Titans conseguiu ir muito além do Asa Noturna | JUDAO.com.br

Tá bom que muita gente (incluindo eu, é claro) tava esperando o momento da transformação do Dick Grayson, guardado estrategicamente para o episódio final, mas digamos que a transformação que a série sofreu foi ainda maior e muito mais bem-vinda

SPOILER! Mas é claro, não vou negar aqui, que eu tive uns bons dois, quase três meses, ligadão no modo FÃ, este mesmo, que eu admito que tem que acabar, ao assistir à segunda temporada da série dos Titãs. Tudo porque eu tava pirando pra ver, enfim, o Dick Grayson saindo debaixo da capa do Batman, largando de vez a persona de Robin pra trás e se tornando o Asa Noturna — que é o meu segundo personagem favorito da DC, logo atrás do Arqueiro Verde.

E é preciso admitir que eles fizeram a coisa toda render direitinho, guardando a revelação do uniforme pro ÚLTIMO episódio da temporada, obviamente. Mas vejam, foi tudo trabalhado de um jeito bem legal, com calma, naturalidade, o Dick aos poucos aceitando que de fato não era mais o Robin mesmo, que precisaria se tornar OUTRA coisa, crescer, evoluir. E a descoberta de que sinal, que símbolo ele adotaria, foi mais intensa do que eu poderia imaginar — tá bom, você pode argumentar que ele ter SE FORÇADO a ir parar na cadeia como uma espécie de exílio foi um tanto bizarro, temos questões aí, eu entendo totalmente. Mas o relacionamento com os imigrantes de Corto Maltese, a relação que isso tem com a VIDA REAL, bingo, aquele foi um acerto e tanto.

Brenton Thwaites dominou o papel, ainda que sem AQUELA bunda dos gibis — mas teve bastante da relação dele com o Batman, né. Quer dizer, não, Batman não, porque o Iain Glen não aparece de uniforme, então dá pra falar só do Bruce Wayne. Mas... que Bruce Wayne maravilhoso. De longe, a melhor versão do personagem enquanto live-action e quem discordar está redondamente enganado. Mais velho, classudo, sacana, meticuloso, quase maquiavélico, mas com um bom humor enquanto GRILO FALANTE do Dick que o fez simplesmente roubar a cena. Que homem maravilhoso, capaz inclusive de prestar uma deliciosa homenagem ao Batman dos anos 1960 dançando a clássica Batusi.

Lendo isso, você imagina, portanto, que por causa da transformação do Asa Noturna, ora vejam vocês, a série ficou boa? Não, não. Tá, a série melhorou MUITO com relação àquela trepidante e titubeante primeira temporada. Mas não foi SÓ por causa do Asa. Na real, teve uma série de fatores aí. O caminho que a temporada seguiu, olha, deixa o sabor para a terceira, já confirmada, bem menos amargo do que no ano passado.

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Que a mistura de vilões acontecendo ao longo da temporada chegou a um ápice confuso lá pela metade dos 13 episódios, fazendo com que o interessante Slade Wilson/Exterminador de Esai Morales perdesse a força em comparação com uma Mercy Graves, a motorista/braço de direito de Lex Luthor, bastante forçada e sem propósito assumindo o controle do CADMUS, não dá pra negar. O resultado foi um último episódio sem um clímax DE FATO, pelo menos no que diz respeito ao embate final com o vilão: depois que Slade é derrotado, de um jeito meio NHÉ, ainda sobra um experimento maluco de Graves para ganhar uma grana pro patrão num bilionário leilão colocando o Mutano (um enorme tigre verde, no caso) contra o Superboy. Hã... sério que ela precisa manipular a mente DOS DOIS pra provar que o Garoto de Aço é fodão e se fosse replicado seria um supersoldado perfeito? Numa luta contra UM TIGRE? Não dava pra, sei lá, soltar um tigre de verdade no meio da cidade e ver o que acontece?

Assim como tampouco a gente nega que o que acontece com Donna Troy, uma espécie de NÃO-MORTE (ah, vá, sério que vocês realmente acreditam que a Ravena não vai ajudar a trazê-la de volta à vida), faz um baita sentido narrativamente falando — o impacto que causa no time é certeiro — mas acabou sendo conduzido de um jeito atrapalhado e apressado? Claro que, na terceira temporada, da mesma forma que tivemos Dick se tornando o Asa Noturna, não existe qualquer dúvida de que veremos a Donna abandonar a roupinha vermelha e identidade conectada com a da Mulher-Maravilha para enfim se tornar a Troia. Mas... precisa ser daquele jeito bobo e broxante? Jura que o Conner Kent nem sequer se mexeu pra evitar que ela fosse eletrocutada?

Ok, ok, eu vi tudo isso, não deixei pra lá, tá bom? Mas, MESMO ASSIM, a transformação pela qual a série passou ao longo desta segunda temporada foi bastante positiva e valeu demais a pena. Se a dita cuja chegou na temporada 1 querendo parecer um spin-off de Batman vs Superman, tudo indica que a sessão de terapia que já ficou clara no episódio inaugural deste ano 2 e só se intensificou conforme os episódios passaram fez bastante sentido.

Vimos, de fato, o nascimento de uma FAMÍLIA. Vimos o quanto eles pecaram em seu passado e entendemos que precisariam uns dos outros para chorar o que precisaria ser chorado, de ombros para se apoiar, de histórias para compartilhar. E também precisariam tentar superar tudo JUNTOS para só então poder ajudar os novatos a superarem seus próprios pesadelos particulares. Foi uma temporada bem dramática e bastante emocional, mas surpreendentemente num tom mais leve do que a primeira. Menos violência, ossos quebrados, cara de malvado, somos todos um bando de fodões, e sim um monte de jovens sacando que este papo de ser adulto e encarar as suas responsabilidades é foda, rapá, com ou sem superpoderes. Foi menos sobre forças e mais sobre fraquezas.

Neste ponto, o retrato do relacionamento do casal Rapina e Columba foi simplesmente perfeito, com idas e vindas, entre DRs e tensões sexuais, que eram a mais pura expressão da realidade, dura e esquisita, com ou sem roupas de pássaros gigantes.

Aliás, vou arriscar até dizer uma parada aqui, que alguns de vocês podem entender como um elogio (pra mim, pelo menos, é) e outros como um desagravo. Mas se a primeira temporada parece ter claramente a mão pesada de Akiva Goldsman dizendo “mermão, é assim que super-herói tem que ser, tiro, porrada e bomba”, nesta segunda me parece claramente que seu parça Greg Berlanti tomou as rédeas e mandou um “tá bom, amiguinho, deixa eu te mostrar como se brinca disso aqui, já fiz uma porrada destas e funcionou, olha só”.

Sim, é isso mesmo que tô querendo dizer: Titãs ganhou mais cores, mais brilho, se tornou uma versão mais iluminada, mais humana — em resumo, se tornou uma série mais CW do que sequer ousava flertar ser na temporada anterior.

Eu acho esta uma boa notícia, na real, porque afinal é ESTE tipo de herói que andamos precisando ver no mundo de hoje. Vocês podem odiar, mas se uma série que começou flertando com Batman VS. Superman se torna agora uma espécie de ANTI-BVS, eu já tô apoiando de primeira e pedindo bis.

E que venha a Estrela Negra. E que tenhamos cada vez mais cenas com o Krypto apenas porque sim.