Margot Robbie não esperava que a Arlequina se tornasse modelo pra ninguém: "ela é meio psicopata" | JUDAO.com.br

Em visita ao Brasil junto com as colegas de elenco e a diretora Cathy Yan, Margot Robbie conversou com jornalistas sobre a importância do protagonismo feminino nos dias atuais, mesmo que isso signifique personagens com um gostinho por sangue…

Um dos filmes mais aguardados de 2020, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa não apenas é dirigido por uma mulher como também traz um time de anti-heroínas sob os holofotes. Na visita ao Brasil no fim do ano passado, a diretora Cathy Yan, acompanhada das atrizes Mary Elizabeth Winstead, Rosie Perez, Jurnee Smollett-Bell, Ella Jay Basco e, claro, Margot Robbie, falou justamente sobre a importância do protagonismo feminino nos dias atuais... mesmo que as mulheres retratadas são sejam necessariamente bons exemplos para seguir.

“Quando eu interpretei a Harley pela primeira vez, eu nunca pensei que ela seria vista como um modelo, por ninguém. Quer dizer, ela é meio psicopata”, comentou Margot Robbie durante a coletiva de imprensa realizada em São Paulo. Para a atriz, que vive a melhor coisa do problemático Esquadrão Suicida, ainda é uma incógnita que sua personagem tenha se tornado um fenômeno mundial tão grande e ganhado tantos fãs ao redor do mundo. “Por alguma razão, muita gente a vê como um modelo, talvez justamente por ela ser imperfeita”. A própria atriz afirmou que sente a pressão de passar uma mensagem no mundo atual mas também entende que, em algum momento, precisa deixar o mundo e a personagem serem o que são.

A tal falta de “imperfeição” quando se trata de mulheres na cultura pop também foi abordada por Smollett-Bell (a Canário Negro), que declarou estar cansada de ver mulheres irretocáveis na Sétima Arte. Onde estão as vilãs, as malucas, aquelas que tomam decisões equivocadas como todo ser humano? “Queríamos mostrar mulheres de verdade, com defeitos, falhas. Estou cansada de ver mulheres perfeitas no cinema. Cathy fez isso muito bem, desde a escolha do elenco até o jeito que a história foi contada”, afirmou a atriz.

Essa bandeira também foi abordada por Perez (Renee Montoya), mas a atriz fez questão de deixar claro que além disso, também existe uma diversidade muito importante em Aves de Rapina. “O elenco é predominantemente multiétnico e atrás das câmeras também. O fato de sermos fortes e estarmos lutando contra vilões é apenas a cereja do bolo. Estas mulheres são complexas e não tratadas como objetos pelas câmeras”, declarou.

Sua personagem, uma policial bem competente nas HQs, é mais velha do que o restante do time no filme e está em um ambiente no qual é constantemente hostilizada pelos homens, apesar de ser extremamente capaz. “Ela não desiste, mesmo que seja insegura. Ela encontra a força para seguir adiante. Você tem que dizer: ‘Vou criar meu próprio caminho'”, finalizou a atriz.

Aliás, assim como Harley, todas as personagens estão procurando encontrar seus próprios caminhos e é bastante significativo que o grande vilão (o Máscara Negra, vivido por Ewan McGregor) tenha o desejo de aprisioná-las. O homem branco querendo controlar as mulheres que não se curvam aos seus domínios... não te lembra algo?

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Tradicionalmente vista pelos olhos de personagens masculinos, Gotham City ganha um novo olhar pela câmera de Yan. “Esse filme foi especial por explorar uma nova faceta da cidade, mais colorida”, afirmou a diretora. Esta será a Gotham da Arlequina e as coisas são diferentes – isso fica nítido no novo trailer, exibido apenas no painel da CCXP, ao vermos que sai um tipo de brilho, e não sangue, quando Arlequina atira em alguém.

Por falar em tiros e sequências de ação, geralmente estamos acostumados a ver, em eventos do tipo, os homens respondendo perguntas sobre como se prepararam para sequências de pancadaria, tiroteios, explosões. Quando questionadas sobre o assunto, a diretora disse que estava orgulhosa do elenco pela dedicação nessas atividades específicas. “Essas mulheres têm habilidades incríveis, treinaram por meses, fizeram quase todas as cenas de ação sem precisar de dublê”, afirmou Yan.

Segundo a própria cineasta, esse esforço foi fundamental nas longas tomadas de porradaria presentes no filme. “Elas fizeram takes bem grandes. Aprenderam coreografias de cenas de ação inteiras”, comentou ela, lembrando claro que UMA destas cenas de grande duração foi particularmente difícil, mas não pôde nos descrever a dita cuja porque seria um spoiler. ;)

Ainda na questão envolvendo suas capacidades físicas, Robbie acrescentou que cada personagem tem seu próprio estilo de luta, o que será bastante interessante de ver em tela. “Mostramos o jeitão específico de cada personagem, como elas se complementam quando trabalham juntas. São uma força que não dá para parar”, afirmou. Smollet-Bell complementou a questão dizendo que é fantástico poder usar o próprio corpo sem um cunho sexual envolvido. “Uma das coisas mais legais de ser atriz é fazer coisas que te fazem crescer. Foi empoderador poder usar os nossos corpos como máquinas e sem objetificá-los”, finalizou.

É muito empolgante ver os novos rumos que a DC está tomando depois de uma série de cagadas em seu passado recente. E é ainda mais empolgante ver mulheres pegando as rédeas desse universo e oferecendo olhares diferentes na frente e atrás das câmeras. Como Perez mesmo afirmou, “o feminismo não é apenas para mulheres: trata-se de igualdade” e nada mais justo que também sermos capazes de ver mulheres fazendo o que diabos elas quiserem.