Nessa guerra de streamings, parece que a batalha pela Miramax tem um vencedor | JUDAO.com.br

Com uma estratégia que segue um caminho oposto ao que se vê por aí nessa treta toda, ViacomCBS parece que vai conseguir não só aumentar seu próprio catálogo como ganhar uma grana emprestando pra quem pagar mais

Atualmente, os grandes estúdios de Hollywood estão disputando uma corrida bastante frenética por conteúdo para seus futuros – ou já existentes – serviços de streaming. Enquanto vemos o catálogo terceirizado do Netflix sendo esvaziado e indo para novas casas da Disney, Warner e afins, os estúdios estão procurando estender ainda mais suas próprias bibliotecas e adquirir direitos para próximas produções.

Isso significa que qualquer sinal de “vende-se” já cria um alvoroço na indústria — e foi exatamente o que aconteceu quando a Miramax, que outrora foi uma das maiores e mais prestigiadas produtoras dos EUA, foi re-colocada no mercado pela atual dona Qatar BeIN Media Group. Desde Junho de 2019 empresas como Lionsgate, Spyglass Media Group – atual proprietária da biblioteca da Weinstein Company – e a Viacom mostraram interesse em adquirir 50% da Miramax. Mas, de lá pra cá, apenas a Viacom permaneceu interessada no negócio.

Fundada em 1979 por Bob e Harvey Weinstein – sim, AQUELE -, a Miramax foi uma das estruturas de conteúdo mais bem-sucedidas de Hollywood e perdeu seu status de independente após ser comprada pela Walt Disney Company em 1993. Logo após a venda, Pulp Fiction foi lançado e a produtora permaneceu fazendo filmes essencialmente independentes, iniciando uma década de produções premiadas e com ótimos resultados financeiros, o que colaborou muito para a construção da influência de Harvey Weinstein na indústria.

Administrada atualmente pelo CEO Bill Block, a produtora tem uma biblioteca invejável com filmes como Trainspotting, Sangue Negro, Meu Pé Esquerdo, Gênio Indomável, Sexo, Mentiras e Videotape, além do nosso nacional Cidade de Deus. Em 2018, a Miramax co-produziu o retorno de Halloween com a Blumhouse e a Universal, faturando US$ 225 milhões mundialmente.

Com 700 títulos disponíveis, o objetivo da Miramax é capitalizar o máximo possível com sua vasta biblioteca. Depois do sucesso da reinicialização da saga de Michael Myers, a produtora está trabalhando com a Paramount TV Studios – da própria Viacom, veja só – no desenvolvimento de uma série baseada no drama De Caso com o Acaso, estrelado por Gwyneth Paltrow em 1998. Escrita e dirigida por Peter Howitt, a história que segue uma mulher por dois caminhos hipotéticos ainda não tem um diretor contratado.

Também existem rumores sobre uma versão em série de Onde os Fracos Não Têm Vez, dos irmãos Ethan Coen e Joel Coen. Mas o próximo lançamento cinematográfico da produtora é The Gentleman, o retorno de Guy Ritchie às histórias criminais pós-Alladin.

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A fusão Viacom + CBS, porém, tem uma política que segue um caminho oposto das concorrentes. O conglomerado de mídia quer negociar conteúdo com compradores maiores e não necessariamente acumular nada nos seus próprios serviços de streaming.

Durante uma conversa com analistas da Conferência de Mídia, Comunicação e Entretenimento do Bank of America Merryl Lynch 2019, David Nevins, diretor de criação da CBS, afirmou que eles acreditam que não devem apenas alimentar o próprio “ecossistema”, mas também oferecer conteúdo para a concorrência, principalmente se o material não for uma boa opção – financeira ou não – para CBS, Showtime, CW (sua joint venture com a Warner) ou CBS All Access. Basta ver o que eles fazem com a série do Raio Negro ou então com Star Trek: Discovery, ambos devidamente tratados como “séries originais” do Netflix fora dos EUA.

“Nossa vantagem é que somos uma empresa de conteúdo puro. Não estamos tentando conduzir os negócios de telefonia, hardware ou varejo. Nosso jogo é maximizar o valor e a receita que podemos gerar com nosso conteúdo, seja em nossas plataformas ou em outras”, afirmou Nevins. No caso da ViacomCBS, não ter grandes pretensões em algo além da produção de conteúdo é uma vantagem.

Seguindo esse pensamento, a ViacomCBS poderá oferecer conteúdos para a concorrência que já estejam ligados à histórias bem sucedidas, enquanto a Miramax terá um grande conglomerado interessado em capitalizar com seu catálogo, exatamente o objetivo da produtora.

Em meio à uma briga entre gigantes da comunicação engolindo seus adversários, a ViacomCBS parece ter encontrado um caminho que é garantia de sucesso. Enquanto uns ecoam seus gritos de guerra rumo ao campo adversário, outros oferecem comida para quem está em batalha. ;)