A igualdade não deve ficar somente em Hollywood. Mas pode começar por lá. | JUDAO.com.br

Em entrevista, Amy Adams levantou uma questão importante sobre a discussão de igualdade salarial, mas não parece entender sobre como pode dar um exemplo para que essa e outras mudanças aconteçam.

Em 2014, rolou um grande vazamento de e-mails internos da Sony Pictures, lembra? Lá, descobrimos que, pelo filme Trapaça, Jennifer Lawrence e Amy Adams, tinham como pagamento 7% do lucro da obra, enquanto seus colegas homens como Bradley Cooper e Christian Bale faturaram 9%. Um ano depois, Jennifer publicou na newsletter Lenny, de Lena Dunham e a produtora Jenni Konner, que estava brava consigo mesma por não ganhar tanto quanto homens, já que acha que “falhou na negociação”. E explica o porquê de não insistir em algo maior: “Não queria parecer alguém ‘difícil’ ou ‘mimada.’ Pareceu uma boa ideia na época, até eu ver o pagamento dos outros na internet e perceber que os rapazes com quem eu trabalho definitivamente não se preocupam em parecer alguma dessas coisas.”

Ao Telegraph, essa semana, sua colega de elenco Amy Adams (que já havia falado sobre ter chorado praticamente todos os dias no set) comentou o caso pela primeira vez. Ela deu uma longa entrevista sobre sua carreira, juventude e, claro, suas opiniões sobre machismo e os escândalos sexuais em Hollywood. “Eu já fiz um teste de biquíni. Perdi o papel porque a personagem seria gravada usando um e eu não fico bem em trajes de banho.” Além de citar essa história, ela disse que conhece várias atrizes que viveram situações parecidas: “Não conheço uma única mulher que trabalhe na indústria e que não tenha uma história como a minha, sobre se sentir vulnerável.”

Quanto àquela COISA TODA de ter um pagamento menor do que os homens em 2014, Amy se justificou sobre não comentar o assunto na época, e explicou que achava meio injusto: “Todos queriam que eu me pronunciasse, mas quero lutar pelas pessoas fora da indústria. Então falar sobre ingratidão pelo valor que me pagam para atuar não pareceu certo.”

Ela seguiu afirmando que, obviamente, não é CONTRA discutir essa questão com os grandes estúdios. “Claro que acredito em igualdade salarial, mas prefiro começar pelos nossos professores. Vamos garantir salário mínimo para os garçons. Isso é que é tão bom sobre o que anda acontecendo com o Time’s Up – estamos começando a conversar sobre coisas que acontecem além de Hollywood.”

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Amy traz uma discussão interessante, mas a maneira de fazer isso parece um pouco confusa. São poucas as vezes em que vemos gente famosa falar sobre como há TODO um mundo lá fora em que tem gente lutando pelos direitos mais básicos, mas talvez ela tenha se esquecido de que a sua imagem é muito grande pode ser um instrumento.

Pessoas podem (e vão) se inspirar em figuras públicas, e vê-la falando sem medo sobre reivindicar seus direitos no PRÓPRIO trabalho e enfrentando estúdios, produtoras e gente BEM poderosa poderia ser uma boa maneira de impactar a sociedade. Ver mulheres mobilizadas por seus direitos, em qualquer contexto que seja, é essencial para influenciar outras a fazer o mesmo em suas vidas. Se ela mesma disse que o Time’s Up era importante pra abrir o diálogo, que tal não apagá-lo? Substituir um assunto por outro acaba parecendo uma tentativa de fugir da conversa… Que tal usar a as ferramentas que a fama traz para ADICIONAR essas outras coisas que merecem atenção, Amy? ;)