do grupo atendidas, aquele seria apenas o começo. Em adição, também listava uma série de arquivos a serem liberados online caso não fosse tomada uma decisão rápida por parte da Sony. No Twitter, a mensagem foi mais direta, mas igualmente agressiva: “Vocês, os criminosos, incluindo Michael Lynton (CEO da Sony Pictures), certamente irão para o inferno. Ninguém pode ajudá-los”.

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A mensagem deixada pelos terroristas virtuais

Então, eis que cinco filmes do selo Sony Pictures — quatro deles ainda inéditos nos EUA —  foram disponibilizados, pelo mesmo usuário, num dos mais populares sites de torrent do mundo todo, o 1337x: Corações de Ferro, lançado em 17 de Outubro de 2014 e ainda inédito em boa parte do mundo (incluindo o Brasil); Mr. Turner, com Timothy Spall e Annie, com Cameron Diaz e Jamie Foxx, previstos para 19 de Dezembro de 2014; Para Sempre Alice, com Julianne Moore e Kristen Stewart, a estrear em 16 de Janeiro de 2015 na terra do Tio Sam; e Para Escrever Amor em Seus Braços, com Kat Dennings <3, com lançamento norte-americano agendado para Março de 2015. No entanto, sem um pronunciamento oficial da companhia, não é possível afirmar que o vazamento dos filmes tenha ligação direta com a invasão do sistema, bem como dar certeza da extensão do conteúdo roubado pelos hackers.

Pra tentar esclarecer esse quadro, uma página do Reddit vem tentando coletar o máximo de informações acerca do conteúdo roubado e listá-los. Embora a primeira lista tenha revelado uma série de downloads feitos pelo próprio staff da Sony (que consistia, principalmente, em episódios de Hora de Aventura o_O), outras apontaram que boa parte dos documentos roubados continha informações de vistos e senhas de diversos membros dos elencos da Sony, caixas de entrada de emails, detalhes técnicos do sistema da companhia, informações de pesquisa e contabilidade, além de muito mais que pode ainda não ter sido descoberto (ou revelado) pelos invasores.

Em busca de culpados — e, claro, entender o que que rolou e por que que rolou — a Sony acionou o FBI e a firma de segurança Mandiant para um levantamento de dados e evidências. Juntando dois mais dois e a, mais b, a companhia começou a suspeitar de um ataque estrangeiro, de proporções muito mais que apenas comerciais: a Coreia do Norte.

Celebrity Sightings In New York City - November 12, 2013

Annie, com Cameron Diaz: caiu na rede, é peixe!

Entrevista ou declaração de guerra?

“Mas porque, raios, o governo da Coreia do Norte se daria ao trabalho de invadir computadores norte-americanos da Sony Pictures, roubar arquivos e liberar filmes inéditos na internet, quando poderiam estar preparando seus imponentes mísseis para mais um daqueles intimidadores desfiles?”, você pode estar se perguntando. Isso é simples: tudo culpa de Seth Rogen, Evan Goldberg e James Franco.

Desde o anúncio da produção do filme A Entrevista, de Rogen e Goldberg, uma enorme polêmica internacional teve início. Isso porque, na trama, os jornalistas vividos por James Franco e pelo próprio Rogen recebem, do governo dos EUA, uma difícil tarefa: assassinar o ditador supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-Un. Considerado um “ato de guerra” pelo governo norte-coreano, o filme foi razão de diversas manifestações de repúdio por parte de representantes políticos do país. A última, emitida por meio do site estatal uriminzokkiri, classificou a produção do filme como “digna de severa punição”.

Acontece que, como o JUDÃO abordou lá em Agosto, essa bomba tá nas mãos da Sony, que, enxergando o potencial comercial do claramente polêmico filme, assumiu a responsa de bancar a distribuição dele — e pode estar pagando um preço mais alto do que o esperado. Com o caráter dos ataques apontando pra uma retaliação à companhia (com mensagens do tipo “nós já os avisamos e este é apenas o começo” e “caso nossa requisição não seja atendida”), as ameaças e manifestações negativas, vindas de representantes do governo norte-coreano, acumulam-se negativamente na conta do país, colocando-o no topo da lista de suspeitos.

James Franco

James Franco e o clone de um certo ditador

Se levarmos em consideração a pegada, digamos, em tom de chantagem dos roubos e o momento dos roubos e o momento em que eles se deram, então — cerca de duas semanas depois do presidente-executivo da Sony, Kazuo Hirai, revelar um planejamento para expansão no setor de entretenimento da companhia — a ideia começa a fazer sentido. Afinal, por mais que a gente saiba que a pirataria é inevitável, que os filmes vão acabar caindo na rede de uma forma ou de outra, eles são o principal ativo da empresa. É uma forma de atingi-la diretamente.

Pra piorar a situação, mais e mais indícios da participação norte-coreana nos ataques começaram a pipocar nas redes. O Wall Street Journal noticiou que, de acordo com fontes anônimas, as ferramentas usadas no ataque dos GOP foram “extremamente similares” às usadas por forças norte-coreanas em ataques feitos a diversas redes de TV sul-coreanas, em 2013. O que, mesmo com diferenças na abordagem em cada um dos casos — apontadas pelo britânico The Guardian — como o direcionamento pessoal e as mensagens deixadas pelos hackers, tornou o envolvimento da república de Kim Jong-Un ainda mais palpável.

Agora, de acordo com o re/code, a Sony Pictures estaria apenas aguardando o momento certo para, com base nas investigações conduzidas e evidências levantadas nas investigações da Madiant, cravar a Coreia do Norte como fonte do ataque, comprovando suspeitas e transformando um grande caso de roubo em algo ainda maior: um ataque político.

Comprovada, ou não, a participação do país na invasão, esperamos que o caso não sirva como inspiração para futuros conflitos — sejam eles ideológicos, políticos, ou financeiros — no mundo do entretenimento. Os resultados seriam potencialmente catastróficos.

E pensar que a Sony já tinha problemas de sobra... :/

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