As meninas estão no controle de Arrow | JUDAO.com.br

Numa divertida virada, o elenco feminino de heroínas (e vilãs!) acaba colocando Oliver Queen pra escanteio e toma conta das melhores tramas da série

SPOILER! Quem prestou um mínimo de atenção ao final da segunda temporada de Arrow meio que já viu este cenário se desenhando. Mas assim que se iniciou — em ótimo ritmo — este terceiro ano da jornada de Oliver Queen no combate ao crime, a coisa se acelerou de tal forma que acabou pegando todo mundo de surpresa. E, hoje, dá pra dizer que o arqueiro do capuz verde está lentamente se tornando coadjuvante de sua própria série, dando espaço para que as meninas brilhem em tramas mais interessantes do que o conflito “quem sou eu por baixo da máscara?”, que o JUDÃO antecipou lá no começo.

Estamos caminhando para o sexto episódio, minha gente. Temos um Oliver cada vez mais parecido com a sua contraparte dos quadrinhos, seja pelo cavanhaque que vai crescendo, pela cabeça-quente ou pelos comentários inapropriados e de pouco tato social. Temos o Roy Harper agora usando máscara e seu uniforme vermelho de Arsenal. Temos o John Diggle tendo que se dividir entre a carreira de combatente do crime e as funções de papai de uma recém-nascida. E rolou até um reforço do time dos bonitões, com a chegada de Ray Palmer, o cientista brilhante e um pouco acelerado que deve se tornar o Eléktron.

Mas mesmo assim, estes marmanjos não estão fazendo frente às garotas. Sara Lance, a primeira Canário Negro, chegou na temporada anterior chutando bundas e, com aquele biquinho e o furinho no queixo, conquistou o coração dos homens – mas com a atitude badass de assassina treinada, deu uma injeção de ânimo na divisão “sexo frágil” da série. No começo desta terceira temporada, ela foi assassinada em circunstâncias misteriosas. Sua morte balançou Oliver Queen, claro. Mas, maluco, mexeu principalmente com duas moças que devem protagonizar momentos-chave nos episódios que se seguirão.

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Nyssa Al Ghul

Ex-amante de Sara, Nyssa dá, sozinha, uma surra em Oliver, Roy e Diggle juntos. A representante da Liga dos Assassinos não ficou feliz com o fato de que, em sua nova política pacifista, Oliver se recusou a matar Malcolm Merlyn, aquele-que-não-morreu-mas-que-todo-mundo-achou-que-estava-morto. Por mais que Malcolm tenha provado, por A + B, que não foi o responsável pela morte de Sara, Nyssa viu na atitude do Arqueiro um claro desafio às leis da Liga – da qual, aliás, Merlyn é ex-integrante. Quando volta para casa, ela aciona o pai, Ra’s Al Ghul, que imediatamente transforma nosso herói em seu inimigo.

Já sabemos que Al Ghul deve ser um grandes vilões desta temporada – e ele obviamente vai pintar em Starling City trazendo Nyssa a tiracolo. Apostamos as flechas de Legolas que a moça vai ficar louca da vida quando descobrir que o paizão maquiavélico teve relação direta ou indireta com a morte de sua querida Canário. Porque, sim, não temos dúvida da participação do inimigo do Homem-Morcego nesta história toda. O motivo ainda não está muito claro.

A morte de Sara também tirou da letargia, em nome de Odin, a personagem mais chata da série até o momento: Dinah Laurel, sua irmã. Os leitores de HQs sabem bem que ela é a Canário Negro mais famosa. E com a perda brutal de Sara – que, na série, tomou o posto da mãe Dinah Lance como a primeira a usar a alcunha -, Laurel se vê às voltas com o o fogo de uma raiva que simplesmente não passa, um ódio crescente que a faz começar a treinar boxe na academia de Ted Grant (alcunha do Pantera, da Sociedade da Justiça). É nítido que ela vai se tornar a Canário Negro, herdando a jaqueta da irmãzinha caçula e tudo mais. O que está sendo bacana de ver é que a garota está começando a questionar tudo, a bater de frente com Oliver e com o pai, agora chefe de polícia, a tomar atitudes mais extremas.

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Dinah Laurel

Nas HQs, a relação de Laurel com o Arqueiro é bastante tumultuada. Embora os dois se gostem bastante, o homem do arco e flecha está longe de ser um romântico doce e galanteador. Na verdade, ele é bastante grosseiro quando quer – um cavalo, por assim dizer. E ela sabe responder à altura. Acreditamos que será possível ver parte desta relação de amor e ódio acontecendo na série também, em especial mais pro final da temporada.

