O legado de Rocky Balboa continua em Creed: Nascido para Lutar | Judão

Não é apenas uma luta, não é apenas uma troca de socos. É uma história de superação que vai ganhar uma continuação – ou, no caso, uma amarração. Aproveite pra conferir vários pôsteres do filme com EXCLUSIVIDADE!

Eu não gosto de boxe. Nem de boxe, nem de MMA. Meu lance sempre foram artes marciais como o kung fu ou então PRO WRESTLING. Tenho respeito por quem pratica boxe, porém, mas não tenho mesmo paciência para assistir. Mesmo assim, sou fanático pelos filmes do Rocky Balboa. Com a história de superação, com o carisma do homem comum que se levanta a cada porrada, seja ela literal ou metafórica. O segredo dos filmes do Rocky não é a luta, não são os socos, não é o ringue. É a força do personagem.

Eu chorei, de verdade, de soluçar, com o final do sexto filme, Rocky Balboa (2006). Quando AQUELA música toca e o Garanhão Italiano, agora um senhor, sobe no ringue, caralho, aquilo mexeu comigo de verdade. E lá fui assistir novamente todos os outros filmes anteriores. E ao final desta maratona, eu simplesmente não conseguia imaginar Stallone voltando ao personagem. Aquele encerramento, aquela história sobre o amadurecimento, sobre envelhecer com dignidade, era a amarração ideal, perfeita.

Até que o diretor Ryan Coogler apareceu com este Creed: Nascido Para Lutar. “Que forçada de barra”, pensei de imediato. “Será que o Stallone tá precisando tanto de dinheiro assim?”. Um spin-off de Rocky, agora com o filho de seu amigo e eterno adversário Apollo, o DOUTRINADOR (Carl Weathers), querendo lutar como o pai... Me cheirava mal. Até que eu assisti aos trailers. E maluco, eu não apenas subi no trem do hype, como coloquei a cabeça pra fora da janela e saí gritando como o Animal, dos Muppets. Me emocionou. Me arrepiou. E me fez entender que esta seria a única forma de retratar Rocky como treinador, fazê-lo dar a volta e assumir o papel que outrora foi de Mickey (Burgess Meredith). De um jeito que funciona muito melhor do que a tentativa frustrada de Rocky V, com o rebelde Tommy “Machine Gun” Gunn.

“Meu pai era um grande fã do Rocky”, conta Coogler, em entrevista ao EW, ao revelar que seus primeiros rascunhos sobre a história do filme surgiram ainda na escola de cinema, como uma tentativa de se conectar com o velho. “Conforme ele foi envelhecendo e ficando doente, eu fui tentando processar isso. E resolvi seguir em frente com esta ideia sobre o seu herói”.

Creed: Nascido Para Lutar, o primeiro filme da franquia que não tem Stallone como roteirista (aqui, ele assina apenas como produtor), conta a história de Adonis Johnson Creed (Michael B.Jordan, o Tocha Humana DAQUELE filme do Quarteto Fantástico), que cresceu sem jamais conhecer seu pai, Apollo, campeão mundial dos pesos-pesados. Passando por diversos lares adotivos e inclusive pela detenção juvenil, ele resolve canalizar a força e a habilidade que parece ter herdado do pai, abraçando de vez seu legado. De Los Angeles, parte para a Filadélfia, onde começa a treinar no Mighty Mick’s Gym, ginásio batizado em homenagem ao homem que treinou Rocky Balboa. Era óbvio que ele resolvesse procurar este cara. O lutador lendário que seu pai chamava de amigo. O cara que “vingou” sua morte no ringue, ao derrotar o gigantesco russo Ivan Drago (Dolph Lundgren). O sujeito que enfim se aposentou, para cuidar da comida italiana do seu Adrian’s Restaurant.

Antes de começar a trabalhar na produção de Fruitvale Station: A Última Parada (2013), também estrelado por Jordan, Coogler teve a chance de levar a ideia para a APRECIAÇÃO do próprio Stallone, que ficou inicialmente bem hesitante. “Ele estava apreensivo, claro, porque Rocky é uma coisa muito importante para ele. Mas depois que Fruitvale saiu, foi Stallone quem apareceu pra procurar Coogler, agora mais do que convencido do talento do diretor, concordando em assumir mais uma vez o icônico papel. “Eu, na verdade, era totalmente contra”, confessa Stallone, em papo com o LA Times. “Mas eu nunca vi o personagem sendo levado para este lado. Finalmente, meu agente me disse: para um cara que interpretou o Rocky, você é meio bundão, né?”, diz ele, rindo.

