Warner Bros. usará inteligência artificial para entregar o que (ela acha que) o público quer ver | JUDAO.com.br

A Warner deixou claro que humanos ainda serão responsáveis pelas decisões finais, MAAAAS…

O cinema já explorou uma quantidade considerável de histórias sobre diferentes inteligências artificiais. Mas, até o momento, nenhuma destas produções chegou a imaginar um filme inteiramente organizado por uma IA — S1m0ne foi o que mais se aproximou, sendo uma atriz que fazia filmes dentro do próprio filme. Esta, porém, pode ser uma história da vida real, porque essa é a proposta da Cinelytic, uma empresa que promete conseguir as melhores combinações para um filme se tornar um sucesso através de Inteligência Artificial.

A possibilidade de ter um sucesso GARANTIDO em mãos obviamente atraiu a atenção de Hollywood e empresas como Ingenious Media e STX Entertainment assinaram contratos com a Cinelytic. Agora, é a vez da Warner Bros. declarar publicamente que contratou os serviços da empresa para utilizar o seu abrangente banco de dados e a análise “profetizadora” para orientar a tomada de decisão dos executivos do estúdio no estágio de sinal verde das produções.

A Warner, no entanto, deixou claro que humanos ainda serão responsáveis por estas decisões e que a inteligência artificial será encarregada de apenas processar a enorme quantidade de dados do público para prever quais filmes serão bem-sucedidos com base em arrecadação e, claro, talentos utilizados. O estúdio afirma ainda que a ideia é eliminar tarefas repetitivas para os humanos e fornecer a eles melhores variáveis em dólares para diferentes setores, como elenco, escolhas de marketing e distribuição, incluindo até mesmo as melhores opções para datas de lançamento.

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Segundo Tobias Queisser, fundador e CEO da Cinelytic, em entrevista ao THR, o sistema pode dar rapidamente respostas que um humano demoraria muito tempo para oferecer. “O sistema pode calcular em segundos o que costumava levar dias para ser avaliado por um ser humano quando se trata de avaliação geral de pacotes de filmes ou do valor de uma empresa”, afirmou. Para a Warner, é extremamente importante ter dados mais precisos sobre o interesse do público após fracassos consideráveis em 2019, como os filmes Godzilla II: O Rei dos Monstros e Rainhas do Crime, por exemplo.

Com um banco de dados que analisa históricos das performances de filmes ao longo dos anos, a inteligência artificial cruza informações sobre temas e nomes-chave, a partir de algoritmos que extraem padrões ocultos presentes nesses dados. Esse sistema pode ser vantajoso para o estúdio avaliar com rapidez filmes e projetos presentes em festivais de cinema.

Entretanto, dificilmente máquinas conseguem captar aspectos criativos sem repetir padrões, modificando apenas um ou outro elemento. Dados podem apenas dizer o que os dados podem captar, mas eles não são capazes de contar a história por trás dos números, revelar a forma como um filme saiu do papel. Por mais bem desenvolvida que uma inteligência artificial seja, ela não pode falar sobre as escolhas criativas que um produtor fez durante o processo de desenvolvimento do filme, principalmente quando o assunto é resolver pepinos – e, acredite, eles inegavelmente aparecem.

A própria Warner arriscou muito ao fazer o primeiro filme do Batman em 1989 depois que o personagem se tornou tão estigmatizado com a série homônima de 1966, por exemplo. E, certamente, nenhum banco de dados daria conclusões positivas sobre a história de um pequeno período da vida de uma empregada doméstica mexicana nos anos de 1970. Em preto e branco. E falado em espanhol.

Sem dar às máquinas o poder de decisão na escolha de estúdios fazerem ou não um filme, a plataforma pode ser útil para facilitar o trabalho de profissionais que precisam analisar dados de consumo do público. Entretanto, se a inteligência artificial se tornar um fator determinante na produção de uma história, o cinema perde o seu ponto mais importante: a humanidade.

E aí, a Skynet vai ter vencido MESMO.