Atrações pra ficar de olho nos palcos ~alternativos do Rock in Rio | JUDAO.com.br

Sim, sim, no plural mesmo. Com muita pluralidade pra quem tá lá, in loco, ou então pra quem vai acompanhar pela telinha. Uma pena é o nome de um desses palcos…

E aí que o maior festival de música do Brasil vai começar — e, bom, embora a gente tenha bode de grande parte das frases prontas que obrigatoriamente surgem cada vez que rola o Rock in Rio, tem uma que vale muito a pena discutir: eles convidam sempre as mesmas bandas. Bom, com isso digamos que a gente concorda. Se levarmos em consideração o Palco Mundo, o principal do evento, aquele grandão que fica no centro de tudo, é fato: Foo Fighters, Bon Jovi, Red Hot Chili Peppers, Iron Maiden, Ivete Sangalo, tá todo mundo batendo cartão de novo e mais uma vez no line-up.

A questão nem é discutir os motivos da eterna repetição, “vem sempre as mesmas atrações porque são as que vendem mais” ou “só vendem mais porque são as mesmas com as quais o público já está acostumado”. Mas veja, tem um porém: se levarmos em consideração o Palco Mundo, né? Porque se tem uma coisa que existe no Rock in Rio são palcos alternativos, a começar pelo Sunset, de longe o lugar com a programação mais interessante do festival há pelo menos duas edições. Roberta Medina, produtora e filha do criador/dono do RiR, disse ao G1 que o segundo palco surgiu como inspiração depois do boicote que bandas como Skank, O Rappa, Raimundos, Cidade Negra, Jota Quest e Charlie Brown Jr. fizeram no evento de 2001 — quando descobriram que ganhariam menos do que as bandas gringas e ainda teriam que tocar de dia.

“Pensamos em fazer um palco que começa de dia, depois podem assistir um pôr do sol... Acabou essa conversa de não poder ter show de dia”, disse ela. “Eu sei que o show à noite tem o recurso da iluminação, que dá um diferencial importante, tudo bem. Mas também pode ser o melhor show do mundo sem isso”. Pode sim. E tem, aliás, grandes chances de que seja. Na edição de 2017, com certeza foi.

Ajude o JUDAO.com.br continuar desafiando a cultura pop. Assine!
A partir de R$5 por mês.

Sendo assim, a gente aqui fez uma seleção de apresentações pra você ficar de olho no Sunset e alguns dos outros palcos menores espalhados ao longo da Cidade do Rock, veja você pessoalmente no meio daquela maré de gente, veja você do conforto da sua casa, no Multishow, no Bis, no YouTube, tanto faz. É coisa boa, histórica, uns feats lindos pra te inspirar a escutar umas paradas diferentes, afinal de contas.

Sexta, 27 de Setembro

O festival começa sacolejando no Palco Sunset com um encontro Brasil + Portugal de duas belas carreiras solo: Lellê, ex-Dream Team do Passinho, recebe Blaya, fundadora do Buraka Som Sistema. Aliás, que dia INCRÍVEL pras minas negras, já que ainda vai rolar Karol Conká recebendo Linn da Quebrada e Gloria Groove, e a Xênia França como convidada especial do Seal, que fecha os trabalhos do Sunset.

Vale também ficar ligado no show do Mano Brown. Pra quem não sabe, faz uns três anos pelo menos que ele embarcou numa carreira solo BEM diferente dos Racionais, com aquela lindeza de disco chamado Boggie Naipe. E, no Rock in Rio, ele vem acompanhado do lendário baixista americano Bootsy Collins e sua indefectível cartola e óculos em formato de estrela, que fez parte da banda de James Brown e foi integrante do icônico combo Parliament-Funkadelic. O resultado promete muito groove, em pérolas soul, funk e R&B.