Creed

Pra viver Adonis, Jordan treinou durante 11 meses, incluindo nos intervalos de suas gravações como Johnny Storm, contando com o apoio de lutadores reais como Andre Ward e Gabriel Rosado. O diretor, no entanto, acabou não conseguindo fazer uso de um dos recursos mais comuns dos filmes originais de Rocky: utilizar cenas da preparação verdadeira do ator para mostrar o treinamento do personagem no filme. “Talvez fosse mesmo mais fácil se o meu tempo de treinamento pudesse ser resumido em uma montagem”, sacaneia ele. “Se eu me machuquei?”, responde ele ao Yahoo, durante uma cerimônia especial realizada, é claro, naquelas lendárias escadarias do Philadelphia Museum of Art que todo fã conhece muito bem. “Eu levei uns socos de verdade, claro. Obrigado ao Sly por aquele em especial”, afirmou Jordan, com um sorrisinho, para a sua co-estrela. “Você sabe que mereceu”, devolveu o eterno Balboa, afiado.

“Agora eu tenho a mesma idade que Burgess Meredith tinha no primeiro Rocky. Não é estranho?”, avalia Stallone, aos 69 anos. “Agora eu sou o cara que bate na porta e diz ‘e aí, garoto?’. É um sentimento inacreditável. Estou muito orgulhoso disso”. O próprio Rocky, no entanto, vai ter que encarar a sua própria luta pessoal neste filme – no caso, contra a própria mortalidade. Sim, Rocky Balboa sofre de um tipo ainda desconhecido de câncer.

“Rocky é a única coisa que fiz certo na vida”, diz Stallone. “Na verdade, eu diria que minha vida é formada por cerca de 96% de fracassos, mas se eu pegar aqueles 4% de acertos, é tudo que se precisa”. Ao longo de sua carreira, ele esteve em cerca de 60 filmes, alguns sucessos absolutos e outros bombas históricas. Mas o mais legal é que Stallone não tem problema nenhum em admitir que vai continuar sendo lembrado muito mais pelo Rocky e pelo Rambo, por mais que tenha lutado contra isso durante um tempo. Agora, ele enxerga como uma benção. “Tem certas carreiras que eu invejo – como Tom Hanks e seus trabalhos maravilhosos – e é preciso dar os parabéns pra ele. Eu queria ter tido este tipo de estalo, de ser mais ousado com a escolha dos meus papeis. Mas tudo bem. Ninguém quer ver o Bruce Springsteen cantando ópera, né?”.

Para Stallone, o Rocky permite que ele diga determinadas coisas que jamais conseguiria dizer ao viver o Rambo ou qualquer outro personagem. “Rocky sempre foi do tipo pregador. Ele está sempre falando. E é isso que Rocky é: uma espécie de lousa para mostrar o jeito que vejo a vida – ou como eu gostaria que ela fosse”. Stallone parece ter gostado tanto da experiência que afirma que tem “mais a caminho”. E completa: “Eu queria seguir este personagem até que ele se torne eventualmente um anjo”, se juntando a Adrian, Apollo, Mickey e talvez até mesmo Paulie, seu cunhado, já que Burt Young não está listado em nenhum momento na lista de integrantes do elenco (que comecem as especulações).

Creed

O prefeito da Filadélfia, Michael Nutter, teve a chance de assistir a uma apresentação especial de Creed e afirmou, que a obra deveria levar o Oscar de melhor filme. O primeiro Rocky, de 1976, levou a sua estatueta para casa e Stallone ainda chegou a ser indicado tanto a melhor ator como melhor roteiro. Mas e agora, com alguns papos de bastidores já dizendo que ele está tão bem no filme que mereceria, no mínimo, ser indicado como melhor ator coadjuvante? “Dá pra imaginar?”, tenta despistar ele. “Seria divertido, não seria?”. Para um cara sempre lembrado por suas capacidades limitadas de interpretação e pelos papéis monossilábicos, acho que sim. ;)

Creed: Nascido Para Lutar estreia nos EUA no próximo dia 25 de novembro – justamente a data em que se comemora o 40o aniversário da cena de abertura do primeiro Rocky (a primeira luta dele na telona, lembram disso?) e que, na cidade da Filadélfia, se tornou oficialmente o Creed Day. Aqui no Brasil, o filme chega apenas no dia 18 de Fevereiro de 2016.