Superbanner

Coincidência ou não, o ano passado foi o melhor para a indústria de quadrinhos dos EUA em muito, muito tempo


Conheça nosso projeto no Patreon! Precisamos de você!

Os números dos últimos meses já indicavam que os quadrinhos mensais mais tradicionais, aqueles impressos que são vendidos em comic shops e que tem (normalmente) 32 páginas, estão vivendo a sua melhor fase em muito, MUITO tempo. E, fechados os números gerais do mercado direto de HQs dos EUA, dá pra cravar: 2015 foi um ano sensacional, de várias maneiras.

De acordo com o ComiChron, que usa como base as informações divulgadas pela distribuidora Diamond, as comic shops norte-americanas encomendaram das editoras gibis que somaram um total de US$ 579 milhões. Ou seja, considerando apenas as vendas nos comic shops físicos e um ou outro meio de distribuição que passa pela Diamond, e excluindo vendas digitais, livrarias tradicionais, e-commerces, exportação, a venda em supermercados e coisas assim.

LEIA TAMBÉM! Afinal, como funciona o mercado de gibis nos EUA?

“Ah, Star Wars: O Despertar da Força já passou dos US$ 800 milhões de faturamento só nos EUA, pffff”. Bom, não misture uma coisa com a outra: um filme é muito mais custoso pra ser produzido, há mais gente pra dividir o bolo da grana e tudo mais. Pra quadrinhos, a comparação é diferente. O volume de dinheiro arrecadado no ano passado foi 7,7% maior que o de 2014 – que já tinha o maior em 20 anos. Se os outros canais de venda de HQs físicas (ou seja, e-commerces, livrarias e por aí vai) acompanharem esse crescimento, o mercado como um todo deve ficar bem próximo do US$ 1 bilhão. WOW

Sim, a última vez que quadrinhos venderam tanto assim foi em 1993, quando a DC publicava O Retorno do Superman e A Queda do Morcego, enquanto a Marvel tinha o crossover Atrações Fatais (aquele no qual o Wolverine perdeu o adamantium). Naquele ano, a venda de TOTAL de HQs (em comic shops, bancas e livrarias) movimentou algo entre US$ 800 e 850 milhões. Em 1995, esse número já tinha caído pra algo entre US$ 600 e 650 milhões e, depois, rolou uma queda livre – tanto é que a Marvel se viu obrigada a pedir concordata logo depois.

Não se vendem tantas HQs desde essa época!

Não se vendem tantas HQs desde essa época!

Ok, você pode considerar uma coisinha chamada INFLAÇÃO nessa história toda. Levando isso em conta, os números gerais de 2015 são quase os mesmos de 1995, que ficariam por volta de US$ 1 bilhão com a atualização monetária. Lembrando que, nos tempos atuais, tem ainda todo o mercado de HQs digitais, que em 2014 ficou por volta de US$ 100 milhões e que deve crescer até mais que o impresso, já que atende o MUNDO INTEIRO.

Agora, como podemos estar vivendo essa BONANZA, apesar da crise ™? Há algumas justificativas.

Pra começar, as grandes editoras (principalmente a Marvel) pararam de olhar apenas para o público tradicional de quadrinhos (aka homens brancos entre 25 e 40 anos). O resultado fica claro na lista das dez revistas mensais mais vendidas no ano, afinal são nada menos que quatro as estrelas por mulheres: Orphan Black #1, Dark Knight III: Master Race #1 (sim, É uma mulher estrelando), Spider-Gwen #1 e Princess Leia #1.

Desses quatro, dois já entraram pra lista dos 10 gibis mais vendidos no SÉCULO XXI: Orphan Black e Dark Knight III. No total, 2015 colocou SEIS revistas nessa listinha. Não é pouca coisa.

Outro fenômeno que ajudou bastante é Star Wars. O retorno da saga espacial para a Casa das Ideias e a instituição de um novo universo integrado fez com que as vendas explodissem. Star Wars #1 passou do UM MILHÃO de exemplares, numa renda estimada de quase 5 milhões de Obamas. Além disso, Tauó ainda emplacou Star Wars: Vader Down #1 e a já citada Princess Leia #1 na lista dos dez mais.

Orphan Black #1Outra coisa que ajudou bastante foi o Loot Crate – mais uma daquelas caixas que as pessoas recebem via assinatura mensal, que, nesse caso, inclui quadrinhos distribuídos pela Diamond. Foi isso que também turbinou o resultado de Orphan Black #1.

No âmbito dos super-heróis, que representam o maior volume de títulos, a Marvel promoveu um bem-sucedido (em vendas) crossover, chamado Secret Wars, além de relançar diversos títulos a partir do número 1. Ao mesmo tempo, a DC tentou fazer um relaunch chamado DC You, mas os novos status quo não ajudaram, nem zeraram a numeração das revistas. A diferença nas estratégias ficou clara no market share: a Casa das Ideias fechou com 38% dos dólares gastos, contra 25% da Distinta Concorrência. No ano passado, essa proporção tinha ficado em 34% contra 28%. NA PRÁTICA, a DC vendeu um pouco menos no último ano, apesar das outras editoras terem crescido.

Enquanto isso, o mercado de encadernados nas comic shops teve uma ligeira queda, de 3% — depois de um aumento de 18% no ano passado. E poderia ter sido pior se não fosse por Saga, que colocou quatro encadernados entre os 10 mais vendidos. Ou seja: esse crescimento do último ano foi mesmo por conta das tradicionais revistinhas.

Resta saber, agora, se os bons resultados vão se manter em 2016. Por um lado, será difícil: a Marvel deu um reset na sua linha de quadrinhos nos dois últimos anos e pode ser que repetir a estratégia por uma terceira vez num período tão curta talvez não conquiste os mesmos resultados. A tendência também é que, agora que O Despertar da Força estreou, as vendas de Star Wars deem uma caída.

Por outro, este ano pode trazer algumas surpresas. Tudo que saiu de Star Wars e Secret Wars no ano passado vão ganhar versões encadernadas, o que deve dar uma levantada nessa parte do mercado, e já tão falando que a DC poderia promover um novo relançamento em maio, quando as revistas mais antigas vão ter chegado ao número 52 – incluindo aí títulos bem diferentes para as publicações, indo além do simples “New” pra mostrar que é um novo volume. Também vai ter a estreia de Batman vs. Superman: A Origem da Justiça, que não só deve trazer novos leitores como também pode influenciar algumas das decisões editoriais dos caras.

Ainda faltam outros números pra serem divulgados, mas, no geral, dá pra dizer que 2015 foi mágico pras HQs nos EUA. Que 2016 seja ainda melhor, então. ;)

Acompanhe as principais notícias da cultura pop em tempo real!
Siga o @JUDAONews no twitter!
quero mais!
push({flush: true});