"Estou aberto a qualquer experiência", diz a voz do Soilwork | JUDAO.com.br

Batemos um papo exclusivo, via Skype, com o vocalista Björn ‘Speed’ Strid — que neste período de quarentena tá empolgadão pra gravar à distância com Deus e todo o mundo, incluindo VOCÊ!

Que esses tempos de quarentena são complicados não apenas pra gente como eu e você mas também para os músicos que dependem particularmente de cair na estrada pra fazer shows, isso todo mundo já sabe. Afinal, o que tem de artista por aí fazendo lives pra continuar na ativa e mantendo o público entretido, não é brincadeira. Gravar à distância, de qualquer forma que seja, virou trabalho cotidiano. Porém, a gente descobriu que isso já é rotina para o talentoso vocalista de uma banda que vem da famosa cena de death metal sueca do fim dos anos 90 e início dos anos 2000 – o Soilwork!

Em tempos de reclusão, nada mais justo do que conversar com o versátil vocalista Björn ‘Speed’ Strid que, além do Soilwork, também canta na aclamada banda de rock clássico oitentista The Night Flight Orchestra. Mas obviamente que o papo, exclusivo pro JUDÃO.com.br, rolou via Skype.

O cara conversou com a gente de sua atual residência em Estocolmo, na Suécia, depois de uma temporada morando no Canadá. Björn talvez não seja um vocalista extremamente popular dentro da cena heavy metal em geral, mas para muitos fãs que o seguem fica difícil de lembrar quantas bandas já tiveram a sua participação — nem ele consegue lembrar! Acostumado com este trabalho à distância, gravando em casa e mandando os arquivos digitalmente, Björn já emprestou sua voz para tantas bandas que já perdeu as contas. Sem folga em suas bandas atuais, o sueco já cantou também em outros grandes projetos como I Legion, Coldseed (com o ex-batera do Blind Guardian, Thomen Stauch), Disarmonia Mundi, e outras tantas.

Qualquer busca por seu nome em plataformas digitais vai revelar ótimas surpresas como a que ele mesmo fez questão de lembrar ao lado de uma banda colombiana chamada Esthadur, com um belíssimo cover para Burning Heart do Survivor, usada na trilha sonora do filme Rocky IV. Mas se você joga o nome dele + FEAT no YouTube, sem exagero, vai encontrar mais de uma dezena de resultados...

Com a agenda de shows parada, Björn agora mais do que nunca está fazendo uso do trabalho remoto para colocar seu nome ainda mais em alta e se manter na ativa. Recentemente, o vocalista postou no perfil do Soilwork no Facebook que estará recebendo propostas para oferecer sua voz em participações especiais. Pra muita gente isso é uma oportunidade de ouro, no meio heavy metal em especial.

“Eu estou em todo lugar e acho muito legal isso. Quero ver meu nome cada vez mais lá fora participando com todas essas bandas!”. Comentamos que dá pra achar até vídeo dele no YouTube cantando Frank Sinatra e ele riu confirmando. “Estou aberto a qualquer experiência como vocalista. Muita gente já tem me procurado desde que anunciei nas redes sociais que estou agendando para fazer participações especiais em discos de qualquer banda. E pra minha surpresa, no dia seguinte à postagem no Facebook já tinha recebido mais de trinta propostas não só de bandas de heavy metal como também de outros estilos como artistas de Synthwave e achei isso fenomenal”.

Mas espera, esta participação dele é somente para interpretar e cantar o material que lhe enviam? Bom, o músico afirma que está aberto a negociar com os artistas. “O que eles precisarem, eu vou fazer o meu melhor pra ajudar, seja somente pra cantar, escrever a letra e compor!”, diz. Björn se lembrou até de uma situação inusitada e nova pra ele, quando uma banda da Rússia pediu que ele cantasse, claro, em RUSSO. “Me enviaram até a letra com as palavras escritas de uma maneira foneticamente que eu entendesse para poder cantar em russo. Foi muito divertido!”, lembra.

Voltando um pouco nas raízes da sua banda principal, a gente quis saber como ele acredita que o Soilwork, que é sua principal banda, ajudou a influenciar a famosa cena de death metal sueca que emergiu no final dos anos 1990 e começo dos anos 2000. Björn confirmou que, apesar do Soilwork ter nascido oficialmente numa cidade mais ao sul chamada Helsingborg, alguns membros da banda na época eram de Gotemburgo e junto com bandas como At The Gates, In Flames e Dark Tranquility, o grupo iniciou ali uma trajetória que vinha pra fazer história.

