Esquadrão Suicida: difícil fazer um filme bom com tanto problema

Surgem informações sobre os problemas de bastidores de Esquadrão Suicida que irritaram tanto a Warner quanto o diretor David Ayer, além de toda uma galera que tem assistido ao filme

Esquadrão Suicida tá mais longe de ser um bom filme do que do desastre que tanta gente tem apontado. Mas, em sua maioria, são reações bem embasadas que colocam o filme dos piores heróis do mundo exatamente ao lado de Batman VS. Superman no Rotten Tomatoes, ambos com 27% do TOMATÔMETRO no momento da publicação desta matéria.

São reações bem razoáveis, também, especialmente se você levar em consideração a aparentemente PUTARIA que foram os bastidores do filme, o que colocaria a produção mais ao lado de Quarteto Fantástico, na prateleira de “Filmes Errados”. “Filme Ruim” é outra coisa (e muito pior).

“Produção apressada, vários cortes concorrentes e alta ansiedade” resume o Hollywood Reporter em reportagem sobre o “drama secreto” de Esquadrão Suicida. Começou no fim de 2014, quando Esquadrão Suicida foi anunciado. “David Ayer escreveu o roteiro em tipo seis semanas e partiram pra gravação”, afirmou uma fonte ligada à produção, alegando que se tivessem tido mais tempo, as coisas poderiam ser diferentes — só que mudar a data de estreia não era uma opção. “Não é só que você disse pro público que o filme vai sair, você faz vários acordos em todo o mundo, com parceiros de marketing. É um negócio muito complicado mover uma data como essa”.

Aqui mora o primeiro grande problema da Warner quando o assunto são os DC Filmes: o anúncio de Esquadrão Suicida e todos os outros filmes desse Universo, que chegam até 2020, foi feito durante uma apresentação a investidores, deixando claro o principal objetivo da empresa: os frios números.

Sabe aquele time de futebol que prefere enfiar a faca no preço dos ingressos a ver o estádio cheio? É mais ou menos esse o raciocínio.

Duas versões do filme foram testadas: A do diretor, mais séria, e a do estúdio, com os personagens sendo introduzidos no começo e um monte de gráficos coloridos e brilhantes. Adivinha qual acabou sendo escolhida?

Nessa onda, e preocupados com o resultado de Batman VS. Superman, os executivos da Warner resolveram pedir ajuda à Trailer Park, empresa que criou aquele primeiro trailer, enquanto David Ayer seguia fazendo seu trabalho. Assim sendo, diversos editores acabaram passeando com sua tesoura pelo filme (sem os devidos créditos), fugindo completamente da ideia de apenas um editor e um assistente, o que no mínimo traria mais foco ao trabalho.

Novamente usando o futebol como exemplo: sabe o time que fica trocando de técnico o tempo todo e nunca dá em nada, em relação ao que troca pouco e que, por mais que demore, se dá bem de alguma maneira?

Em Maio desse ano, as duas versões acabaram sendo testadas. A do diretor, mais séria, e a do estúdio, com os personagens sendo introduzidos no começo e um monte de gráficos coloridos e brilhantes. Se você assistiu à Esquadrão Suicida, sabe exatamente qual ganhou — e também deve ter percebido que, enquanto a introdução no início foi uma IDEIA boa, os gráficos coloridos não combinaram em nada com o filme, mas sim com os trailers e toda a campanha de marketing.

David Ayer e Margot Robbie

David Ayer e Margot Robbie

Nesse meio tempo, David Ayer começou a não só sentir a batata assando, como se irritar pra caralho com tudo o que tava rolando. “Ele tava sob muita — muita — pressão”, disse uma fonte, afirmando que o problema do tom do filme envolveu “muito pânico e ego, ao invés de uma conversa calma”. Pra você ter uma ideia, seu próximo projeto, Bright, acabou sendo descartado pela Warner no meio da história (mas já foi devidamente comprado pelo Netflix).

Em entrevista ao Collider, Ayer afirmou que o que se vê nos cinemas é a versão dele. “Temos uns 10mins de cenas deletas. Mas esse corte do filme é meu, não existe uma versão do filme num universo paralelo”, disse.

Muito provavelmente esses 10mins são de Coringa... :P

Se parar pra pensar em tudo o que tá sendo dito, de todos os lados, faz sentido Esquadrão Suicida estar longe de ser bom, mas sem chegar a ser um desastre. Aparentemente, o que David Ayer conseguiu colocar no filme, sem nenhuma influência, é JUSTAMENTE o que funciona, o que nos diz bastante sobre o que a Warner pode estar fazendo com esse Universo.

Tá na hora de parar, respirar e torcer para que o trampo de Geoff Johns dê certo — e que a Mulher-Maravilha seja não só o filme que a gente precisa, mas também o que queremos há tanto tempo.