A oportunidade perdida de Jurassic World III | JUDAO.com.br

Colin Trevorrow, diretor e roteirista da franquia, afirmou que não vê o que todo mundo espera que vá acontecer acontecendo.

Por que é que alguém em pleno uso de suas faculdades mentais decide assistir a um filme como Jurassic World é algo que eu sinceramente não consigo entender — seja porque não estou utilizando plenamente minha universidade cerebral, o que é possível, seja porque, bem... Eu desenvolvi um certo gosto por filmes e coisas como Jurassic World não conseguem passar por esse filtro.

Seja como for, é inegável o apelo que monstros gigantes despedaçando seres humanos incautos tem, desde o início dos tempos. Alguns com uma consciência social mais bem definida, outros pela simples possibilidade de fazer mais e maior... Exatamente como Jurassic World. Os dois filmes tem seus grandes — e coincidentemente únicos memoráveis — momentos quando o bicho começa a pegar (literalmente).

Sim, mesmo o salto da Bryce Dallas Howard não seria notado e viraria piada se monstros gigantes não estivessem completamente loucos do cu.

O final de Jurassic World: Reino Ameaçado, pra quem gosta desse tipo de coisa e, confesso, até pra mim, deixou bem claro que os monstros estão soltos no continente, perto da civilização. É uma oportunidade D’OURO de botar aquelas aberrações pra destruir o Empire State, a Golden Gate Bridge e demais alvenarias criadas pelo homem que vivem sendo postas abaixo, um filme apocalíptico por vez.

Uma oportunidade devidamente jogada no lixo, porém.

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“Eu simplesmente não faço ideia do que motivaria dinossauros a aterrorizarem uma cidade. Eles não podem se organizar”, afirmou Colin Trevorrow, o diretor e roteirista da franquia, em entrevista ao site Jurassic Outpost sobre os planos para o já confirmado Jurassic World III. “Nesse exato momento nós temos predadores letais em áreas selvagens ao redor de cidades em todo o mundo. Eles não se juntam e vão caçar humanos em áreas urbanas. (...) Nós caçamos animais, os traficamos, os criamos, invadimos seus territórios e pagamos o preço, mas não vamos à guerra com eles. Se esse fosse o caso, nós teríamos perdido a guerra há muito tempo”, continou. “O mundo que me empolga é um em que é possível um dinossauro correr na frente do seu carro numa estrada, ou invadir seu quintal procurando por comida. Um mundo onde a interação com dinossauros é rara, mas possível — da mesma maneira que nós tomamos cuidado com ursos ou tubarões”.

Tá, ok, Trevorrow tem razão. Planeta dos Macacos tá por aí pra não deixar ninguém se esquecer do que é que aconteceria se essa guerra acontecesse, se os bichos se unissem e se organizassem contra os humanos. Mas eles criaram aquele Indominus Rex que tem uma inteligência ridícula e meio que, sozinho, destruiu o parque. Não é como se isso, nesse universo, não fosse possível, não é?

O que parece, porém, é que ENFIM a franquia pode se aproximar mais das ideias de Michael Crichton, levadas para as telonas por Steven Spielberg. Se esse lance de comparar os monstros que estão por aí agora com ursos e tubarões for o que eu imagino que seja, teríamos um filme muito mais realista e, olha só, até mesmo socialmente consciente... e eu não acredito que terminei isso aqui QUERENDO assistir Jurassic World III.

Homenzinho inteligente, esse Colin Trevorrow. Fez esses dois absurdos, preencheu as entranhas da Universal de dinheiro e agora vai fazer um filme bom de verdade. “One taught me love, one taught me patience, one taught me pain”. Gosto.