Se estiver pela Cidade do Rock talvez valha dar um pulo no Rock District pra ver o Evandro Mesquita e sua Fabulous Tab tocando suas versões mais acústicas e despojadas pra clássicos de grupos como Pink Floyd, Led Zeppelin, Bob Dylan, The Who, Bob Marley e Rolling Stones, assim como também o tributo dos Notórios — formado por grandes músicos de apoio do cenário nacional — ao George Michael. No Espaço Favela, cujo nome e conceito de ambientação são de fato UMA MERDA (olha só, vamos trazer o branco rico para uma “experiência” na favela, INACREDITÁVEL), pelo menos tem o Heavy Baile, mistura de funk e eletrônico, com a participação de Tati Quebra-Barraco e MC Carol. E, no Supernova, o trap da Banca 21.

Sábado, 28 de Setembro

Tá bom que vai ser IMPOSSÍVEL não querer ver o Júnior Bass Groovador como convidado especial do show do Tenacious D no Palco Mundo. Mas pô, no Sunset vai ter Ego Kill Talent — do baterista Jean Dolabella, que durante cinco anos foi responsável pelas baquetas do Sepultura — e também o veteraníssimo Whitesnake, de volta ao RiR depois de 30 anos. Tá, a voz do David Coverdale de fato já não é mais a mesma, mas ainda assim estamos falando de uma metralhadora de hits com toneladas de carisma e que disputa com o Bon Jovi o título de “Fabio Junior do rock gringo” (inclusive, aguardando ansioso o momento de jogar as rosas pra plateia).

Em termos de parcerias, pode ser até que os Detonautas consigam ganhar um corpo interessante com a parceria ao lado do Pavilhão 9, filhos bastardos do rap e do rock que voltaram em 2017 com um PUTA disco. Mas acho que o grande momento aqui vai ser mesmo o show dos Titãs. Calma, não é só aquele Titãs, Polícia e Cabeça Dinossauro, sabe? E nem aquele Titãs acústico. É um Titãs agora reduzido a um trio de integrantes originais, mas que teve força pra lançar a linda ópera rock Doze Flores Amarelas, que é “rock” mas também é MPB e um monte de outras paradas. Justamente por isso, eles vão contar com a participação das cantoras Ana Cañas e Erika Martins (ex-Penélope) e também do rapper Edi Rock, dos Racionais. Promete ser bem foda.

Se estiver pela Cidade do Rock, tem no Rock District o Projeto Tamo Aí na Atividade, com Marcão Britto (guitarra e vocais), Heitor Gomes (baixo) e Pinguim Ruas (bateria) relembrando suas passagens pela formação do Charlie Brown Jr. No Espaço Favela (sério, não dá pra acreditar ainda), vale prestigiar a molecada do Projeto Orquestra da Maré do Amanhã, que ensina teoria musical, violino, violoncelo e flauta para crianças do Complexo da Maré. E quem estiver passando pelo Supernova, vai poder ver Vivendo do Ócio e ouvir a sonzera baiana do Maglore.

Domingo, 29 de Setembro

Vai ter Jessie J no Palco Sunset? Vai sim, tá valendo. Mas, porra, vamos lá: Iza e Alcione. Sério, sem exagero, isso aqui tem potencial pra ser uma das apresentações mais incríveis do Rock in Rio como um todo. Duas vozes maravilhosas e poderosas — que, spoiler, a gente já sabe que vão cantar juntas Chain of Fools, clássico que foi sucesso na voz de Aretha Franklin. Só isso já vale.

Aí, tem Elza Soares, sabe. E, porra, depois da cacetada que foi o recente Planeta Fome, um disco forte e político, evolução temática de Deus é Mulher, ela mostra que não ficou parada no tempo e sabe muito bem dialogar com as novas gerações. Vai receber o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira, além das cantoras Kell Smith (da linda Era uma Vez, certeza que você já ouviu... ou deveria) e Jéssica Ellen (que, na real, é até mais conhecida por sua carreira como atriz, atualmente na novela Filhos da Pátria, embora tenha lançado em 2018 seu primeiro disco solo, Sankofa).

Se estiver pela Cidade do Rock, o Espaço Favela (AAAAAAAARGH!), vai ter a Malía, vinda diretamente da Cidade de Deus (procura o single Escuta e depois a gente conversa). Já no Supernova, vale dar uma chance ao som da argentina Lali, sucesso pop da terra dos nossos hermanos.

