Transformers 4: A Era da Extinção: por que Michael Bay continua fazendo esses filmes? | JUDAO.com.br

Apenas e tão somente dinheiro? Ou tem uma boa dose de egocentrismo nesta história?

RIO DE JANEIRO ~ Robôs gigantes são legais por definição (pelo menos no mundo na ficção, já que eu sujo minhas calças só de pensar na existência deles, mas isso é discussão pra outro momento). Robôs gigantes que se transformam em qualquer coisa, então, são um sinal de que existe algum tipo de DIVINDADE olhando por nós. Robôs muito gigantes que se transformam em dinossauros-robôs são o tipo de coisa que forma caráter, que acaba ou inicia casamentos, que separa homens de meninos, que define um bom ser humano.

Mas chega um momento em que é preciso perguntar... Por que catzo Michael Bay continua fazendo esses filmes?

“Gostamos do sucesso”, resumiu Lorenzo Di Bonaventura, produtor do filme, durante a coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, realizada nesta quinta-feira (17). “E sempre queremos algo novo, seja em relação aos personagens e história, seja em relação à tecnologia”.

“James Cameron me ligou e perguntou como é fazer uma seqüência, se é mais fácil...”, contou Michael Bay. “‘Muito mais difícil’, eu respondi. Porque vai aumentando a tecnologia e você quer sempre se superar e sempre se desafia a isso”.

James Cameron, porém, está em outro patamar. O cara faz Titanic, ele faz Avatar e MUDA a maneira de se enxergar e fazer cinema. Não se preocupa em desenvolver uma boa história (ainda que não cague completamente pra ela) e vai direto ao ponto. É um inventor, é um cara de quem o mundo do entretenimento precisa pra continuar evoluindo, goste você ou não do resultado, seja você ou não um saudosista que acha cinema precisa ser feito em película, salas precisam desses tipos de projetores e a porra toda.

Michael Bay, por sua vez, faz quase que tudo ao contrário. Ou pelo menos tenta: tenta desenvolver uma boa história (falhando miseravelmente), tenta fazer algum tipo de arte com suas tomadas alaranjadas e com sol se pondo (bonitas, sim, mas parece que o filme foi gravado durante 15mins em que o sol estava na posição exata em qualquer lugar do mundo), tenta criar uma assinatura filmando todo mundo de baixo e, em relação à tecnologia, embora não invente e mude as coisas, faz “de tudo para que as crianças desgrudem do iPad e assistam a filmes no cinema”, E isso é inegável: hoje em dia há muito mais filme que vale mais a pena ser assistido em Blu-ray do que no cinema — ao contrário de, por exemplo, Avatar de Cameron e os seus Transformers.

Mas a questão é que Michael Bay é extremamente egocêntrico.

Não bastasse a exigência de fãs e salas lotadas na première que aconteceu na noite do dia 16, ele ficou extremamente incomodado com uma senhora que falava sem parar enquanto ele respondia à primeira pergunta da coletiva, interrompendo e questionando a atitude dela. “Eu estou apenas traduzindo”, disse, bastante sem graça, a tradutora, que recebeu os pedidos de desculpas do diretor. “Eu não sei o que aconteceria com esses filmes se por acaso eu morresse”, respondeu o diretor a uma outra pergunta — inicialmente brincando, mas depois assumindo que, realmente, isso é uma possibilidade.

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“Gostamos do sucesso”, diz Lorenzo Di Bonaventura

Mas então estamos diante de uma nova trilogia envolvendo os Transformers por puro egocentrismo? Sim. E não.

Na época de O Lado Escuro da Lua, Josh Duhammel disse, em entrevista ao JUDÃO, que Michael Bay faz esses filmes porque “money talks”. Mas há também muito orgulho envolvido — depois da chuva de críticas que recebeu por A Vingança dos Derrotados, apesar de dizer que tava bom de Transformers pra ele, foi lá e fez o terceiro só pra conseguir dar a volta por cima (e conseguiu). Do terceiro pro quarto filme, porém, Josh Duhammel parece estar certo.

Lorenzo Di Bonaventura disse que, além da questão de personagens e tecnologias novas, “gostamos de sucesso”, e é por isso que continuam produzindo filmes da franquia. Mas Michael Bay foi além, mostrando que aprendeu direitinho com George Lucas. “Eu arrisquei minha carreira por essa franquia. A Paramount não acreditava. E agora eles têm de me pagar”. Segundo o diretor, não há cachê ou salário pelos filmes. No começo foi feito um acordo, de algum tipo de porcentagem das bilheterias ou algo assim, e, bem: mal completou duas semanas em cartaz e o filme já beira o US$ 1 Bilhão. ;D

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Michael Bay é só sorrisos...dá para adivinhar o motivo? :D

Transformers 4: A Era da Extinção não é o pior filme do universo, como muita gente tem dito por aí. Como um fã de robôs gigantes e dinossauros, sempre acho divertido ver tudo isso na telona, em 3D (nativo e muito melhor em relação ao outro filme, diga-se), som alto e essa coisa toda — o que explica o sucesso, apesar de tudo o que falam. Imunidade total. O problema é que é muito (muito [muito {MUITO}]) longo e sofre com as principais deficiências do diretor.

Por exemplo, há um momento em que o filme acaba. A história é resolvida, “vamos continuar no próximo”. Mas não. Há pelo menos mais uma hora em que a história dá uma volta ao mundo pra ir se passar na China, sem uma necessidade aparente, mas muito bem definida (e que ajuda a explicar o porquê de Bay continuar nessa brincadeira): a abertura do mercado por lá.

Com poucos filmes “de fora” podendo ser exibidos anualmente, estúdios e diretores colocam o país na tela pra tentar abrir os olhos do pessoal por lá (desculpem o trocadilho, totalmente sem intenção). A Era da Extinção é um desses casos. E o resultado das bilheterias tem deixado isso mais do que claro.

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O mocinho que não é mais um perdedor e a gata que, bem, não é a Megan Fox

Ajudando na imagem de que, enfim, Michael Bay só faz Transformers pelo dinheiro e nada mais (o que eu não consigo achar errado, mas não compreendo), o diretor afirmou que um dos trabalhos desse filme foi preparar o terreno pro futuro. Nova tecnologia de filmagem 3D, novo elenco, novo rumo pra história, que agora tem a “gostosona” como uma loirinha-magrinha que em nada lembra o IMPACTO de Megan Fox ou mesmo de Rosie Huntington-Whiteley, o moleque não mais sendo o looser completo que tem o troféu MF pra levantar e um pai que salva o mundo, não mais ficando em casa cuidando dos poodles enquanto discute com a mãe.

Michael Bay não quer perder o leitinho das crianças no final de cada mês. Mesmo que não seja mais o diretor dos próximos filmes da franquia. “Eu tô cansado. Eu literalmente acabei de terminar o filme, com medo de não ficar pronto a tempo pra ser lançado na China, na Rússia. Não pensei nisso”, despistou o diretor.

Mas, baseado no que conhecemos da história dele, vai depender da bilheteria desse filme e de encontrar alguém em que ELE confie e que vá conseguir fazer o filme que ELE faria.

A primeira parte tá resolvida. E agora?