“A cena de Gotemburgo se tornou bastante importante e assumiu um lado mais melódico. Eu particularmente estava mais conectado com a cena de Estocolmo. Sendo um grande fã de Dismember (banda influente dos anos 1980 na cena death metal sueca), isso me inspirou a fazer o som que eu comecei a fazer no início do Soilwork”, explica. Björn também confessa que bebeu da fonte do heavy metal mais extremo do Reino Unido naquela época. “Heartwork do Carcass foi como um divisor de águas para o Soilwork”, confessa. Além disso, existem outras influências que Björn nunca escondeu, como a importantíssima banda canadense Strapping Young Lad.

“Tinha tanta coisa acontecendo naquela época que era incrível. Nosso primeiro contrato com uma gravadora foi em 1996 e partimos direto para o famoso Fredman Studios em Gotemburgo para iniciar as gravações do primeiro álbum Steelbath Suicide“, relembra. “Esse álbum já continha bastante dos elementos não só do som característico dessa época em bandas suecas de death metal melódico, mas também no que o Soilwork faz até os dias de hoje”.

Lembrei de uma curiosidade engraçada quando Björn mencionou esse estúdio já que, em meados de 2004, quando estavam trabalhando no álbum Figure Number 5, tanto eles quanto o In Flames, outra grande expoente banda desse cenário e até hoje com laços de amizade fortes com o Soilwork, lançaram quase que ao mesmo tempo dois videoclipes que popularizaram as duas bandas na época. Os vídeos de Rejection Role do Soilwork e Trigger do In Flames mostravam as duas bandas se hostilizando em seus respectivos shows e depois partindo pra porrada nas ruas.

Porém, Björn mencionou que o In Flames se saiu melhor nessa, devido à promoção do vídeo deles ter sido muito maior na época do que a do video do Soilwork. Então, naturalmente criaram-se esses rumores de que as bandas eram adversárias. Mas na verdade muita gente não correu pra assistir à versão do vídeo do Soilwork e ver como eles resolveram essa treta! Então nada mais do que justo mostrarmos aqui o vídeo do Soilwork como direito de resposta. :)

Pedimos ainda para o Björn comentar um pouco pra onde o Soilwork está seguindo e como a influência de rock clássico dos anos 1970 e 1980 estão influenciando na banda. “Eu diria que o Soilwork continua evoluindo de uma maneira natural e com grande aceitação em geral. Desperado, que é o nosso novo single, ainda mantém todos os elementos que caracterizam o som do Soilwork ao longo de todos esses anos. Conservou o que tem de pesado dos antigos trabalhos mas também vem mantendo uma atmosfera meio sombria e mais progressiva dos mais recentes álbuns como The Living Infinite, The Ride Majestic e Verkligheten“, conta. “Eu acho que se os fãs têm vontade de escutar algo pesado, sombrio e melódico ao mesmo tempo, eles têm o Soilwork como opção. Se cansarem e querem escutar algo mais classic rock, eles têm a opção de escutar o The Night Flight Orchestra! O melhor dos dois mundos”, ri o cantor.

Björn se arrepende de não ter tocado com o Soilwork mais de uma vez no Brasil. A banda finalmente realizou shows no país em 2016, já com o novo baterista na formação, Bastian Thusgaard, que substituiu nada menos que Dirk Verbeuren, atual baterista do Megadeth e que a gente também entrevistou aqui.”Sinto muita falta do Dirk, mas o Bastian tem feito um ótimo trabalho com o Soilwork e estamos muito orgulhosos. Ele é de uma qualidade impecável e adicionou muita coisa à nossa música!”. Comentei sobre a comparação que é feita com esses jovens bateristas ingressando em bandas veteranas a exemplo do Eloy Casagrande no Sepultura e ele não hesitou em afirmar: “Eloy é o melhor que existe hoje!”.

E com relação aos seus tantos outros projetos, que tal ele compartilhar em primeira mão o que está rolando e se tem algo de novo, mesmo com sua já agenda cheia de compromissos? “Não vejo nada acontecendo com o Coldseed. Foi apenas um disco e parou ali. Já com o Disarmonia Mundi, que muita gente me pergunta, recentemente estive na Itália e gravei as vozes para um novo disco. Também consegui já gravar vozes para um novo disco do I Legion”, afirma.

Em tempo – tem uma banda e quer um dos maiores vocalistas de heavy metal colaborando com sua banda? Bjorn pediu para interessados, em propostas sérias, pra entrar em contato – [email protected]. “Adoraria participar mais em bandas brasileiras”. Ele não conseguiu lembrar de imediato uma outra banda daqui com a qual tenha contribuído, mas não deixamos sua memória traí-lo e recordamos Inner Monster Out, faixa da veterana banda santista Shadowside. “Ah sim, aquela banda com a vocalista Dani Nolden, lembrei”.

Pra finalizar, ele ainda garantiu que se uma banda brasileira enviar letras em português e tiver paciência de ensiná-lo, ele vai cantar no nosso idioma com prazer! Só resta saber se ele aprende os sotaques...