E aí que revelaram a identidade secreta do Leviathan | JUDAO.com.br

Em Event Leviathan #6, Brian Michael Bendis mostra que fez a lição de casa e foi buscar uma referência que muita gente não esperava na revelação maior da série — que, no entanto, ainda está longe de acabar

Quando a gente fala da equação “Brian Michael Bendis” + “DC Comics”, costuma pensar geralmente no Superman — ainda mais com esta coisa recente toda da revelação da identidade secreta. Mas o roteirista também está cuidando de outro projeto importante pra editora, a série Event Leviathan. Um daqueles crossovers que envolvem uma porrada de heróis e vilões, descrito como “um thriller de mistério que se estende ao longo do Universo DC e atinge todos os personagens”.

Nem é, apesar dessa sinopse marqueteira meio ridícula, um gibi tão ruim assim, pra ser honesto. É uma mistura de história de conspiração e espionagem que reúne algumas das mentes investigativas mais brilhantes da DC Comics, enfim.

Originalmente, o Leviathan era uma organização criminosa que o roteirista Grant Morrison criou durante sua passagem pelo gibi do Batman, culminando na chamada Corporação Batman, a tentativa de Bruce Wayne para internacionalizar o trabalho de combate ao crime do Morcegão. O Leviathan era uma espécie de dissidência da Liga dos Assassinos liderada por ninguém menos do que Talia Al Ghul, filha de Ra’s Al Ghul, um dos amores da vida de Bruce e mãe de seu filho, o atual Robin, Damian Wayne.

Já sob a custódia de Bendis, o Leviathan ressurgiu recentemente, comandado por uma misteriosa mulher chamada Leone — que obviamente era uma cortina de fumaça. Esta versão renovada, mais perigosa e agressiva do Leviathan (“alguém tomou todas as organizações secretas do Universo DC e construiu algo muito perigoso no lugar”, descreveu o escritor no começo da trama) deseja moldar o mundo com sua própria visão, sob a liderança de alguém mantido sob uma névoa de mistério... até agora.

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SPOILER! Na edição de número 5 de Event Leviathan, Damian Wayne já tinha sacado que o líder do grupo tinha um passado como Caçador, que é um alcunha que diversos super-heróis e anti-heróis da DC Comics já tiveram, desde o vigilante urbano Paul Kirk/Rick Nelson lá na Era de Ouro, por volta dos anos 1940. Mas a recém-lançada Event Leviathan #6 mostrou que a versão do Caçador sob a máscara do Leviathan era, de fato, a mais conhecida do Universo DC. Estamos falando, conforme Clark revela pra esposa Lois Lane ter visto com absoluta certeza, de um sujeito chamado Mark Shaw.

ManhunterLeitores de gibis que tenham lá seus 30 e poucos anos de idade podem não lembrar de imediato do nome, mas vão sacar quem é ao olhar para o uniforme que o sujeito usava nas publicações dos anos 1980. Tamos falando de um promotor público que, insatisfeito com o quão facilmente a bandidagem de colarinho branco manipulava o sistema e vazava sem punição da Justiça, acabou descobrindo uma antiga seita de combatentes do crime chamados de Caçadores e se tornou um deles. O grande ponto, que ele descobriria depois, é que os Caçadores eram originalmente uma tropa de androides criada bilhões de anos atrás pelos Guardiões de Oa, aqueles mesmos da Tropa dos Lanternas Verdes. A ideia era que eles patrulhassem a galáxia, mas os sujeitos mecânicos se tornaram obcecados com a caçada e seu código de “ninguém escapa dos caçadores” se tornou mais importante do que a justiça em si. Acabaram se rebelando, foram derrotados mas os poucos sobreviventes se esconderam.

Óbvio que os Caçadores voltariam à tona em algum momento, dando uma tremenda dor de cabeça pra Liga da Justiça, primeiro com o apoio de Shaw e depois com sua oposição, quando ele percebeu que o grupo não era o que jurava ser. A partir daí, a trajetória do sujeito foi bastante errática: assumiu uma nova persona heroica, o Mosqueteiro, apenas para depois ser exposto ao mundo pelo Tornado Vermelho (um androide, acompanha a ironia) como alguém que vinha fazendo jogo duplo atuando como um vilão chamado Star-Tsar, ligado ao Chave. Toca pra cadeia. Teve a chance de participar de missões ao lado do Esquadrão Suicida, acabou liberado, criou um novo uniforme de Caçador e virou um mercenário de aluguel, caçando criminosos por dinheiro. Mas aí o cara foi se meter com a Ordem de São Dumas, quase virou o novo Azrael e ainda matou Chase Lawler e Kirk DePaul, dois outros sujeitos que usaram o codinome Caçador antes da atual Kate Spencer, surgida nos anos 2000, que chegou a fazer parte das Aves de Rapina e da Sociedade da Justiça.

Pós reboot dos Novos 52, Mark Shaw foi mais recentemente mostrado como um agente secreto trabalhando pro governo dos EUA que, originalmente, recebeu a tarefa de caçar Barbara Minerva, a Mulher-Leopardo.

Mais do que revelar a identidade secreta do Leviathan, na real, descobriu-se qual seria o seu plano, que resultaria numa sociedade que nem teria ícones como o Superman no papel de inimigos. Na verdade, eles o queriam era do seu lado para um novo mundo com base na verdade. A ideia seria revelar publicamente todos os grandes segredos do mundo de uma única vez: CIA, FBI, KGB, partidos políticos, governantes, todos expostos num grande BOOM. E aí os governos ruíram e este mundo sem segredos seria reconstruído... com o Leviathan no controle, veja bem você. “O mundo foi pro inferno”, diz Shaw. “Vocês sabem disso! Quem vocês estão protegendo? Governos? Com os seus segredos todos revelados, eles se vão num piscar de olhos. Isso é o que acontece depois. Na manhã seguinte. Todos os segredos revelados. E então podemos construir algo real. Verdadeiro”.

A intenção do moço, de botar fogo na porra toda, até que é válida. Mas digamos que a parte de quem fica no controle depois da ruína das instituições é que é bastante questionável... Tanto é que, depois que seu plano e sua identidade são expostos na primeira página do Planeta Diário, seu objetivo muda rapidinho. E se a ideia de “consertar” o mundo não deu certo, então é hora de QUEIMAR o mundo.

Para quem anda acompanhando as séries do Arrowverse, o nome Leviathan também pode soar bastante familiar. Afinal, esta é a organização secreta por trás de tudo de bizarro que tá rolando na atual temporada de Supergirl, mas aí numa pegada que mistura um quê de magia antiga dos povos latinos e a herança alienígena kryptoniana da Mulher de Aço (é, eu sei, mas tá realmente divertido, eu garanto). O objetivo do grupo, contudo, ainda é um mistério. Tá bom, tá bom, nós já tivemos uma aparição especial de Mark Shaw na terceira temporada de Arrow, como um agente especial da organização ARGUS que recepciona Oliver Queen e John Diggle em Corto Maltese. Faz sentido que as coisas estejam interligadas, tal qual nos gibis?

Isso só a Crise nas Infinitas Terras (a da TV, não a dos gibis) poderia responder... ;)