Os exemplares femininos mais interessantes de Arrow, no entanto, são aquelas duas que simplesmente não existem nos gibis originais. As que, na primeira temporada e em boa parte da segunda, grande do público – eu incluído – julgou como as mais frágeis e mais facilmente aplicáveis ao posto de “donzela em perigo”: Thea Queen e Felicity Smoak.

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Thea Queen

Se nos gibis Oliver é filho único, aqui ele ganhou a companhia de uma menina que, às voltas com toda uma vida de mentiras contadas por pai, mãe e irmã, rasga o véu da inocência e pira de vez. Ao descobrir que é, na verdade, filha de Malcolm (portanto, meio-irmã de Oliver), ela joga a fantasia de menina doce e inocente de lado e passa a fazer suas próprias escolhas. Também passa a esconder coisas do irmão, perde a dependência quase doentia que tinha de seus sentimentos por Roy. Corta o cabelo. Começa a treinar luta de espadas com o pai, às escondidas. Além de alguma relação com a heroína Katana, que já sabemos que aparecerá na série (até o momento, apenas em flashbacks), apostamos que ela deve ter uma luta com o irmão em algum momento e, sim, a moçoila magrela provavelmente vai sair na mão com Nyssa para proteger Oliver mais pra frente.

Por fim, a graciosamente atrapalhada Felicity Smoak. Que, tá bom, existe sim nos quadrinhos – mas a personagem original na qual foi inspirada, uma coadjuvante do título do Nuclear, é tão, mas tão diferente e tão apagada, que dá pra dizer que esta Felicity é uma personagem totalmente nova. Que, pelo jeitinho, lembra bastante a Barbara Gordon em sua versão hacker de Aves de Rapina (mas sem cadeira de rodas). O episódio da semana passada, The Secret Origin of Felicity Smoak, dá mais detalhes de sua história e mostra que a garota pode ser bem mais durona do que se imagina (ela até rouba os flashbacks de Oliver Queen, vejam os senhores e senhoras). Mas tudo isso sem perder o aspecto delicado e bem-humorado, dando um tom que ajuda a quebrar o lado mais sombrio que percorre os episódios de Arrow.

Não é, de maneira alguma, difícil de imaginar porque Oliver declarou estar apaixonado por ela, por mais que um primeiro encontro romântico dos dois tenha resultado em efeitos catastróficos. É verdade que existe toda uma corrente de fãs torcendo para ambos ficarem juntos. Mas no caminho de Oliver, está um triângulo com Ray Palmer. E no caminho de Felicity, está o nascimento da nova Canário Negro, o grande amor do Arqueiro Verde nos gibis. Complicada, esta parada.

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Felicity Smoak

Importante destacar que esta história de uma Felicity que, no passado, atuou como uma cyberativista revoltadinha e de visual gótico, tem um detalhe importante. Ela foi a criadora de um poderoso supervírus que, nas mãos de seu ex-namorado maluco, deu início a uma iniciativa de cyberterrorismo conhecida como Irmão-Olho. Você sabe, o nome do satélite criado pelo Batman para vigiar as ações de seus colegas da Liga da Justiça depois que teve a memória apagada na saga Crise de Identidade. Poderia ser só uma graça dos roteiristas. Mas no episódio anterior, quando Ray Palmer teve acesso a alguns dos projetos armamentistas que vinham sendo desenvolvidos pelo laboratório especializado da Queen Consolidated (aquele mesmo explodido pelo #TeamOliver ao final da segunda temporada), uma expressão no canto inferior direito dos esquemas chamou a atenção dos mais fanáticos.

Ali estava escrito...Omac.

Sim, a sigla para Observational Meta-Human Activity Construct (Construto de Observação de Atividade Meta-Humana). Agentes modificados ciberneticamente e mantidos em estado de repouso até serem necessários. Criações do grupo Xeque-Mate (que, segundo algumas teorias, seria o grupo governamental ARGUS, comandado por Amanda Waller na série) e que acabam sendo ativados por Maxwell Lord. Que tomam conta do Irmão-Olho, do Batman. E, agora autônomos, declaram guerra aos super-humanos na saga Projeto OMAC.

Hum. Dá pra imaginar isso tudo acontecendo, com as devidas adaptações, em Arrow? Pombas, mas é claro que dá. Ainda mais se o interesse de Al Ghul for justamente nisso. E, vejam só, tudo por culpa da nerdzinha Felicity Smoak.

Como não amar? <3