Uma série, três trilhas sonoras diferentes | JUDAO.com.br

Além da trilha incidental composta pelo duo também conhecido como “Nine Inch Nails”, eles tão preparando não um, mas TRÊS discos com canções que tocam na série Watchmen — que serão lançados de acordo com viradas na trama da história

Ó só, se tem um grande acerto naquela COISA que é a versão cinematográfica do ~visionário diretor Zack Snyder para Watchmen é, sem sombra de dúvidas, a trilha sonora. Aliás, aquela introdução que conta um pouco da história dos vigilantes ao som de The Times They Are A-Changin’, canção do Bob Dylan que inclusive é mencionada no gibi original, é simplesmente maravilhosa — o que me deixa eternamente perguntando por que diabos o restante do filme não seguiu AQUELE caminho, mas tudo bem, respira, segue o jogo.

Era de se esperar, portanto, que a série de Damon Lindelof PELO MENOS seguisse o mesmo caminho em termos sonoros, pra embalar a trama inspirada na obra de Alan Moore e Dave Gibbons com alguma coisa certa. E o showrunner não economizou esforços, conforme anunciou num empolgado post em seu Instagram. “Eu liguei pra HBO enquanto ainda estávamos escrevendo o piloto e implorei pra que eles considerassem os brilhantes Trent Reznor & Atticus Ross como compositores da trilha da série”, conta ele. “E a HBO respondeu dizendo: ‘isso é estranho. Porque ELES nos ligaram perguntando sobre Watchmen. No fim, Trent e Atticus são fãs do gibi original e eu sou fã de Trent e Atticus. A música dos dois é original, visceral, tremendamente emocional. Então, é com grande empolgação e gratidão que anuncio que Watchmen soa como ELES”.

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Bom, caso você não faça ideia de quem estamos falando, bem que deveria: Trent Reznor é o líder da banda Nine Inch Nails, um dos maiores expoentes do que se convencionou chamar “rock industrial”. Verdadeiro exército de um homem só, ele atuava até 2016 como o único membro OFICIAL da banda, que teve uma rotatividade absurda de integrantes ao vivo para saciar a SANHA criativa do sujeito. Mas, desde 2016, o inglês Atticus Ross, que já vinha trabalhando como produtor e músico convidado do grupo há uma década, se tornou o segundo integrante propriamente dito da grupo. A junção faz um sentido danado, já que Ross e Reznor desenvolveram uma bem-sucedida parceria juntos no mundo do audiovisual desde 2010, quando compuseram a trilha sonora de A Rede Social — o que lhes garantiu um Oscar, aliás. A partir dali, Hollywood enxergou a dupla com outros olhos e ouvidos.

“Trabalhar num filme pode ser um processo meio míope; você se enfia num buraco e não pensa sobre nada além daquele mundo que está desenvolvendo”, confessou o músico sobre o processo criativo numa conversa com a Rolling Stone. “Enfrentar vários projetos juntos ao mesmo tempo tem sido benéfico de certa forma, porque você está sempre reagindo a alguma coisa. Trabalhar nos filmes e no Nine Inch Nails forneceu alguns bons contrapesos e tornou todos mais interessantes. Você pode mergulhar em um projeto sabendo que estará do outro lado do espectro na próxima semana, dependendo de quão bem você possa permanecer são alternando entre os trabalhos. Para nós, funciona muito bem”.

Massssssss digamos que o começo foi meio louco pra eles. Em A Rede Social, por exemplo, a dupla viu 20 minutos do primeiro corte e pensaram “mas que diabos vamos fazer aqui? Não existe espaço para música, é diálogo constante? Como faremos música pra uma cena em que alguém vira no corredor, desce as escadas e dura oito segundos?”. Foram algumas horas de pânico, em que eles pensaram em bater na porta do Hans Zimmer e oferecer um café em troca de apenas ficar olhando COMO ele faz o que faz.

“Mas então pensamos numa abordagem diferente: aplicar a esse conjunto de habilidades o que sabemos fazer. E se eu penso sobre o processo de composição, normalmente o que estou fazendo é apenas escrever letras, criar cegamente a música e, subconscientemente, jogar o que parece instintivamente certo até que uma música seja boa o suficiente para apresentá-la ao Atticus ou a qualquer pessoa mais no mundo. E se eu penso assim, substituo minhas letras pelo roteiro e minha própria experiência pela do personagem. Em Rede Social, eu pude me relacionar com o personagem de Mark Zuckerberg – alguém que acreditava tanto em algo e se esforçou para fazê-lo funcionar, aquela estranha sensação de insatisfação ou melancolia. Eu conheço esse sentimento”.

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Quem teve a chance de assistir aos primeiros dois episódios de Watchmen, já sacou que o clima de tensão típico da dupla Reznor & Ross está lá, pesando numa trama já bastante densa sobre racismo numa realidade paralela bastante próxima da nossa.

“Eu sou fã do Damon desde Lost“, afirmou Reznor numa entrevista pra Variety. “E minha cabeça explodiu com The Leftovers. Mas também sou um grande fã de Watchmen. Gosto da coragem que é precisa para trabalhar com esta propriedade. (...) Eu nunca tinha trabalhado pra TV, mas nem precisa dizer que os últimos anos têm sido incríveis pra televisão e o storytelling mais longo também me empolga”.

Ele revela que, depois de deixar clara a sua vontade pra emissora, rolou uma reunião com o Damon e eles tavam dentro. “Com Watchmen, tivemos o desafio de trabalhar quase às cegas, com um pedaço do primeiro episódio. Mas passamos tempo o suficiente com Damon para saber que somos almas gêmeas. O ritmo da TV parece interessante. Me perguntem daqui uns meses como me sinto, mas AGORA estou bastante empolgado”.

Além da trilha incidental que se pode ouvir semanalmente, a dupla vai lançar nada menos do que TRÊS discos de vinil com a trilha do filme. “Três discos únicos que serão lançados ao longo da primeira temporada de Watchmen, criados em colaboração com os roteiristas da série”, diz o link do site oficial do NIN no qual dá pra comprar em esquema de pré-venda as obras — mas, da mesma forma que aconteceu com a trama da série, não apenas o conteúdo, que músicas vão conter em cada disco, além das capas, estão sendo mantidos em segredo.

A única faixa que se sabe que estará no disco 1, até então, é a abertura How The West Was Really Won — mesmo nome de um álbum clássico da música americana, composto pela dupla Grace Hawthorne & John F. Wilson para contar a história do desbravamento do Velho Oeste... mas que também tem relação direta com um o título de How the West Was Won, disco ao vivo do Led Zeppelin considerado um dos melhores da história, com a banda em seu auge. Espere MUITAS conexões do tipo. :)

O primeiro disco sai no dia 4 de novembro, enquanto o segundo chega no dia 25 do mesmo mês e o terceiro só no dia 16 de dezembro. E o mais legal de tudo é que, conforme confirmou no Twitter o roteirista Jeff Jenson, que trabalha no time de Watchmen, os discos serão lançados justamente em “pontos-chave da temporada”, coincidindo com elementos da trama. Esta ideia é realmente BEM legal, porque expande o storytelling de um jeito diferente.

Além disso, a ideia é que os álbuns tragam diversos extras, “revelando insights sobre a mitologia da saga e seus mistérios”.

Pra vocês irem sentindo o clima do que podemos esperar desta trilogia de discos, o canal oficial do NIN no YouTube liberou a íntegra da música dos créditos de encerramento.