O ano em que eu descobri o futebol feminino | JUDAO.com.br

Quer dizer, eu já conhecia e até assistia… o Brasil. Mas, com essa Copa, eu percebi que o problema da modalidade é JUSTAMENTE a falta de gente exibindo e, por consequência, consumindo.

Até bem pouco tempo atrás — coisa de um mês mesmo — eu não era a pessoa mais empolgada com a Copa do Mundo das minas. Minhas antigas experiências, em especial envolvendo Olimpíadas e qualquer que fosse o campeonato que passava de madrugada na Band, não foram lá muito boas: era eu torcendo pras Brasileiras que, por sua vez, se matavam de correr pra lá e pra cá sem muita organização e, invariavelmente, perdiam.

Outros jogos que eu assistia eram recheados de bizarrices, gols fáceis, resultados LARGOS e, confesso, aqueles 13 gols que a seleção dos EUA mandou pra dentro de Taipei não ajudaram muito. “Tem de diminuir o gol, sabe” comentei em um almoço, tentando dar aquela chamada “opinião sincera”, sem qualquer tipo de preconceito. Porque, bem, me parecia uma questão de FÍSICA, mesmo: mulheres são mais baixas que homens, então que tal? Não é assim no vôlei, por exemplo?

Mas aí, até como forma de distração (e porque eu realmente gosto disso, por mim tinha evento esportivo importante 24h por dia) eu comecei a colocar os jogos numa segunda tela, ouvir mais que ver, depois olhar mais do que trabalhar e o que eu comecei a perceber é que o que falta pra mim e pra modalidade como um todo é justamente isso: pessoas assistindo.

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Futebol é um esporte, dos mais interessantes. Mas, ESPECIALMENTE futebol, também é entretenimento... E qual é a indústria do entretenimento que consegue evoluir sem público, sem dinheiro, sem, em resumo, interesse das pessoas? Sim, eu sei que na Copa do Mundo masculina, toda seleção tem pelo menos um jogador famoso. Na feminina, eu percebi, também... A gente é que não conhece. Rapinoe, a goleira do Chile, a brava guerreira holandesa de cabelo colorido... E por aí vai.

Assistir aos jogos me fez inclusive enfiar o lance de “tamanho do gol” no cu, porque o tanto que as minas pegaram nesse mundial não foi brincadeira. Até pênalti, que meu eu de um mês atrás considerava IMPOSSÍVEL de ser defendido, elas pegaram.

Eram jogos brigados, jogados de fato. A partir da segunda fase, especialmente, eles se tornaram REALMENTE bons de serem assistidos. Eram boas disputas. Emocionantes. Como um bom jogo deve ser.

Brasileiro se interessa por NBA, por NFL, tem gente que consegue gostar até de NHL. Porra, até mesmo CURLING conseguiu gerar um certo interesse por aqui, por que catzo então não o futebol feminino? Será que o problema é de quem (não) assiste, ou de quem (não) transmite? Um não assiste porque o outro não transmite e assim vamos, não?

Recordes de audiência foram batidos durante essa Copa. Não sei de números no Brasil, mas lá fora — tanto pela TV como dentro do estádio — os números impressionaram. As camisas da seleção dos EUA foram as mais vendidas da HISTÓRIA DA LOJA ONLINE DA NIKE... Seleção dos EUA que, de OITO disputas, venceu QUATRO. Sei lá, não parece coincidência, né?

Há muito o que dirigentes precisam fazer pra que a modalidade ganhe uma importância DIGNA do esporte, isso é inegável. Mas o pessoal da grana, sejam patrocinadores ou TVs, também tem um papel tão importante quanto — não foi à toa que falou-se TANTO dessa Copa, com a Globo transmitindo jogos em TV aberta pela primeira vez na história.

Até lá, porém, a gente convive com nossos times jogando quarta e domingo, quarta e domingo... Que saudade que eu tava, nossa... :P

E então que parece que NÃO vai mais ter Billie Eilish no #Lolla. Mas também parece que vai ter Billie Eilish no Brasil SIM, sozinha, em "locais grandes". https://t.co/dRXQ1s2KTW