Ajude o JUDAO.com.br continuar desafiando a cultura pop. Assine!
A partir de R$5 por mês.

Quinta, 03 de Outubro

Tá aqui outro exemplo de dia em que a programação do Sunset é tão ducaralho, tão imperdível, que vai ser quase impossível prestar real atenção no que vai ter no Palco Mundo (uma exceção: Nile Rodgers. Sério, vejam este cara, ele é foda num grau que a gente deveria REALMENTE se arrepender de não dar ao sujeito a importância devida).

Teremos Francisco, El Hombre, uma banda brasileira que tem sempre apresentações absolutamente catásticas, ao lado dos colombianos do Monsier Periné, coisa fina, pra mostrar que rock latino vai beeeem além do Maná. E na mesma pegada, vai rolar o intercâmbio do Emicida com a dupla franco-cubana Lisa-Kaindé e Naomi Díaz, o Ibeyi, que canta em inglês e em iorubá — idioma nígero-congolês que, pra gente aqui no Brasil, está muito firme principalmente dentro do candomblé.

Aí o bicho vai pegar demais com dois supergrupos. O primeiro deles é Pará Pop, uma celebração imensa ao tecnobrega, às cúmbias e à guitarrada lá do Pará, misturando a maravilhosa Dona Onete (não ouviu Rebujo, lindíssimo tributo ao carimbó lançado este ano? Pois ouça!) e ainda Fafá de Belém, Gaby Amarantos, Jaloo e o guitarrista Lucas Estrela. Sério, eu queria MORAR neste palco. E o outro show OBRIGATÓRIO aqui é uma parada chamada Hip Hop Hurricane. Pega nomes do rap nacional como Rael, Rincon Sapiência e Baco Exu do Blues, mistura com o português Agir e coloca esta galera sob regência da Nova Orquestra, do maestro Eder Paolozzi.

Se estiver pela Cidade do Rock, no Espaço Favela, A Festa da Raça reúne músicos de diferentes rodas de samba de um monte de cantos do Rio de Janeiro. E pelos lados do Supernova, rola o Braza na sua vibe étnica misturando dub, rap, kuduro, afrobeat, afoxé...

Sexta, 04 de Outubro

A volta do dia do metaaaahl tem Iron Maiden (AHVÁ), Helloween com Kiske/Deris/Hansen ao mesmo tempo, esta galera toda. Mas no Sunset vai rolar a derradeira apresentação do Slayer, estes veteranos do thrash metal em sua turnê de despedida (e, no caso deles, parece que estão REALMENTE falando sério).

Além do Anthrax e das bandas brasileiras Torture Squad e Claustrofobia recebendo como convidado especial o Chuck Billy, do Testament, o nosso destaque absoluto aqui acaba mesmo sendo pra banda que abre os trabalhos, o trio Nervosa. Em um meio ainda bastante machista, a trajetória destas três minas brasileiras não é pouca coisa. Sem se render ao estereótipo “mulher no metal só canta sinfônico”, a vocalista Fernanda Lira vocifera como se tomada por Satanás, num show alucinante e no qual elas tomam conta do espaço com uma brutalidade tamanha que dá vontade de berrar junto. E o mais legal é que com elas, não tem esta coisa de se intimidar com o tamanho do palco, porque rola show em boteco e em festival internacional com a mesma energia.

Junte a isso o fato de que temos uma banda de metal que não tem medo de se posicionar politicamente, saindo de cima do muro e, obviamente, não pulando para o lado fascista da coisa, bingo, temos uma nova favorita do lado de cá.

Se estiver pela Cidade do Rock, sugiro dar uma chance pros caras do The Raven Age lá no Rock District — não porque o guitarrista e principal compositor da banda ser filho do Steve Harris, líder do Iron Maiden. Mas porque o som é competente mesmo. No Espaço Favela (PUTAQUEPARIU) vai ter Agona, mandando um groove metal sombrio e pesadão, todo cantado em português. E no Supernova, entre bandas que a gente sabe que certamente estariam ali, vale destaque pra banda de irish punk / hardcore Rats, que agora tem como vocalista ninguém menos do que o gigante ruivo Jimmy London, ex-Matanza.

