As nuvens negras do Universo DC dos cinemas | Judão

Parece que as coisas ficaram bem agitadas na Warner depois de Batman VS. Superman…

Colocar um filme no cinema não é algo barato, principalmente quando falamos de um blockbuster. São gastos centenas de milhões de dólares, com um grande número de pessoas e um enorme esforço de marketing envolvido. Uma grana que vem basicamente de investidores e, obviamente, do próprio estúdio (que, por sua vez, é financiado por investidores) — e todo mundo quer lucro. Agora, maximiza isso. Pensa no caso de um universo interligado, no qual um filme puxa para o outro, num total de ONZE já anunciados e com NOVE ainda por vir.

Um insucesso pode representar um prejuízo grandioso.

A vida da Warner Bros. com os DC Filmes ou Universo Extendido DC (doravante denominado “DCEU”) não tá nada fácil e o destino do que ainda não foi lançado já começa a sentir VIBRAÇÕES, com problemas na produção de The Flash e Aquaman.

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Tudo começa porque Batman vs. Superman: A Origem da Justiça foi claramente feito como a grande PEDRA FUNDAMENTAL desse novo universo, apresentando os grandes protagonistas, o tom disso tudo e criando expectativa para o que está por vir. Independentemente de você ter ou não gostado do filme, DIVISÃO não é algo que faz lá muito a cabeça de quem bota dinheiro em um projeto bilionário. Pra piorar, por mais que a bilheteria inicial tenha sido assombrosa, a curva de queda no faturamento nas semanas após a estreia claramente não deixou os executivos da WB muito confiantes — com comunicados pra imprensa COMEMORANDO uma queda de “apenas 48%” de uma semana pra outra. É natural surgir dúvidas se o desempenho financeiro continuará bom nos futuros lançamentos.

Nesse contexto Birth. Movies. Death. afirma ter fontes internas que confirmam que os chefões da Warner estão em desacordo com Zack Snyder sobre a visão dele para a Liga da Justiça e os outros filmes, uma vez que o visionário diretor de 300 é quem tem ditado o tom desse universo.

O início das gravações de Liga da Justiça – Parte 1 começaram pouco depois da estreia de Batman vs. Superman, o que impossibilitaria uma troca de diretor ou adiamento das gravações. O motivo? Simples: se a Warner fizesse isso, seria o atestado de que não confiam no trabalho que tem em mãos, o que fatalmente influenciaria no filme que ainda está em cartaz. “Por que vou ver essa bagaça se o próprio estúdio não gostou e quer trocar tudo?, pensaria um espectador um pouco mais ANTENADO.

TEORICAMENTE esse cara viu o filme logo na primeira ou na segunda semana, mas ok.

Porém, se Liga da Justiça se safou de maiores problemas — ainda que, agora, o filme esteja MUITO pressionado, por todos os lados –, o mesmo não pode ser dito das outras produções. “Diferenças criativas” foi a justificativa para a saída do diretor Seth Grahame-Smith do filme do Flash, como foi anunciado na semana passada pelo THR. Ele continuará creditado como roteirista, mas é provavel que muita coisa mude a partir de agora.

Até hoje, Grahame-Smith só tem um trabalho como diretor — dois episódios da série de comédia The Hard Times of RJ Berger, criada por ele –, mas ele já escreveu filmes como Sombras da Noite e os livros Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, Orgulho e Preconceito e Zumbis (sim, ele é o culpado) e LEGO Batman: O Filme. Se fosse pra apostar, diria que Zack Snyder e a Warner o escolheram por ser o cara certo para juntar esse lado sombrio dos filmes da DC com o humor, algo que é mais inerente ao Corredor Escarlate (e ao LEGO Batman, Orgulho e Preconceito e Zumbis...)

É provável que as “diferenças criativas” sejam sobre esse tom ou ele simplesmente se encheu o saco de pressão pra mudar algo, pegou o chapéu e foi embora. Agora, o problema seria o humor ou o ~sombrio? Apostaria minhas fichas na segunda opção.

James Wan

Ainda de acordo com o BMD, James Wan, o diretor de Aquaman, também não estaria muito feliz com toda essa pressão na Caixa D’Água. Ele já teve um período ruim com Velozes & Furioso 7, principalmente por conta da morte de Paul Walker, e ele não precisa do sucesso do personagem aquático da DC pra construir a carreira. Ele já tem um bom nome e, neste momento, está tocando outros projetos para o futuro, tipo a sequência de Invocação do Mal.

Porém, um filme com o Aquaman, depois de ANOS E ANOS de zoeira (principalmente em The Big Bang Theory, que, oh, é da Warner), precisa de um diretor como James Wan.

De forma CLASSUDA, Wan publicou uma foto dele no twitter pra acabar com qualquer comentário. Tranquilo, de buenas, com um painel gigantesco do Aquaman atrás. Mas, vai saber a verdade nos bastidores...

No meio disso tudo, temos Geoff Johns. Cria da casa, Johns cresceu rapidamente no grupo e, hoje, é o Chief Creative Officer da DC Entertainment, respondendo criativamente por diversos projetos nas mais variadas áreas – incluindo aí os tais dos DC Filmes. É nele, além do Snyder, que recai o peso pelas escolhas feitas para o Universo DC dos cinemas.

Johns, apesar do sucesso como roteirista, acumula alguns PERCALÇOS no trabalho como executivo. O reboot de 2011 da DC Comics deu certo, falando em vendas, mas o relançamento feito ano passado naufragou. O CCO esteve envolvido diretamente nos dois projetos e, agora, é um dos líderes do Rebirth, relançamento que pretende reconectar os super-heróis da editora nos quadrinhos com aqueles elementos que os fizeram famosos, mas sempre olhando pro futuro. Não à toa, Rebirth é uma referência direta à duas grandes HQs assinadas por ele, Lanterna Verde: Renascimento e The Flash: Renascimento (essa última inspiração para a série de TV The Flash, da qual Johns também é cocriador).

Em paralelo, o selo Vertigo – outrora famoso pela criatividade e inovação – parece à deriva, com a editora executiva Shelly Bond recentemente demitida.

Isso tudo pode sim levantar dúvidas dos executivos em relação ao trabalho de Geoff Johns com o Universo DC dos cinemas, também. Ok, quadrinhos movimentam infinitamente menos dinheiro do que cinema, mas você seria maluco de deixar as chaves da Ferrari com aquele cara que andou se enrolando com o carrinho de supermercado?

Mas faz sentido, também, deixar o motorista do carrinho de supermercado conduzir a Ferrari ao mesmo tempo? Não seria melhor que ele se dedicasse a apenas um dos BÓLIDOS, evitando problemas?

Todas essas são nuvens negras no futuro da DC nos cinemas. Elas podem se dissipar rapidamente se Esquadrão Suicida e Mulher-Maravilha, os próximos lançamentos do LINE UP, se mostrem um sucesso de crítica e de público – e, no caso dos quadrinhos, que o Rebirth recupere o terreno perdido nas vendas nos últimos anos.

Ou talvez, antes de trocar quem está por baixo, seja hora de cumprimentar titio Snyder, agradecer por todo o trabalho feito até agora e avisar que cada um deve seguir o seu rumo. Poderiam até ADIAR Liga da Justiça – Parte 1, colocando os filmes-solo antes. Haveria mais liberdade para cada cineasta e produtor, e quem sabe até com mais palpites do próprio Geoff Johns – que, vamos combinar, nunca teve a parte “sombria” como destaque em seu currículo.

Sim, um modelo parecido com o da Marvel. E que deu certo.