Deadpool é o filme que o Deadpool merece e os fãs queriam :D | Judão

Ryan Reynolds tanto fez que conseguiu… ;D

Deadpool é exatamente o filme que você queria. Piadas dos mais diversos níveis de qualidade, violência gráfica sem nenhum tipo de preocupação, a AUTOCONSCIÊNCIA do personagem, quebra de quarta-parede... Tá tudo lá.

Diria até que, pra muitos, isso já basta.

Deadpool é, também, o filme que o personagem merecia. Não há concessões: o que você conhece do MERCENÁRIO TAGARELA dos quadrinhos é o que você vê na tela — começando pelo fato de que, bom, ele mata pessoas por dinheiro e não cala a boca nem por um segundo, sabe que é um personagem de história em quadrinhos que conseguiu estrelar seu próprio filme e não tem apreço nenhum por qualquer parte do seu corpo.

Se, pronto, agora sim isso era o que você precisava pra sair correndo pra fila do cinema, não há nada te segurando, seja feliz! Você inclusive pode declarar que este é o melhor filme do mundo só com os créditos iniciais, ao som de Angel of The Morning, na versão original de Juice Newton, que resume tudo isso sensacional, genial e brilhantemente.

Não fosse pelo personagem-título, porém, Deadpool seria só mais um genérico de super-heróis, seguindo a mesma fórmula das produções do Homem-Aranha que vimos até agora: a vida deu limões, os poderes fazem com eles o que é preciso ser feito, vêm as lutas por dinheiro, costura do uniforme, a primeira grande treta e, porra, que delicia de limonada, até que toma no cu em um certo momento, a mulher da vida do nosso herói é sequestrada e você sabe exatamente como é que termina.

Tirando o fato de que os dois primeiros atos acontecem simultaneamente, dando uma trincada na fórmula, Deadpool decepciona ao não usar a carta branca que dizem ter sido recebida pelo estúdio pra fazer o que quiser, experimentando novas possibilidades, linguagens e ideias que um diretor estreante em longas-metragens como Tim Miller deveria ter.

Só pra você ter uma noção, o grande momento do personagem no filme — quando ele fala pra caralho, faz piadas pra caralho, mata gente pra caralho — é essencialmente aquela sequência de teste que vazou em 2014 e que fez com que a Fox aceitasse fazer o filme.

Não há nada de novo em lugar nenhum.

Pra piorar, quando Wade Wilson começa a lidar com seu câncer, Deadpool fica chato, pesado e arrastado demais, ajudando na impressão de que o filme tem bem mais do que suas uma hora e quarenta de duração — além de se levar a sério, indo contra tudo o que o personagem é e o que esperavam sobre o filme. E tudo isso sem Arma X, o que não faz absolutamente nenhuma falta e poderia ajudar a complicar ainda mais esse trecho do filme.

Uma oportunidade, provavelmente única, desperdiçada de criar algo novo nesse “gênero” que tanta gente insiste em dizer que não aguenta mais e que, uma hora ou outra, vai acabar.

Ryan Reynolds e o diretor Tim Miller no set de Deadpool

Ryan Reynolds e o diretor Tim Miller no set de Deadpool

Ryan Reynolds é o Deadpool

Do mesmo jeito que é possível afirmar que Robert Downey Jr. nasceu pra interpretar Tony Stark, Ryan Reynolds é o Deadpool — o que, aliás, ajuda a explicar todo o esforço que o cara fez pra realizar o filme, MESMO depois daquilo que aconteceu naquele filme do cara que rima com “Polverine”.

Deadpool é o papel da sua vida, muito porque ele não precisa interpretar nada além dele mesmo, mas principalmente porque ele pode ir À FORRA com a sua carreira, dos bons aos maus momentos, passando, é claro, pelos vergonhosos.

Gina Carano, por sua vez, continua interpretando Gina Carano e, aparentemente, de um jeito não lá muito bom. Sua Angel Dust, assim como todas as suas outras personagens no cinema e nos ringues, é linda, fala pouco e dá porrada... Mas nada além disso.

Quem também não encaixou nessa história foi Morena Baccarin, que interpreta Vanessa Carlysle. Em uma sequência de uns 5mins das mais diferentes posições sexuais envolvendo ela e Ryan Reynolds, você não consegue enxergar nem um pingo de química; e na hora de conversar com alguém sobre o filme, vai perceber que ela não passa de um recurso caro, porém pobre, de roteiro pra que Wade Wilson tivesse algum tipo de motivação além do dinheiro pra sair cortando a galera ao meio. Personagem completamente esquecível mas que, por conta da sua CONTRAPARTE nos quadrinhos, pode acabar resultando em alguma coisa numa eventual sequência.

O grande destaque acaba sendo Brianna Hildebrand, a Negasonic Teenage Warhead, única personagem que vai conseguir ganhar sua atenção, além do Deadpool — muito por conta dele, é verdade, o que significa que esse pode ter sido o único acerto além do próprio na conta dos roteiristas. Parece que toda a química que faltou entre Mr. Pool e seu amor ficou pros dois. Por mim, tudo bem.

Deadpool

Junto com o Colossus, aliás, a pequena MÍSSIL MEGASÔNICO ADOLESCENTE é responsável direta pelo primeiro crossover do Universo Fox / Marvel. Acaba virando piada, óbvio, mas fica claro que Deadpool se passa no mesmo mundo e linha do tempo de X-Men surgido a partir de X-Men: Primeira Classe — prova, caso alguém tivesse alguma dúvida, de que aqueles outros filmes dos mutantes devem mesmo ser considerados um universo alternativo... E olhe lá. :)

Deadpool é exatamente o que você queria e esperava e, o principal, deveria ser. Nesse sentido, é do mais absoluto caralho. Você vai vai rir, vai aplaudir, eu até deixo que você solte alguns gritos no meio da sessão. Até mesmo uns comentários com quem estiver do seu lado vai dar pra fazer — até porque, acredite, vai todo mundo estar fazendo a mesma coisa.

Você vai se divertir e vai querer ver de novo e vai chegar no twitter dizendo pra todo mundo o quanto é foda. E vai, claro, dar uma pirada com a trilha sonora – que usa clássicos da música pop dos anos 1980 como Salt-n-Pepa e Wham! de um jeito inteligente e divertido. Dá pra arriscar dizer que, quase na mesma vibe do que rola em Guardiões da Galáxia, a trilha se torna uma espécie de personagem por conta própria, um show à parte.

Mas Deadpool tá longe, MUITO longe de ser “o melhor filme de super-heróis” ou “melhor filme da Marvel” ou qualquer coisa assim. Sua única surpresa está em não se arriscar e não entregar nada além do esperado, o que é extremamente frustrante e pode até acabar jogando contra tudo o que Deadpool é e poderia / deveria ser no cinema. Veremos o que acontece no futuro.

E, claro: não saia do cinema antes do fim dos créditos. :)