Sábado, 05 de Outubro

Na última edição, lá em 2017, a Anitta foi a grande protagonista do Rock in Rio, mesmo sem pisar os pés do dito cujo. Agora finalmente a grande cantora pop brasileira da atualidade ganha seu merecido papel de destaque no Palco Mundo... mas a roda girou e, olha, vou dizer que a gente nem tá tão empolgado assim, sabia? Quem sabe daqui uns três meses, né?

Charlie Puth, novo (?) nome da música pop que já compôs sucessos pra uma galera, de Maroon 5 a Selena Gomez, fecha a noite no Palco Sunset, mas tá longe de ser a coisa mais interessante do dia. Pô, vai ter a dupla Anavitória encontrando com Saulo Fernandes, o homem do axé baiano que comandou a Banda Eva durante uma década. Pensa numa mistura divertida? E ainda o Projota com dois bons nomes do pop brasileiro contemporâneo, Vitão e Giuilia Be.

Mas se te interessa a Anitta falando com suas raízes funk no Palco Mundo, olha, talvez seja o caso de ficar de olho MESMO é na Funk Orquestra, também regida por Eder Paolozzi numa mistura de arranjo de metais e beats eletrônicos, que terá as participações de Fernanda Abreu, Buchecha, Ludmilla e Kevinho pra executar clássicos funkeiros de diferentes gerações. Funk carioca se apresentando em casa, jogo ganho, pra massa balançar a raba bonito e gostoso.

Se estiver pela Cidade do Rock, o Move Over, lá no Rock District, traz a vocalista Dri Santana (figurinha carimbada dos realities musicais da Globo) homenageando grandes mulheres da música: Amy Winehouse, Adele, Elis Regina, Katy Perry, Rita Lee, Alanis Morissete, Joan Jett... No Espaço Favela (NÃO É POSSÍVEL), não dá pra não destacar Cidinho & Doca, dupla icônica do funk nacional, 25 anos de carreira, responsáveis pelo cláááááááássico Rap da Felicidade. No Supernova, uma seleção de mulheres incríveis, do som cheio de groove da Tássia Reis ao pop indie da Mariana Nolasco.

Domingo, 06 de Outubro

Mais DUAS parcerias Brasil / Portugal no Palco Sunset, com a hypada galera do Melim recebendo a cantora Carolina Deslandes e O Terno apresentando sua sonoridade meio tropicália sessentista pros parceiros do Capitão Fausto.

A gente, no entanto, fica curioso por outros dois shows. O primeiro, o encontro entre o celebrado cantor Silva e a maior máquina brasileira de hits, ninguém menos do que Lulu Santos — aquele mesmo que lançou este ano o delicioso Pra Sempre, uma celebração ao amor tão pura e genuína, tão importante nos dias de hoje.

E tem, claro, os progressivos ingleses do King Crimson, em sua primeira passagem pelo Brasil depois de cinco décadas de atividade. Três baterias no palco, uns arranjos malucos e psicodélicos que inclusive conversam com o jazz... Olha, eu arriscaria dizer que é um show experimental demais pra um palco tão imenso quanto o do Rock in Rio. Mas é o Palco Sunset, então tô pagando (não literalmente) pra ver. ;)

Se estiver pela Cidade do Rock, Andreas Kisser faz dobradinha e, depois do show no Palco Mundo com o Sepultura, cola com o filho Yohan Kisser no Rock District pra executar clássicos do rock/metal mundial com a banda batizada de Kisser Clan. Pra quem quer fugir do bate-cabeça, tem o hip hop da dupla Delacruz & Maria no Espaço Favela (DFHLDSJGFLJSDGJFSLJ). E no Supernova, sobe a ótima banda Selvagens à Procura da Lei.