Alguns títulos que você pode ter deixado passar no Artist's Alley, mas ainda pode (e deve) ir atrás | JUDAO.com.br

Foram mais de 500 artistas em trocentas mesinhas — era inevitável que alguma coisa tivesse ficado pelo meio do caminho. Então, aqui a gente canta a bola de umas paradas interessantes que foram lançadas por lá e que você deveria buscar junto aos artistas ;)

Vocês já devem estar cansados de ouvir a gente repetir por aqui que o Artist’s Alley, aka Beco dos Artistas, é o melhor lugar para se estar quando dentro da comic con de São Paulo. Não é à toa que a turma dos roteiristas, ilustradores e editores independentes parece aguardar ansiosamente a chegada do evento pra lançar suas novidades, congestionando não só as plataformas de financiamento coletivo mas também os corredores já muvucados do São Paulo Expo — uma discussão que, aliás, a gente pode ter qualquer dia desses — tornando difícil ter plena noção de tudo que tá sendo lançado.

ASSIM SENDO, fizemos aqui uma curadoria de dez títulos legais que estiveram disponíveis no AA durante a comic con desse ano, mas que não é só porque você não esteve lá ou não viu que precisa deixar passar — sim, a gente tá indicando também ONDE e COMO comprar as paradas.

Tentamos ir além do óbvio, buscando diferentes gêneros e não focando NAQUELES títulos que, apesar de independentes, já estava todo mundo falando mesmo. Tomara que vocês curtam. ;)

10 DIAS PERDIDOS #3, de Sam Hart

O Sam é uma máquina de produzir, incansável e destemido. E não só tá lançando o terceiro volume de sua história de magia, ciência e aventura sobre uma jovem que tem apenas 10 dias para salvar a humanidade como até contou pra gente, com exclusividade, que o QUARTO volume já tá programado pra 2020 e, se pá, até mesmo o QUINTO número também. Parece que a minissérie em oito edições estrelada por Sophya Brahe vai se completar mais cedo do que pensamos...

Onde comprar? Em breve, na loja online da Ugra.

CRÔNICAS DE MINAS GAMEDEVS, de Flávia Gasi e Kaol Porfírio

Uma das primeiras publicações do recém-nascido selo Bast Editorial, Crônicas de Minas Gamedevs nasceu de relatos REAIS, de minas que realmente desenvolvem games no Brasil. Passando pelo medo e pela dúvida, é um olhar BEM DIFERENTE para o mercado nacional de games — que, já repetimos aqui algumas vezes, é o ambiente mais tóxico da cultura pop. São histórias de luta para existir num mercado que faz de tudo para torná-las invisíveis.

Onde comprar? Aqui, ó.

EU SOU LUME, de PJ Kaiowá

É uma história de super-heróis? É algo assim. Porque você troca Gotham City ou Metrópolis pelo Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A protagonista é uma menina de 16 anos chamada Ludmila Gonçalves, tipicamente egressa da periferia, que descobre ser portadora de superpoderes luminosos quando, além de encarar as diferenças e preconceitos, também se depara com uma criatura perigosa chamada Trevaz, que até então vinha se mantendo em segredo. Destaque pras cores da nossa querida Fabi Marques.

Onde comprar? Aqui mesmo.

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PENPENGUSA, de Milena Azevedo e Rodrigo Xavier

Não é só porque o prefácio deste gibi é meu não, tá? Mas que esta história que mistura diferentes gêneros é uma delícia, isso é. Depois de um verdadeiro apocalipse nuclear, em 3013 a Terra conseguiu se regenerar e reinventar: o mundo passou a ser movido pelo vapor e pela incipiente eletricidade, enquanto o rádio e o telégrafo são os principais meios de comunicação. Aí, nesta mistura de steampunk e distopia sci fi, também cabe uma pegada de conspiração global, um tantinho de noir... O resultado é algo retrofuturista mas que fala bem com nosso presente.

Onde comprar? É só clicar aqui.

RANCHO DO CORVO DOURADO, de vários autores

A gente tinha te contado aqui sobre as implicações da obra de Monteiro Lobato entrando em domínio público agora em 2019. Bom, esta coletânea de histórias é uma das primeiras reações a isso. Uma obra enxergando o Sítio do Pica-Pau Amarelo sob uma ótica contemporânea e inclusiva — mas como uma ficção pós-apocalíptica steampunk, com direito a projeto Manhattan e nazistas sendo chutados no meio do caminho. Tem Roberta Cirne, Cris Camargo, Felipe Morcelli, Luiza Lemos, Beatrice Witt...

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SHEILOCA, de Lovelove6

Embora ela atenda no RG por Gabriela Masson, hoje não tem que não conheça esta artista pelo alter-ego famoso de Lovelove6. Responsável pelo sucesso Garota Siririca, ela se mantém nos temas relacionados às pautas do movimento feminista, especialmente no que diz respeito à sexualidade, em Sheiloca, sua HQ mais longa até o momento. São 200 páginas de uma distopia feminista, esquecida num tempo muito distante, na qual as mulheres se organizam em comunas e mantém hábitos curiosos.

Onde comprar? Bem aqui. (ela prometeu que vai colocar na lojinha assim que terminar de mandar pros apoiadores)

SILVESTRE, de Wagner Willian

Depois de O Martírio de Joana Dark, mais um trampo lindíssimo do Wagner, visceral, poderoso, intenso, que acabou nas mãos da DarkSide Books. Trata-se da jornada de um velho caçador que atravessa e dialoga com lendas sobre divindades extintas, mergulhando na relação entre o homem e a natureza. Uma história bem na pegada do paganismo, com memórias aflorando na floresta e criaturas fantásticas em uma celebração selvagem e ritualística.

Onde comprar? Aqui, a partir do dia 12/12.

SINISTRA #2, de vários autores

No que, se tudo der certo, vai se tornar uma verdadeira tradição de final de ano, chega a segunda edição desta revista com curadoria do Hector Lima e que reúne um timaço de artistas fazendo HQs e textos na pegada “uma revista para tempos sombrios”. E que tempos, gente... Destaque para Capitu e seu Monstro, uma releitura da personagem mais ~polêmica da nossa literatura, com roteiro de Ira Croft e Hector Lima e a arte pop e cheia de expressão da Germana Viana.

Onde comprar? Tá na mão.

SOBRE O TEMPO EM QUE ESTIVE MORTA, de Daniel Esteves, Sueli Mendes, Pedro Okuyama e Wanderson de Souza

Um dos projetos selecionados pelo 1º Edital de Publicação de Histórias em Quadrinhos da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo, esta é a história da Cris, uma escritora em crise que volta pra sua terra natal depois de muitos anos, buscando algo que permita que ela desbloqueie sua escrita — e acaba tendo que fazer as pazes com o seu passado, em meio a um mundo de universos paralelos, homofobia, fanatismo e metalinguagem. O time envolvido é BEM foda e vale a leitura.

Onde comprar? Encontrou o lugar certo.

VHS: VIDEO HORROR SHOW, de vários autores

Talvez um dos projetos gráficos mais bonitos dos últimos anos, com o gibi EMULANDO uma daquelas clássicas fitas VHS. O visual faz sentido com a ideia da antologia, editada por Fernando Barone e Rodrigo Ramos: basicamente, histórias de terror e nostalgia, relembrando os clássicos podreira do cinema de horror dos anos oitenta. São 28 artistas em 13 histórias, entre eles Alessio Esteves, Larissa Palmieri, Marcel Bartholo e os chapas santistas Bruni Bispo e Victor Freundt.

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