A importantíssima obra de Roald Dahl vai virar animação no Netflix | JUDAO.com.br

Teremos uma série de adaptações dos contos INCRÍVEIS do autor inglês. E fique tranquilo: a gente te explica porque você deveria estar animado!

A gente sabe: produção audiovisual infantil é algo DIFÍCIL de fazer. Até o Julio do Cocoricófalou isso pra gente. Educar, ensinar, divertir e comunicar para crianças é uma tarefa complicada e que, muitas vezes, acaba se transformando em desenhos bobos que, apesar de hipnotizantes, são produzidos sem muito capricho.

Mas o Netflix resolveu fazer um movimento pra tentar aumentar o time das coisas boas e adquiriu os direitos das suas histórias de Roald Dahl pra uma série de séries animadas! “Hum. Tá, mas quem é esse cara?”.

Sabe A Fantástica Fábrica de Chocolates? Matilda? James e o Pêssego Gigante? O Bom Gigante Amigo? Todos foram escritos por ele. Roald Dahl é um autor inglês de literatura infanto-juvenil que é aclamado, mas meio controverso. O cara teve uma infância conturbada: nascido em 1916, na Inglaterra, ele tinha só 3 anos quando sua irmã mais velha e seu pai faleceram por complicações vindas de doenças simples.

Ele foi uma criança meio TRAVESSA, que pregava peças e chegou a esconder um rato morto num jarro de quebra-queixos pra se vingar da dona de uma loja de doces que era mal-encarada. Ao ser descoberto, ele e seus colegas levaram golpes de bengala em público como punição. A tal dona da loja achou pouco e exigiu uma segunda rodada de agressões, que rolaram em seguida. Ele conta tudo isso no livro autobiográfico Boy.

Pois é, era assim que se “deixava as crianças mais obedientes” nos anos 20. :(

O escritor acabou em dois internatos até o final de sua vida escolar, onde continuou sendo agredido e vendo seus amigos sofrerem também. Em cartas que enviava pra mãe, Roald costumava fingir que estava tudo bem e só foi revelar os horrores que viveu muitos anos depois.

Por essas e outras passagens de sua história – ele também fez parte da aeronáutica na Segunda Guerra Mundial, veja você -, Dahl tem um estilo de escrita marcante: crianças brilhantes geralmente são maltratadas por adultos, os grandes vilões de sua obra. Existe nelas um tom melancólico, meio sombrio e até pouco sentimental, sempre com um final surpreendente.

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Pra ajudar a explicar mais sobre a COISA que é Roald, falamos com a jornalista, professora e especialista em literatura infantil Cristiane Rogerio. Ela destacou justamente essa ausência dos princípios SUPER tradicionais nas suas histórias: “Tem até um tom moralista em certos lugares, como n’A Fantástica Fábrica de Chocolates que premia o garoto bonzinho, mas ele não deixa de tirar sarro de outras crianças”, conta. “Ele preserva o nonsense e um humor inglês”.

Além disso, Cris também aponta que a chegada de uma obra como a dele no Netflix pode gerar uma discussão interessante nesse momento de MEGA conservadorismo cultural: “Tem escola que não adota Dahl de jeito nenhum! Em O Remédio Maravilhoso de Jorge, por exemplo, o protagonista odeia a avó e quer matá-la. O que será que a patrulha do comportamento vai falar?”.

No final de tudo, ela frisa que conhecer e respeitar a obra desse escritor é bem importante: “Ele é um bom desafio. E é um autor divertido! Eu e minha filha amamos ficar lendo e imaginando essas histórias, personagens, até os nomes de capítulos são surpreendentes. Pra Roald Dahl, o leitor pode tudo”, completou.

Dahl nunca quis excluir a tristeza e a solidão de suas histórias, mas sim superá-las. E isso apareceu em alguns dos filmes mais conhecidos que adaptam suas obras: é só lembrar de como Willy Wonka pode ser um personagem dúbio ou da maldade dos adultos que cercavam Matilda.

A lista de obras envolvidas nessa produção Netflix é MUITO animadora: A Fantástica Fábrica de Chocolates, Charlie e o Grande Elevador de Vidro, Matilda, O Bom Gigante Amigo, O Fantástico Sr. Raposo, O Dedo Mágico, Os Pestes, O Remédio Maravilhoso de Jorge, A Girafa, O Pelicano e Eu, O Crocodilo Enorme, Os Minpins, Esio Trot, A Incrível História de Henry Sugar, Boy – Tales of Childhood, Going Solo, Dirty Beasts e Rhyme Stew.

Veremos os contos e suas expansões com a “mais alta qualidade visual”, além de uma prometida fidelidade ao clima do universo criado por ele. Tudo começa a ser feito já em 2019, mas sem previsão de estreia (como sempre quando falamos de Netflix, né).

Apresentar o mundo pros pequenos não deve ser algo alienante. Sentimentos ruins e situações bem pouco ideais são coisas comuns e que crianças MERECEM conhecer e aprender a lidar. As crianças merecem o Roald Dahl. E nós também, sempre. <3