Lupita Nyong'o e Danai Gurira unem forças em série sobre imigrantes africanos para o HBO Max | JUDAO.com.br

A dupla, que se tornou uma força reconhecível em Hollywood quando o assunto é contar autênticas histórias africanas e, especialmente, histórias de mulheres, vai transformar o livro de Chimamanda Ngozi Adichie em série

Em 2013, a escritora feminista nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie publicou um livro intitulado Americanah, best-seller escolhido um dos dez melhores livros daquele ano pelos editores da New York Times Book Review e rendeu à autora o prêmio National Book Critics Circle Fiction.

Entre tantas pessoas apaixonadas por sua história está Lupita Nyong’o, que rapidamente adquiriu os direitos de adaptação da obra em 2014. Inicialmente, a atriz e agora produtora tinha planos para fazer uma adaptação cinematográfica do livro, mas em 2019 ela anunciou que Americanah se tornaria uma série. Agora, a adaptação de Americanah encontrou uma casa para chamar de sua.

Encomendada pelo HBO Max, o ainda inédito serviço de streaming da WarnerMedia, Americanah terá dez episódios e contará uma história poderosa sobre raça e identidade centrada em dois jovens amantes, Ifemelu e Obinze, que partem da Nigéria governada por militares em busca de melhores oportunidades em outros países. Enquanto Ifemelu parte para os EUA e tem experiências extraordinárias com amor, mágoa, adversidade e autodescoberta, Obinze foi incapaz de viajar com ela e acabou em Londres, onde vive por vários anos como imigrante sem documentação. Quase duas décadas depois, os dois se reencontram na Nigéria e reacendem sua paixão.

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Esse é o primeiro projeto de Nyong’o em uma série de televisão americana, que protagonizará e produzirá a ao lado da showrunner Danai Gurira. Apesar de serem conhecidas por trabalharem juntas em Pantera Negra, Nyong’o participou de uma peça escrita por Gurira chamada Eclipsed, história de cinco mulheres liberianas e suas histórias de sobrevivência perto do final da Segunda Guerra Civil da Libéria. Eclipsed foi um marco na Broadway ao ser a primeira peça com um elenco e uma equipe criativa inteiramente formada por negros e mulheres – Gurira foi indicada ao Tony Awards de Melhor Peça e Nyong’o ganhou diversos prêmios por sua estreia no teatro.

“Através de Americanah, Chimamanda trouxe a voz feminina africana à consciência dominante de uma maneira sem precedentes”, disse Gurira no anúncio oficial. “É intelectualmente incisivo, indicativo, mas cheio de humor e cheio de humanidade. Ela faz vozes inéditas familiares, universais e ainda palpavelmente específicas. Estou honrada em trazer seu romance incrível à vida na tela”, completando que está “emocionada em colaborar com Lupita mais uma vez”.

A dupla, que se tornou uma força reconhecível em Hollywood quando o assunto é contar autênticas histórias africanas e, especialmente, histórias de mulheres, executará a série através da Eba Productions, da própria Nyong’o, junto com a Plan B Entertainment, produtora do Brad Pitt.

Nos últimos anos, diversas produções social e culturalmente importantes foram lançadas com trabalhos de diretores, atores e/ou produtores de origem africana. Recentemente, começou uma nova geração de filmes feitos por produtores locais, principalmente de cineastas da Nigéria em Nollywood e distribuídos em plataformas da África do Sul, como a Multichoice e a Showmax – alguns desses filmes estão chegando em streamers mundiais, como o Netflix e o Amazon Prime.

Mas com um continente de 54 países com cada um possuindo suas próprias culturas e subculturas diversas, esse movimento tem seus próprios desafios e não pode ser simplesmente compactado em um único tipo de história, tema abordado pela própria Chimamanda em um TED apresentado por ela. Com novas histórias africanas de todos os gêneros na televisão e no cinema, finalmente teremos uma pluralidade de enredos universais abraçando diferentes culturas e diferentes lugares.

Com o empenho de pessoas como Nyong’o e Gurira e o crescimento de diferentes indústrias no continente africano, veremos cada vez menos as tradicionais histórias africanas hollywoodianas dominadas por enredos sobre conflitos e lições do salvador estrangeiro. O mundo é muito mais vasto e fantástico do que apenas uma visão.